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illinoise faz da inquietação seu ponto de partida em álbum de estreia

Foto do escritor: Redação Blog Música Boa
Redação Blog Música Boa
há 6 minutos
3 min de leitura

Quarteto lança disco autoral de 12 faixas, produzido nas casas dos integrantes, com Dani Buarque, da The Monic, Giovanni Sartori e Fábio Lucindo entre as participações


illinoise faz da inquietação seu ponto de partida em álbum de estreia
Illinoise (Daniely Simões)

A busca por uma identidade pode ser paralisante quando tratada como destino. No álbum de estreia homônimo da illinoise, lançado em 23 de setembro, ela vira matéria-prima. Formada por Johnny Manfredi, Luisa Lobo, Beatriz Limeres e Lucas Cassoli, a banda apresenta um disco de 12 faixas que atravessa ruído, memória, medo e transformação sem tentar organizar tudo em uma resposta definitiva. Ouça aqui!


Gravado de forma inteiramente independente nas casas dos próprios integrantes, illinoise opera entre o post-hardcore, o emo e o rock alternativo. Mais do que reunir referências de nomes como Paramore, Rancore, Sweet Pill, Thursday, Emarosa, Circa Survive, Saosin e Silverchair, o quarteto usa esse repertório como ferramenta para construir uma sonoridade intensa, melódica e imprevisível.


“Passamos muito tempo achando que crescer era chegar em algum lugar, descobrir quem a gente era e finalmente parar de se perguntar. Esse disco é sobre desistir disso”, afirma a banda. “As doze faixas são tentativas de escutar nossa própria voz no meio de um barulho enorme: o que esperam de nós, o que já fomos, as versões que inventamos para dar conta.”


No universo criado pela illinoise, crescer não é descobrir quem se é, mas aprender a dividir espaço com aquilo que ainda não se conhece. Essa ideia atravessa o álbum desde o processo de gravação — feito literalmente dentro das casas onde seus integrantes vivem — até as escolhas musicais do repertório.


A abertura “Veredas” chega a 172 BPM, enquanto a faixa final, “Helicópteros”, desacelera a 90 BPM. Entre esses dois polos, o grupo desloca estruturas e expectativas: “Tormentos” avança em compasso 7/4 e “Kaji”, em 5/4. A instabilidade não funciona como exibição técnica, mas como extensão do que o disco discute: caminhos que bifurcam, transformações que não acontecem sem conflito e partes de si que insistem em permanecer abertas.


A produção do álbum é assinada por Johnny Manfredi e Lucas Cassoli, que também integram a formação em guitarra/banjo e guitarra/bateria, respectivamente. Luisa Lobo assume vocais e baixo, enquanto Beatriz Limeres responde pelos vocais. A mixagem, a masterização, os vocais adicionais e a percussão ficaram sob responsabilidade de Luke Mello, do Urgent Studios.


Um dos encontros centrais do disco acontece em “A Primeira Vez Que Eu Morri”, faixa que recebe Dani Buarque, da The Monic, nos vocais e na coautoria da letra. A colaboração nasce do contraste entre as vozes, especialmente entre o scream de Dani e o de Beatriz.


“O scream da Dani tem uma assinatura muito própria, mais agressiva e reconhecível, que se diferencia do scream da Beatriz — e é justamente esse contraste entre as duas vozes que a faixa procura”, explica a illinoise. “A colaboração não parou na performance: ela participou diretamente da composição da letra, o que fez a música tomar um rumo que não teria se fosse escrita só por nós.”


O repertório também ganha o violoncelo de Giovanni Sartori em “Kaji”, “A Primeira Vez Que Eu Morri”, “Neblina” e “Helicópteros”. Em “Kaji”, a banda reúne ainda as quatro vozes em coro — única vez que isso acontece no álbum — e encerra a faixa com um monólogo de Fábio Lucindo, conhecido por ser a voz brasileira de Shinji, de Neon Genesis Evangelion, e Arnold, de Pokémon.


Com os lyric videos de “Kaji” e “O Dilema do Ouriço” já apresentados, a illinoise prepara agora o clipe de “Górgonas”. Em paralelo, o quarteto trabalha na montagem do show para circular por São Paulo, interior e outras capitais brasileiras.


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