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Festival da Lua Cheia espera público de 700 cidades e 15 estados em edição com BaianaSystem e Mano Brown

  • Foto do escritor: Guilherme Moro
    Guilherme Moro
  • há 51 minutos
  • 4 min de leitura

Faltando menos de uma semana para a realização da 34ª edição do Festival da Lua Cheia, o evento se prepara para receber um público de 15 estados e mais de 700 cidades brasileiras em uma imersão cultural de quatro dias no Hotel Fazenda Vale das Grutas, em Altinópolis, no interior de São Paulo. Consolidado como um dos encontros mais tradicionais da música independente no país, o festival acontece entre os dias 4 e 7 de junho, com mais de 40 atrações musicais, 80 horas de shows e cerca de 200 oficinas gratuitas.

Foto aérea da estrutura do festival montada no Hotel Fazenda Vale das Grutas (Crédito: Divulgação)
Foto aérea da estrutura do festival montada no Hotel Fazenda Vale das Grutas (Crédito: Divulgação)

À frente da organização está o diretor Mikhael Nakad e também responsável pelo Grupo Usina, empresa que administra o evento desde 2016. Ao Música Boa, ele destacou o crescimento da estrutura, os desafios do mercado de festivais e a preocupação em renovar o público sem perder a essência construída ao longo de quatro décadas.


“O Geraldo Azevedo disse em 2022 que o Festival da Lua Cheia era o Woodstock brasileiro. Eu diria que ele é, mas com mais organização e profissionalismo, sem perder sua principal característica: a imersão, em que as pessoas vivem em uma fazenda durante quatro noites”, explicou.


O line-up deste ano reúne nomes como BaianaSystem, Mano Brown, Céu, Zeca Baleiro, Melly, Braza, Chico Chico, Lamparina, Maneva e Russo Passapusso. A proposta é conectar diferentes gerações e linguagens da música brasileira contemporânea.


De festa entre amigos a referência nacional


A trajetória do Festival da Lua Cheia começou como uma simples festa junina entre amigos. O crescimento do evento e suas estratégias de posicionamento no mercado cultural viraram tema de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) voltado à gestão e marketing do festival.

O estudo aponta que, ao longo das últimas décadas, o evento deixou de ser um encontro regional de pequeno porte para se consolidar como um dos maiores festivais multiculturais do Brasil. Segundo Mikhael Nakad, o Festival da Lua Cheia passou por uma transformação significativa nos últimos anos. O Grupo Usina começou a atuar na produção em 2016, inicialmente em uma co-produção ao lado de Edgard, fundador do evento e proprietário da fazenda onde o festival é realizado.


“O festival passou da transformação de ser uma festa junina entre amigos para virar um evento em que um convidava o outro, até chegarem as bandas de renome nacional e depois começa a se profissionalizar com a nossa entrada”, explicou.


Evento reúne milhares de pessoas em quatro dias de imersão cultural (Crédito: Pedro Fatore)
Evento reúne milhares de pessoas em quatro dias de imersão cultural (Crédito: Pedro Fatore)

A partir da reformulação, o evento ganhou novos formatos e ampliou sua duração. A mudança do nome (antes era chamado Forró da Lua Cheia) permitiu que o festival atraísse público de diferentes regiões do país.


“Além da mudança do nome, aumentamos o número de dias dos festivais, propiciando que pessoas de outros estados pudessem vir ao evento. Nosso público hoje está em 15 estados diferentes e mais de 700 cidades espalhadas pelo país. Tem gente que vai andar mais de 1.200 quilômetros para vir.”


Curadoria busca fugir da “mesmice”


Com seis palcos espalhados pela fazenda e programação durante praticamente todo o dia, a construção do line-up é um dos principais desafios da organização. Mikhael afirma que o festival tenta equilibrar pedidos do público, identidade artística e novidades.


“É super difícil montar um line-up para quatro dias de evento. A gente tem que pensar, claro, no nosso gosto pessoal, mas principalmente com o que o público pede.”

Mano Brown é um dos headliners do festival (Crédito: Pedro Dimitrow)
Mano Brown é um dos headliners do festival (Crédito: Pedro Dimitrow)

Entre os nomes mais aguardados da edição está o BaianaSystem, apontado por ele como a atração mais solicitada pelo público nos últimos anos.


“A banda mais pedida do festival sempre foi o BaianaSystem, que não estava no line-up, mas encontramos uma oportunidade de trazê-los para agradar o nosso público.”


Mesmo sem participar diretamente do grupo de curadoria, o diretor afirma manter contato constante com pessoas ligadas ao universo musical e frequentadores do evento.


“Nossa intenção é sair da mesmice dos festivais que vão sempre às mesmas bandas e, claro, proporcionar alegria para o nosso público, com um pouco de gosto pessoal, utilizando a nossa assinatura.”


Estrutura transforma fazenda em “cidade temporária”


Além da programação musical, o Festival da Lua Cheia conta com camping, áreas de convivência, oficinas, programação infantil, intervenções artísticas e atividades voltadas ao bem-estar e à conexão com a natureza.


Oficinas culturais ocorrem dentro do evento (Crédito: Pedro Fatore)
Oficinas culturais ocorrem dentro do evento (Crédito: Pedro Fatore)

Para Mikhael, o maior desafio operacional está justamente em criar uma estrutura capaz de receber milhares de pessoas em uma área afastada dos grandes centros urbanos.


“Temos que preparar uma cidade dentro de uma fazenda e a cidade também, Altinópolis, que é um município com 16 mil habitantes. É um desafio complexo, mas já está praticamente superado, muito por conta da parceria de longo prazo com os fornecedores que nos atendem há muito tempo.”


Mercado de eventos ainda enfrenta reflexos da pandemia


Apesar do crescimento do festival, o diretor avalia que o setor de entretenimento ainda sente os impactos econômicos provocados pela pandemia, principalmente na relação entre custos de produção e valor dos ingressos. Segundo ele, muitos eventos dependem atualmente de modelos subsidiados para manter o acesso do público.


“O mercado ainda passa por uma transformação. Os reflexos da pandemia estão sendo sentidos mais agora do que na pandemia. Se a gente for colocar o preço do ingresso que deveria custar mesmo, a demanda cai. Estamos vivendo uma era de eventos subsidiados. Isso na economia como um todo. É uma situação complexa da economia do país, mas as pessoas precisam de entretenimento”.


Planejamento para 2027 já começou


Mesmo com a edição de 2026 prestes a começar, a organização já projeta o futuro do festival. O planejamento da próxima edição, segundo Mikhael, começa praticamente um ano antes.


“O Festival começa a ser construído um ano antes. Já estamos pensando em 2027, com lançamentos, atrações, melhoria de estrutura para o público e trazer mais gente para poder reciclar nosso público.”


Criado na década de 1980, o Festival da Lua Cheia busca agora equilibrar tradição e renovação para garantir a continuidade do evento nas próximas décadas.


“O evento existe desde a década de 1980 e essas pessoas em algum momento vão deixar de frequentar. Algumas já até pararam. Eu tenho que pensar em renovar esse público para que as pessoas tenham oportunidade de conhecer o evento e se apaixonarem”.

 
 
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