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Tietê grava disco no Abbey Road, mistura gêneros e amplia identidade no álbum “Tâmisa”

  • Foto do escritor: Guilherme Moro
    Guilherme Moro
  • há 1 minuto
  • 4 min de leitura

Não é todo dia que uma banda independente de São Paulo atravessa o oceano para gravar em um dos estúdios mais emblemáticos da história da música. Em “Tâmisa”, segundo álbum da Tietê, lançado em 27 de fevereiro, a experiência em Abbey Road Studios, em Londres, foi para além da pompa de gravar em no mais emblemático estúdio da história. É o único motivo pelo qual o álbum existe.


Convidada a gravar no estúdio inglês durante o processo de formação do produtor Dan Parties, a banda teve cerca de três meses para estruturar praticamente todo o repertório e apenas três dias e meio para registrar a maior parte das faixas. O resultado é um trabalho que soa vivo, pulsante, atravessado por decisões rápidas e, ao mesmo tempo, profundamente pensado na sua construção coletiva.



Se “Tâmisa” parece um disco múltiplo, quase fragmentado à primeira escuta, há um eixo claro que organiza tudo: a ideia de fluxo. O título conecta o Rio Tietê ao rio londrino, criando uma ponte simbólica entre cidades e trajetórias.


Mas essa relação não é apenas geográfica. Ela nasce de uma observação sobre transformação, que desde o princípio permeia as ribanceiras do grupo.


“Então, o nome da banda veio, no primeiro momento, no sentido de ter uma coisa que remetesse a essa questão bastante urbana. Temos uma música do nosso primeiro disco que é ‘Zygnivag’, que fala sobre esse estrangulamento dos rios e como a cidade modifica a forma deles, deixando-os retos quando eles fazem curvas. Veio muito nesse sentido, no primeiro momento, principalmente no que veio a ser o primeiro disco. Mas também é isso: a gente tem uma relação muito forte com as águas e também com os diversos lugares que elas conseguem levar. Isso passa tanto por essa coisa urbana que eu trouxe, mas também por essa parte rural do rio, que se limpa e se transforma ao longo do caminho.”


É exatamente nesse encontro entre o urbano e o orgânico que o disco se sustenta. As músicas não seguem uma linha reta. Elas desviam, acumulam camadas, mudam de direção e formam a identidade do projeto.


“O Dan Parties mora em Londres já faz um tempo, é músico, produtor musical, e movimenta muito a cena independente lá de Londres, principalmente a cena imigrante. Ele faz várias festas com o pessoal de lá. Tem um grupo, inclusive, que chama Cosmic Arcade, que vale muito a pena conhecer, é muito massa, eles têm coisa no Spotify. Ele estava se formando no Abbey Road Institute of Music, em engenharia musical.

A gente estava trocando ideia, e foi a mãe dele que falou: ‘Vocês podiam juntar esses superpoderes e fazer esse disco a partir disso˜.


Sem orçamento tradicional e com o tempo correndo, a banda recorreu ao público para viabilizar a viagem — o que acabou criando uma conexão rara antes mesmo do disco existir de fato.


Se há uma decisão que define “Tâmisa”, é a escolha por gravar junto, ao vivo, priorizando a interação em detrimento da perfeição técnica isolada.


“A gente sempre buscou entender a nossa própria sonoridade.

Uma coisa que percebemos nos ensaios era que a gente tocava tudo junto, e isso soava muito bem. Então decidimos gravar ao vivo, em conjunto, em vez de fazer por camadas. Também teve a questão prática: eram só quatro dias de gravação. Então a gente precisava otimizar. Fazíamos três ou quatro takes por música e já passava para a próxima.

Isso trouxe uma unidade sonora muito grande. Os microfones captavam um pouco de tudo — guitarra, bateria, teclado — e isso gerou uma ‘cola’ no som. Ficou mais orgânico, mais vivo.”


O peso da história


Gravar no mesmo complexo que consagrou os Beatles, inevitavelmente, adiciona outra camada à experiência, mesmo que não seja uma referência central para todos os integrantes.

“Existe esse assunto Beatles dentro da banda, mas não é todo mundo que tem isso como referência principal. Mas ela está ali, é forte, não dá para negar. Quando você entra lá, tem fotos de todo mundo que já gravou: Beatles, Adele, Lady Gaga, trilhas como Star Wars. Na cantina, tem fotos da galera comendo, fotos gravando. Falaram que uma semana antes da gente chegar o Paul McCartney estava na cantina tomando café.

O estúdio respira essa nostalgia, essa aura do que já foi feito lá. E também é um estúdio que sempre esteve na vanguarda das técnicas de gravação.


Sem pressa de chegar

Mesmo com o salto que o disco representa, a banda não trabalha com um destino fechado o que, de certa forma, dialoga com o próprio conceito do álbum.

“A gente não tem exatamente um objetivo fechado com a banda. A gente não pensa ‘queremos chegar em tal lugar’. A gente quer tocar e continuar fazendo isso. É mais um momento na vida da banda e nas carreiras individuais. Cada um vai se aprofundando nas funções dentro da banda, não só tocando. É meio que um organismo que se move, se sustenta.

Então acho que é isso: seguir fazendo.”

 
 
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