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Um olhar para o interior de Thomé

Foto do escritor: Jú Burian
Jú Burian
há 8 minutos
4 min de leitura

A ansiedade jovial encontra o existencialismo contemporâneo no seu novo álbum de estúdio


Dono de um sorriso meigo, uma voz poderosa e uma discografia dicotômica, Thomé não se reduz a um objetivo e evoca todas as nuances da própria identidade em “Quero Ser Tudo”, seu segundo álbum de estúdio recém-lançado.


O cantor estende um tapete metafórico para as dores que agonizam a juventude paulistana.  A ansiedade da cidade grande, as potencialidades do ser, os amores líquidos que nos cruzam…a complexidade te convida, ao longo de 12 faixas, a ficar cara a cara com os problemas que podemos nos reconhecer facilmente.


“É um disco sobre contradições, então, eu não acho que com esse disco eu tô trazendo respostas, eu tô trazendo perguntas. Mesmo para mim, para os outros, para os ouvintes. E além de tudo, é um disco bem dançante também. É aquela coisa, né? Dançar com a mão na consciência”, aponta o artista. 

Vem morar no nosso fone


Se a balada homônima de “Quero ser tudo” brinca com o existencialismo e todas as possibilidades dos nossos quereres, o processo de criação do álbum não foi diferente. Para Thomé, a construção do projeto se tornou densa ao precisar trabalhar com as nuances da própria identidade. 


“Além da maneira artística, eu trabalhei em terapia também, porque realmente foi um resgate de coisas lá do tomar criança, entendeu? É, de várias vivências, de várias maneiras que eu lidei com a realidade, com São Paulo, com as minhas relações, comigo mesmo. Então, foi um processo muito profundo”, aponta o cantor.

Sob suas próprias palavras, Thomé aponta que ‘quis fugir um pouquinho de uma caixa muito específica’ e evidenciar uma pluralidade melódica, explorando arranjos que passeiam nos versos com naturalidade. “É um álbum meio maluco assim, tem músicas pop, reggaeton, influência de música latina”, afirma, pontuando também as influências do frenético CityPop e da pegada MPB dos anos 70 e 80.


Foto: Anabiss
Foto: Anabiss

E seria um dissabor não se aventurar pelas delícias noturnas que o artista alude com tanta particularidade. Em Rosa Choque, uma ambivalência rotineira cantada em disco, Thomé revela que associou seu passado na escala CLT de 5x2 como uma das influências temáticas.


“É muito comum você chegar para trabalhar às 8h, 9h, e sair às 17h, 18h. Você perde a luz do dia, né? E aí você tem o quê? A noite para você se expressar, para você tentar achar algum lugar para você. Então, isso é muito comum em muitas realidades e eu vivi isso por um tempo assim. E eu acho que eu trouxe isso na Rosa Choque”, reflete.

Puro suco das relações


Cantar sobre o amor é lindo, mas ao lado de quem gosta da gente, fica poético. O que não falta é feat bom nesse álbum. Diga-se de passagem que Metaverso, com Thalin, é extravagante e dá vontade de viver, pular e se esbaldar longe das telas - e enfatizando o flow do rapper, que é fenomenal.


Assim como Puro Suco do Amor, sua parceria com Tom Ribeira, que flui como um abraço afetuoso e marca o retorno do músico na discografia de Thomé. “Ele está presente no meu disco acústico. Eu queria muito que ele estivesse também presente nesse. E na música que ele canta comigo é a música, talvez, mais leve do disco, mais bela, ”, destaca.


Foto: Anabiss
Foto: Anabiss

E a urbanidade cria raízes não óbvias, mas se expressa na coletividade intrínseca do álbum.Desde o momento em que o produtor Rico Manzano inspirou a experimentação de mais falsetes ou o olhar artístico e assertivo de Anna Pimentta, o universo retrô com um quê futurista refletiu no desejo de querer sempre mais. E esse é só mais um dos acertos.


Ao delicado encontro de vozes em Olhares - a parceria com a excelentíssima Agnes Nunes -, uma pedido: cantem, cantem e cantem. Inspirada em uma vivência passada de Thomé, a canção se tornou a menina dos olhos para a cantora durante uma visita entre amigos. 


“Eu mostrei o álbum para eles [Agnes e Tom]. E nessa música a Agnes falou: "Nossa, arrepiei, amei essa música". E eles ficaram ouvindo por um tempo. E aí teve uma outra vez que eu voltei lá e a Agnes meio que falou: "E aí amigo, quando que você vai me chamar para cantar uma música sua?”, relembrou saudoso. “A gente repensou algumas coisas do arranjo e ficou muito especial, parece que a música nasceu para a voz dela”.

Além desses artistas, Thomé se encanta nos lampejos poderosos de outras vozes tão poderosas quanto, como Mari Jacar, na melódica “Zum Zum” e Zi, em “Enluarar”- com seus arranjos enamorados pelas vozes sintonizadas.


O que vem agora?


E caso você conheça Thomé pelo acústico, vale demais buscar esse novo capítulo e se inteirar com as dúvidas que ele busca tirar do peito. 


A sonoridade perpassa pela voz e violão, mas não se restringe e busca até mesmo os sintetizadores à la discoteca e aquele riff de guitarra cheia de swing. É, basicamente, a sessão de terapia em formato de uma ótima trilha sonora. Saiba mais sobre o trabalho do Thomé por aqui:









 
 
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