• Guilherme Moro

Entrevista: Patricia Ahmaral retorna de hiato com dois novos projetos

Imagina você ser um artista que vive de música já há muito tempo e que utiliza dela como sua principal forma de expressão. Agora imagine que, nessas circunstancias, você fique por muito tempo sem cantar, gravar ou fazer shows. Foi o que aconteceu com Patrícia Ahmaral.


A mineira ficou alguns anos longe dos palcos, mas retornou com tudo. Ela lançou recentemente o single “Tirania”, o primeiro de seu próximo álbum, que tem o título provisório de “O Sonho Que o Doido Fala”, previsto para o próximo ano. Um detalhe curioso, abrindo e fechando a gravação, é o sample com a antológica narração do locutor esportivo Vilibaldo Alves, do gol do artilheiro Reinaldo para o Atlético Mineiro, na polêmica final do Brasileirão de 1980.


Foto: Kika Antunes

“’Tirania’ traz uma referência ao futebol, que eu acho uma arte muito genuína. Foi daí que surgiu essa ideia de colocar uma narração. Fui procurar na internet e a primeira narração que eu achei foi essa do Vilibaldo Alves. Outra coisa interessante é que o Reinaldo, autor do gol nessa narração, foi um jogador que deixou uma marca importante, pois ele comemorava seus gols com o punho cerrado, em forma de protesto contra a ditadura militar e contra o racismo. Sem querer eu encontrei algo que tinha a ver com a música (risos)."


Patrícia Ahmaral iniciou carreira nos movimentos musicais dos anos 1990, em Belo Horizonte. “Ah!” (1999), seu primeiro álbum, foi produzido por Zeca Baleiro, compositor de quem chamou atenção na época, por seu trabalho como intérprete e a quem conheceu graças a uma grande amiga em comum. A mineira lançou ainda “Vitrola Alquimista” (2004), produzido por Renato Villaça e “Superpoder” (2011), produzido por Fernando Antunes, seu último projeto até então.


“Eu vinha retomando minha carreira e isso foi me dando energia para voltar a gravar. Quando veio a pandemia, eu já tinha tomado a decisão de gravar um outro projeto. Eu estava produzindo somente uma música, muito baseada na atitude e na coragem mesmo. O momento pandêmico nos deu um chamado para olhar pro interior e ver o que era essencial e valorar a caminhada, a carreira. Eu já tinha dado esse passo, mas a pandemia reforçou. Na pandemia nasceram dois projetos: um tributo ao poeta Torquato Neto e um álbum de canções autorais.”



Com a volta dos shows cada vez mais próxima e com o mercado se reabrindo, Patrícia, apesar de ansiosa, se diz cautelosa referente ao assunto e comentou sobre as expectativas para seus futuros lançamentos:


“Eu estou cautelosa, porque acho que ainda precisamos tomar alguns cuidados. Estou aguardando e estou muito concentrada na produção dos discos. Eu espero que esse projeto autoral reverbere nas pessoas. É algo diferente a novo pra mim. Tenho meu lugar de intérprete, mas estou me permitindo esse espaço de gravar minhas canções. Estou bem curiosa. Em relação ao tributo ao Torquato Neto, estou realizando um sonho muito antigo. Eu sou muito apaixonada pela obra dele. Eu realizei um show há 20 anos em sua homenagem”.