• Guilherme Moro

Entrevista: Noel, guitarrista da banda Os Roucos, fala sobre novo clipe e futuros lançamentos

Com atmosfera oitentista e nostálgica, mas em deixar de lado o vigor e peso da atual sonoridade do rock, o grupo Os Roucos lança a faixa "Movimento Contínuo", praticamente um embrião do álbum de estreia da banda, que será lançado no ano que vem. O single vem acompanhado de um clipe super original, dirigido por Raul Machado e Yuri Alexei.


Outra marca importante neste lançamento, é a inserção de dois vocais, algo que pode aparecer com mais frequência nos próximos lançamentos da banda.


“Terminamos de gravar o disco há duas semanas. Falta mixar, basicamente. Sinceramente, quando terminamos um álbum ficamos muito emocionados, porque por mais que a gente esperasse fazer um disco legal, ele superou nossas expectativas. Está difícil escolher os próximos singles, porque as músicas estão muito fortes e diferentes entre si, sem soar como um disco “Frankenstein”. Acho que trabalhamos bem as diferentes referências sonoras da banda pra que não soasse repetitiva e ao mesmo tempo conseguimos manter uma unidade e criar uma identidade. É um disco bem animado e dançante. A maior dificuldade de uma banda em começo de carreira é ser ouvida, se conseguirmos furar essa primeira bolha acho que muita gente vai gostar e se identificar”, comenta o vocalista e guitarrista, Noel.


Foto: Antonio Frugiuele

Anteriormente a esse trabalho, os paulistas haviam lançado dois singles, que reverberaram muito no cenário do rock. “Movimento Contínuo" trata de assuntos densos, que fazem parte do cotidiano e da maneira que lidamos com essas adversidades.


“É uma música feita durante a pandemia, então ela traz à tona essa mistura de sentimentos que o confinamento e a privação de poder fazer o que sempre fizemos causou. Ao mesmo tempo, ela manifesta a urgência de ter que se reinventar e buscar novos caminhos durante a vida. Ela não é sobre a pandemia, acho que esses sentimentos estão presentes ao longo de nossa jornada. Essa vontade de criar, de não ficar preso ao passado, se livrar de amarras e ao mesmo tempo ter que lidar com a angústia, incertezas, inseguranças e contradições. É meio subjetivo. Pra mim ela surgiu desse turbilhão de emoções que foram potencializadas pela pandemia, com a empolgação de montar a banda nova e ver um futuro nisso, mas ela não é especificamente sobre isso”, conta.


O clipe mergulha de cabeça em uma atmosfera oitentista com muita originalidade e agregando elementos modernos e do cinema, sem deixar o conceito de lado principal.


"Desde o começo, a ideia do clipe era ter um ar nostálgico. A princípio imaginávamos abordar uma estética mais “disco music”, mas no decorrer da pré produção e desenvolvimento do roteiro, junto com o Raul Machado, acabamos escolhendo um caminho que abordasse referências que dialogassem mais com o tipo de som que a banda toca, também expandindo o horizonte para os anos 70, então acabamos pegando referências de filmes clássicos como “Laranja Mecânica” e “Warriors”, por exemplo. A locação teve uma contribuição imensa, o Clandestino tem toda uma atmosfera peculiar, casou bem com os figurinos e com a música”.



Os Roucos tem como integrantes Noel Rouco (guitarra e voz), Rodrigo Luminatti (baixo e voz) e Guto Gonzalez (bateria). A estreia do power trio aconteceu no ano passado, o que faz da trupe uma grande e recente aposta no mundo do rock. Noel comentou sobre a atual cena deste gênero que representa tanto no Brasil e do mundo:


“O underground sempre está fervilhando e repleto de lançamentos interessantes. O rock não depende do mainstrean para sobreviver, apesar de que quando está bombando no mainstrean, interfere no underground. Pegando como referência o começo dos anos 2000, várias bandas de rock, gringas e nacionais, estavam super em evidência. Isso refletiu no circuito alternativo. Várias bandas independentes se destacando, várias casas contratando shows de médio e pequeno porte por todo o Brasil. Agora estamos nessa retomada. Muitas casas menores fecharam. O rock não está tão em evidência quanto em um passado recente, mas ainda é muito forte. Acho que tem muita banda boa ainda desconhecida do grande público que está crescendo e as bandas que já são bem conhecidas também estão na pegada. Estou otimista sobre a cena atual”.