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Entre o Brasil e a Irlanda: Vicka revisita “Entre a Calma e a Loucura” a partir de uma trajetória em transformação

  • Foto do escritor: Guilherme Moro
    Guilherme Moro
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

A mudança de país pode reorganizar a rotina, os pensamentos e a forma com que um artista se expressa e cria suas canções. É nesse ponto de inflexão que Vicka apresenta o EP acústico de “Entre a Calma e a Loucura”, revisitando cinco faixas de um trabalho que nasceu no Brasil e chegou até as plataformas digitais em novembro de 2025, mas que agora ganha novos contornos a partir da experiência em Dublin, na Irlanda, onde ela está radicada.


Viver fora do país se tornou parte central desse processo. Há cerca de um ano em Dublin, Vicka descreve a experiência como um movimento consciente de ruptura.


“Tem muitos desafios. Aqui tem a barreira da linguagem, da comunicação. Pra mim ainda é um grande desafio morar aqui, mas agora estou mais familiarizada. Vai fazer um ano que eu tomei a decisão de vir pra cá, e a ideia foi justamente me desafiar, principalmente nessa parte da comunicação. Eu já conheci muitos artistas aqui, não só da Irlanda, mas da Itália, da Espanha, da América Latina. É um lugar muito cultural, muito receptivo pra músicos. A música de rua faz parte da cultura local, é extremamente regulamentada, organizada, e muita gente vem pra cá com a intenção de tocar, de levar sua música”, concluiu.


O reencontro com as próprias canções


É nesse contexto que surge a ideia de revisitar “Entre a Calma e a Loucura”. O álbum, gravado em 2024 em São Paulo, pertence a um outro momento da artista anterior à mudança.


A influência do novo território aparece de forma concreta na sonoridade. O EP incorpora o mandolim aos arranjos, criando uma ponte direta com a música folk presente no cotidiano irlandês.


“Eu decidi colocar o elemento do mandolim nas músicas, trazer essa melodia. Foi muito interessante fazer essa junção e reconectar com a essência das canções, mas ao mesmo tempo acrescentar algo novo. O mandolim abriu espaço pra nuances que antes não estavam tão evidentes”, concluiu.

Da estrutura à autonomia

Antes da mudança, a trajetória de Vicka passou por experiências dentro da indústria musical brasileira, incluindo a atuação na gravadora Midas, do renomado produtor musical Rick Bonadio, etapa que, segundo ela, foi fundamental para sua formação.


“Quando eu entrei na gravadora, eu não tinha experiência nenhuma. Então aprendi muito desde o processo artístico até o técnico e o burocrático. Foi uma grande escola, eu tive contato com profissionais excelentes, músicos, produtores. Hoje eu estou independente e sinto que tenho mais liberdade criativa. Além disso, tenho mais maturidade pra entender o que eu quero falar e onde eu quero chegar. Talvez naquela época eu precisasse de mais direcionamento, mas agora eu tenho uma visão mais clara do meu caminho”, finalizou.

O encontro com Oswaldo Montenegro


Outro ponto marcante da trajetória foi o projeto ao lado de Oswaldo Montenegro, que surgiu de forma inesperada e teve impacto direto na forma como a artista enxerga o fazer musical.


“Eu gravei uma versão de uma música dele e postei, fazia parte de um concurso. Eu fui escolhida pelos jurados e a gente gravou um projeto juntos. Foi uma experiência surreal. A gente gravou no apartamento dele, num home studio, e isso foi muito marcante pra mim. Às vezes a gente idealiza algo muito grande, um estúdio gigantesco, mas foi tudo muito simples, com muito bom gosto. Isso me fez entender que, muitas vezes, a gente não precisa de tanto pra fazer algo consistente”, relembrou.

Entre a pessoa e a artista

Se o EP acústico aponta para uma mudança estética, ele também evidencia uma transformação mais profunda: a relação entre vida pessoal e criação.


“É complicado conciliar tudo vida pessoal, vida artística. São muitas facetas, e a gente tem que aprender a lidar com isso. O artista não é artista o tempo inteiro, existe uma pessoa por trás da música.”

Essa percepção orienta o novo momento da cantora, que busca integrar essas camadas em sua produção. Eu tento trazer essa sensibilidade pra minha música, trazer quem eu sou pra dentro do que eu faço. Acho que esse é o grande desafio”.


 
 
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