• Guilherme Moro

Entrevista com Rodrigo Suricato, vocalista do Barão Vermelho e representante do novo rock nacional

Em agosto, Rodrigo Suricato fez live na qual reuniu as principais canções dos três discos anteriores, compostos e idealizados pelo artista. O resultado desta performance pode ser conferido pelo público em todas as plataformas digitais. Confira nesta completa entrevista, mais detalhes sobre esse novo trabalho e toda a trajetória do músico carioca:


Blog Música Boa

A live realizada por você, em agosto, gerou um novo EP já disponível em todas as plataformas digitais. Você acha que com esse novo formato de lives aumenta a facilidade de o artista lançar EP’s, Clipes e DVD’s, reaproveitando esse material que é captado com qualidade?


Rodrigo Suricato

Sim. A gente vive um momento em que fazer arte se confunde com geração de conteúdo. Isso é ruim, mas abre novos canais de comunicação. Não tenho mais apego ou super proteção em relação ao que faço pela extinção do formato físico, mas tento fazer tudo bem feito ainda.


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O EP leva o nome de “One Man Band”. Esse formato é muito explorado por você já há alguns anos. Como fazer para reinventar a cada ano essa maneira peculiar e interessante de acrescentar elementos nas canções?


Rodrigo Suricato

Fiquei obsessivo com o formato. Como a performance depende só de mim, eu sei exatamente aonde posso chegar. Se confunde com minha lapidação humana. Acho que fechei um ciclo bonito de pesquisa. Pra quem? Pra mim. Preciso seguir interessado, pois em música é muito fácil ficarmos dormentes e desestimulados. Sem falsa modéstia, estou muito orgulhoso do formato e do som.



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Só neste ano de 2020 você lançou três discos e dois singles. Esse tempo sem shows fez com que pudesse tirar todas suas ideias musicais do papel? Como está sendo trabalhar com restrições causadas pela pandemia?


Rodrigo Suricato

O momento inicial foi terrível, mas acho que perdi o medo de tentar arrebentar a cada trabalho. Estou mais livre sem essa pressão e tudo fluiu esse ano. Foi meu melhor ano criativo. Acho que estou mais sensível também. Sentir o mundo vivendo o mesmo relógio e dilemas, me devolveu a urgência de humanidade.


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Em entrevista ao canal “Custom Shop Brasil”, você afirmou que nasceu guitarrista e se tornou compositor por vontade própria. Como é feito o seu processo de composição? Você parte de uma inspiração momentânea ou trabalha com um tema pré-definido?



Rodrigo Suricato

Ainda não tenho um método ou temas definidos. Sou bom de melodia, mas minhas letras demoram mais que gostaria. Estou muito interessado em compor com outras pessoas. Acho que agora sim consigo fazê-lo de um jeito mais colaborativo.


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A Suricato nasceu em 2009, mas ganhou projeção nacional após participar do programa “SuperStar” da Rede Globo. Qual a importância disto para a banda e na sua carreira em geral?


Rodrigo Suricato

A Tv foi o amplificador de todas as gerações anteriores. A minha não contou com isso e a única janela que se abriu eu aproveitei bem. Foi uma fenda no tempo no exato momento que estava mais preparado e com coisas a dizer.


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Uma das grandes buscas de um guitarrista é definir e encontrar suas características e timbres no instrumento. Como você conseguiu encontrar o som que tem a sua cara na guitarra?


Rodrigo Suricato

Acreditei nas minhas imperfeições na mesma proporção daquilo que domino com facilidade. Digo sempre que ser um especialista em algo é mais interessante de ser nota 7 em tudo. Nando Reis, por exemplo, é um dos nossos guitarristas mais expressivos e fez tantos riffs inesquecíveis ao violão quanto Frejat no Barão. Acho mesmo que a assinatura se define na escassez de alguns recursos.


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Você foi guitarrista da banda fixa do “The Voice Brasil” durante a primeira temporada e por muito tempo tocou em bares da cidade do Rio de Janeiro. Como essas experiências, dentre tantas outras que você já passou, te agregam na sua carreira como instrumentista e vocalista?


