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No particular de Carol Biazin: as linhas da menina do interior

  • Foto do escritor: Jú Burian
    Jú Burian
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

No Escuro, Quem é você, Carol Biazin? Te diria artista em primeira mão, mas acho melhor usar a palavra que te elege: Referência.


O quão sintomático é fazer uma apoteose em Ribeirão Preto justo na semana que se é celebrado o Dia Nacional do Orgulho Lésbico? Te respondo. É significativo e, com a definição correta, acolhedor. 


Neste sábado (22), a cantora subiu ao palco do Multiplan Hall, no RibeirãoShopping, para evidenciar sua arte na turnê “nem tão pouco assim”.


Sob a companhia do trio de ouro - a guitarra, o teclado e o afinadíssimo violão -, Carol trouxe os hits de “No Escuro, Quem É Você?”, como também relembrou alguns hinos que marcaram sua carreira, como Talvez e Suas linhas.


Um caos perfeito (e nós amamos


Sob a meia luz de um charmoso abajur, em um assento daqueles que se encontram nos cubículos psicanalistas da vida, Biazin foi ovacionada antes mesmo de abrir o show com Menina do Interior. Sua carta de amor e aviso ao próprio caminho foi só o pontapé inicial do íntimo a ser visitado.


Após dedilhar por entre os líquidos Corações de Pedra, sua parceria com Duquesa, e Sou do Mundo, a cantora deixou seu humor - cronicamente on-line - brilhar. Os gracejos em resposta aos elogios provindos das fãs ou sua retórica sobre sua própria vida esquecem da ideia de unilateralidade de um show. Talvez possa ser isso que encante? Não só.


Sabendo da magnitude que exala, a performance passa do intimista para o sensual com os solos de uma guitarra que conquista - contradizendo Paula Toller. A energia muda e a luz também. O vermelho vivo encanta e complementa os riffs elegantemente apaixonados de Tr*nsANte e 1697, almejando o indecente. Ui.


O público ia à loucura sempre que Carol Biazin dedilhava a guitarra | Foto: Arquivo Pessoal
O público ia à loucura sempre que Carol Biazin dedilhava a guitarra | Foto: Arquivo Pessoal

Um amor para todo mundo ver


Há 43 anos, num 19 de agosto bem longínquo, mulheres se mobilizaram no Ferro’s Bar para protestar contra o silenciamento da identidade lésbica. Depois delas, vieram Angela Ro Ro, Cássia Eller, Ana Carolina e muito mais nomes que se posicionaram.


Neste mesmo panteão de gigantes, Carol se aventura. Ou melhor, abre o coração. Em dado momento, a cantora borda sobre a responsabilidade - e a gratidão - de ser vista como um porto seguro para quem deseja ser representado. 


“Então, muito obrigado à vocês que me fizeram enxergar isso. No final das contas, não sou eu que sou espelho, eu sou o que vocês fizeram de mim”, evidenciou antes de começar o manifesto tão quisto de Te Amo Sem Culpa.


A cantora emocionou o público ao trazer vivências com fãs como pilar para Te Amo Sem Culpa | Foto: Arquivo Pessoal
A cantora emocionou o público ao trazer vivências com fãs como pilar para Te Amo Sem Culpa | Foto: Arquivo Pessoal

O amor encontrou diferentes formas naquele vozeirão. A artista percorreu delicadamente a trajetória de um romance, desde os flertes inesperados de Bagunça à decadência emocional de um término, em Você.


No entanto, não é no romantismo que Carol te faz desmoronar. É no afeto. Casula chega com endereço, sentimento e impacto. A música que dedica ao irmão, ironicamente psicanalista, suplanta qualquer erro de português infantil e se estende como um tímido reconhecimento de lar e proteção em quem se ama. 


Abaixo de um céu estrelado de luzes artificiais e manejados pelo próprio público, Caroline dos Reis Biazin abre o peito sobre sua maior intimidade, pois, afinal, quem é amado, tampouco sente medo de se mostrar.


as coisas mais simples - é disso que a gente precisa


A energia nunca mente. Carol estava radiante, se posso dizer. Assim como o equilíbrio dos discursos entre os versos, a boníssima sintonia com a equipe também era de se invejar. Tal fato se destacou com o jogo de luz ilustre durante Low Profile


Sempre que a artista relembrava o fato de sua musa não gostar de tirar fotos, Bruno Katsumoto, o Lighting Designer, fazia questão de brilhar em um flash semiótico.


No ato final, a multi-instrumentista escolheu um repertório opositor. Amor Traumatizado foi entoada com força melodramática. Em uníssono, um Multiplan inteiro se balançou e rogou por um porto seguro longe dessa geração de descartável descontrole.


E para o fechar das cortinas, a rotina encontrou a ansiedade contemporânea e o desejo claro de fuga. Dilemas da vida moderna explodiu na boca de um público otimista que compartilha da mesma linguagem de Carol Biazin - os códigos de uma juventude que busca se encontrar.


Fique de olho!


Nesta quarta-feira (26), Carol Biazin lançou seu novo EP assumo os riscos, com seis novas músicas e se despede da era No Escuro, Quem é Você?.


Além das faixas, a cantora ainda traz dois últimos shows, nos dias 12 e 20 de dezembro, para finalizar a turnê em São Paulo e no Rio de Janeiro.




 
 
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