Jhimmy Feiches transforma paixões em som no álbum Bonito na Vida é Se Apaixonar
- Guilherme Moro

- há 34 minutos
- 3 min de leitura
Quantos amores se tem em uma vida? Para Jhimmy Feiches, a resposta não é simples e talvez nem precise ser. Entre encontros, despedidas e recomeços, o cantor amapaense transforma sua visão sobre o amor em matéria-prima por meio de "Bonito na Vida é Se Apaixonar", seu terceiro álbum de estúdio. Com sete faixas, o projeto percorre diferentes formas de se apaixonar, revelando experiências que transitam entre a intensidade, a leveza, o caos e a delicadeza. Lançado em blocos desde dezembro, o disco teve sua versão completa disponibilizada na última semana.
Com uma sonoridade que une pop experimental, elementos eletrônicos e referências amazônicas, o álbum reforça a ideia central de que, mesmo em meio às incertezas e aos ciclos emocionais da vida, se apaixonar continua sendo um gesto essencial. A natureza surge como elemento simbólico ao longo do projeto, ajudando a traduzir esses processos internos.
“Eu costumo tentar ter controle sobre tudo, o que para esse álbum acabou não funcionando. Então eu precisei contar com a percepção de outras pessoas para fazer esse pop experimental e também ser universal. A participação de outros produtores e compositores acabou sendo essencial para que a gente tivesse uma tracklist que passasse por diversos estilos e não perdesse a essência de música pop que eu tenho em mente”, analisou o artista.

O processo colaborativo começou de forma orgânica. Acostumado a trabalhar com um único produtor em Macapá, Jhimmy viu seu universo criativo se expandir a partir de encontros ao longo de 2025. Uma visita da equipe da Da House à capital amapaense, durante a gravação de um documentário sobre cultura local, abriu novas conexões.
“A gente acabou se conhecendo no contexto artístico e tudo mais”, relembra. A partir dali, surgiram trocas com nomes como Felipe Poeta, Felipe Barros e outros produtores ligados à Da House, culminando em sessões coletivas no Rio de Janeiro. “Juntou todo mundo, conversei sobre as músicas que eu estava propondo fazer e fiz o convite para a galera. A escolha desses produtores acabou sendo muito natural. São pessoas que eu conheci, tive uma troca, virei amigo”.
Essa diversidade de olhares também se reflete na identidade sonora do álbum. Embora dialogue com ritmos e símbolos da Amazônia, Bonito na Vida é Se Apaixonar busca ir além do que o artista já havia feito anteriormente.
“Nesse álbum eu quis propor algo diferente do tradicional mapoense que eu já fazia. Eu queria, claro, referenciar isso nas letras, mas experimentar um pouco do que eu já ouço nas plataformas, do que eu vejo na TV. Eu quis que cada música fosse sonoramente completamente diferente da outra, que traduzisse essa experiência de se apaixonar durante a vida”.
As referências musicais ajudam a entender essa mistura. Jhimmy cita Michael Jackson como influência central desde a infância, mas também menciona nomes contemporâneos e diversos.
“Tem muito de Michael Jackson ali. Tem muito da Aurora, que é a minha cantora gringa favorita. Tem um pouco de Miley na cena também, que eu tenho gostado bastante, e um pouco de referência de Anitta”, enumera. Para o artista, o álbum representa ideias que ficaram guardadas por anos. “É uma junção de muitas coisas que eu pretendia fazer durante a vida e não podia, pela falta de experiência, pela falta de maturidade”.
O conceito do disco também se estende ao campo visual. Pela primeira vez, Jhimmy optou por estampar seu rosto nas capas e materiais de divulgação, rompendo com a tradição de usar apenas ilustrações.
“Eu não gostava muito da ideia de estampar uma capa de música com uma foto minha”, confessa. A mudança acompanha o espírito experimental do projeto. “Como eu estava propondo coisas diferentes no meu trabalho, senti que esse era o momento de experimentar coisas diferentes também na forma de divulgar.”
Lançado pela Universal Music, Bonito na Vida é Se Apaixonar marca também um novo momento na carreira do artista. Em um cenário em que muitos músicos optam pela independência, Jhimmy reflete sobre o papel das gravadoras hoje.
“Ser completamente independente é ter o controle de tudo, mas, em contraponto, a gente não consegue fazer a música chegar além dos nossos pais, dos nossos vizinhos”, pondera. Para ele, o suporte de uma major amplia horizontes sem comprometer a identidade artística. “Ter um trabalho lançado pela Universal me proporciona essa experiência de fazer o som chegar a outras pessoas, com minhas ideias, minha sonoridade e minha identidade sendo respeitadas”.