Rodrigo Suricato

Toda experiência é rica e tenho a sorte e azar de não ter pulado degraus. Passei por quase tudo na profissão e percebi que a felicidade está em todos esses momentos.


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Você entrou para o Barão Vermelho no início de 2017. Como foi feito esse convite e qual foi sua reação naquele momento?


Rodrigo Suricato

Tinha excursionado com Maurício Barros num grande projeto e nos tornamos amigos. Adoro ele. Quando surgiu a vaga eu fui o nome mais cotado e quando me ligou aceitei prontamente quando soube que conciliaria minha carreira solo junto à banda.


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O Barão teve em toda sua história dois ícones do mais alto escalão do rock brasileiro como vocalistas. Você sentiu alguma pressão de maneira geral ao substituir Cazuza e Frejat?


Rodrigo Suricato

Inicialmente não liguei pois sabia que me sairia bem como intérprete. Depois fiquei mal com um comentário aqui e acolá. Meu maior receio estava em dar ou não liga nas novas composições. Deu certo.


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A Suricato é uma banda com muita diversidade de instrumentos e com muitas texturas e elementos em suas canções. O Barão é uma banda com uma sonoridade onde o rock and roll mais clássico e a guitarra distorcida são o principais elos do som. Como conciliar essas duas bandas e unir elementos das duas, trazendo novas sonoridades para ambas?


Rodrigo Suricato

Eu venho da escola do Rock e isso facilita muito nossa comunicação. Ter entrado no Barão Vermelho com uma personalidade artística definida ajudou. No fim, a generosidade e o respeito acabam guiando a mistura.


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Em 2015, o álbum “Sol-te”, da Suricato, ganhou o Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum Brasileiro de Rock. Em entrevista ao GSHOW, você afirmou que esse troféu foi resultado de três fatores: tempo, paciência e busca. Cinco anos depois , como você avalia esse prêmio e qual a importância dele na sua carreira?


Rodrigo Suricato

O prêmio e a mais recente indicação são definidores no sentido de validação do que acredito. A gente se sente um pouco menos maluco. É um prêmio que não muda a carreira de ninguém, mas é muito prazeroso de receber. Continuo acreditando nos mesmos fatores que você bem lembrou.


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O seu álbum solo “Na Mão Das Flores”, foi também indicado para o Grammy em 2020. Ele foi todo composto, tocado e arranjado por você. Ter um trabalho tão pessoal, quase autobiográfico como esse, indicado para o maior prêmio que um músico pode ter, tem um gostinho a mais?


Rodrigo Suricato

Nesse caso foi ainda mais especial, pois quando me desfiz do formato banda do meu trabalho solo vivi momentos muito difíceis. Perdi fã e fui acusado de um monte de coisa sem sentido onde as pessoas não fazem ideia do que se passava ali dentro. Voltei 5 casas pra trás e novamente a mesma indicação. Me trouxe uma confiança insuportável em mim mesmo, mas que não fere ninguém. Estava precisando disso e chorei uma tarde inteira de fazer careta.


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No ano passado, o Barão lançou o álbum “Viva”, após 15 anos sem um trabalho inteiro de músicas inéditas. Como foi o processo de composição desse álbum? De que maneira você pôde acrescentar suas características na banda, sem que ela perdesse elementos que a consagraram?


Rodrigo Suricato

Eu curto música feliz, mesmo a vida não sendo assim o tempo todo. O disco tem um astral que há muito não se via no grupo. Não sou um cara que precisa incluir um riff de guitarra em todas minhas composições e acho que isso trouxe algo mais pop pro grupo. Sou muito fã da banda e tenho orgulho de entrar na discografia com um disco potente e nada saudosista em sonoridade e discurso.


Blog Música Boa

Obrigado pela entrevista, Rodrigo! Foi demais.


Rodrigo Suricato

Muito obrigado pelo espaço e pelas perguntas atentas.

 

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