• Guilherme Moro

Entrevista: DJ Meme revigora pérolas da música com remixes incríveis no álbum "Clássicos Reboot"

Na última sexta-feira (11), DJ Meme lançou uma de suas melhores e mais grandiosas obras até aqui: o álbum de remixes "Clássicos Reboot Vol.1", em que o produtor apresenta clássicos do acervo da gravadora Unversal Music, em versões estendidas e agregadoras.



Meme escolheu a dedo 10 faixas que marcaram a história da música brasileira para compor este projeto, que é não foi feito para as pistas de dança, mas sim para ser apreciado pelo público, que é surpreendido com versões arrebatadoras.


Um projeto primoroso e histórico como este não poderia ser lançado somente como um álbum qualquer. Justamente por isso, em breve será lançada uma série de vídeos documentais com entrevistas com os artistas e seus produtores, conduzidas pelo próprio Memê e por Charles Gavin.



Cada capítulo abordará uma música e já estão confirmados episódios com Ed Motta, Paralamas, Dalto e Lady Zu.


Outra novidade é que o álbum está nos planos da gravadora para ser lançado em vinil, com toda pompa que merece: no formato caixa, para colecionadores.


Veja a TRACKLIST:

Ed Motta - Daqui pro Méier (DJ Meme Disco Mix) 7:50

Marina Lima - Fullgás (DJ Meme & Facchinetti Remix) 6:57

Dalto - Pessoa (DJ Meme Extended Remix) 8:52

Caetano Veloso - Quero Um Baby Seu (DJ Meme 12” Disco Mix) 7:04

Maria Bethania - Cheiro de Amor (DJ Meme Sexy Rework) 4:14

Gonzaguinha - O Lindo lago do Amor (DJ Meme Remix) 8:58

Paralamas do Sucesso - Óculos (DJ Meme Re-Vision '22) 5:35

Rita Lee - Lança Perfume (DJ Meme Definitive Remix) 9:51

Lady Zu - A Noite Vai Chegar (DJ Meme Dancin' Days Mix) 5:42

Vinicius Cantuária - Só Voce (DJ Meme Remix) 5:22


De forma exclusiva, Meme concedeu entrevista ao Blog Música Boa, onde falou sobre cada detalhe do projeto.


Meme, me diz uma coisa: como foi ter passe livre para poder revirar todo o acervo incrível da Universal? Como este material estava guardado?


Você quer saber a verdade? Eu inventei este projeto só para poder mexer nos acervos da Universal Music (risos). Brincadeira! Eu já sabia que a Universal é uma junção que engloba a Polygram e a EMI. O acervo estava muito bem cuidado e não havia problema em nenhuma fita. A transição da fita pro digital foi feita de forma primorosa e ali começa o sucesso do disco, pois a qualidade foi muito acima da média.


Como sugiu a ideia de convidar Charles Gavin para participar da série?


O Charles é um profundo conhecedor de música e um amigo que tenho há muito tempo. Eu mostrei o disco pra ele, que ficou 'besta' com o resultado. Eu queria uma pessoa que agregasse na entrevista e também fosse um bom entrevistado e ele caiu como uma luva. O mais legal é ver o Charles sentado com Os Paralamas, conversando sobre diversos assuntos e os caras são amigos há 40 anos. É um plus que nenhum dinheiro compra. Era pra ser um documentário, mas julgamos que a série dedicada à cada uma das faixas era o ideal.


De que forma foi concebida a ideia e concepção dp projeto de um modo geral? Foi difícil escolher o repertório?


Eu descobri que tinha as linhas de voz separadas de 'Fullgás' e comecei a brincar fazendo um remix que eu fui repassando para outros DJs. Com isso, surgiu a ideia de fazer o disco e eu comecei escolher as músicas assim como um DJ escolhe a próxima da pista. Tem duas pessoas com quem, durante o processo de escolha, eu bati bola, que foram os DJs Zé Pedro e o Marky, que entendem demais de música brasileira e foram uma espécie de embaixadores deste trabalho. Foi uma escolha de DJs, para o público.


Saindo um pouco do álbum "Clássicos Reboot Vol.1",em 1998 o Barão Vermelho lançou o álbum "Puro Êxtase", que tinha uma sonoridade eletrônica e você foi um dos produtores. Como aconteceu esse convite e como foi o processo de produção deste CD?


Eu estava no estúdio Mega, produzindo o disco do Gabriel, o Pensador, que tem clásscos como 'Maresia', 'Cachimbo da Paz' e '2345MEIA78'. Neste disco, o Barão gravou uma das faixas com a gente e foi então que o Frejat me ligou e a minha primeira reação foi dizer que eu não era um produtor de rock and roll. Foi então que ele me explicou a ideia era fazer coisas diferentes e agregar a música eletrônica ao rock. Aquele disco é exatamente isso.


Você foi um dos pioneiros das remixagens no Brasil, quando tudo era feito de forma analógica. Como a tecnologia foi ajudando neste processo com o passar dos anos?


"Sempre foi um processo prazeroso. Lá no início, era mais demorado, porque passávamos dias buscando timbres e hoje pra achar um determinado som eu demoro no máximo 10 minutos. Existem coisas que eu faço de forma muito mais rápida. Neste disco eu uni o melhor dos dois mundos".