• Guilherme Moro

Conheça o "Rap do Interior" e os artistas com músicas autorais de Boa Esperança do Sul

Atualizado: 12 de ago. de 2020

O Funk e o RAP são estilos musicais que tiveram origem em periferias do Brasil e, mais do que nunca, são a voz da juventude brasileira. Esse cenário não é diferente na pequena cidade de Boa Esperança do Sul – SP, onde diversos artistas buscam seu lugar ao sol fazendo músicas autorais nesses dois gêneros. Conheça as histórias e os grandes sonhos desses artistas:


MC RM e o Sonho por Muito Tempo Esquecido



Ricardo Silva tem 18 anos e é mais conhecido como MC RM. O jovem decidiu se aventurar no mundo do funk há pouco tempo, com a ajuda de alguns amigos: “Meus amigos e familiares foram meus maiores incentivadores. Eu escrevia frases desde meus 13 anos. No começo eu tinha muita vergonha. Um dia eu criei coragem e comecei a postar as frases e foi então que as pessoas começaram a compartilhar. Eu decidi fazer uma música e tive a ajuda de um colega chamado Eduardo e com a ajuda de alguns amigos meus, gravei um vídeo cantando a música.”


Uma das maiores motivações para Ricardo seguir adiante, está dentro da própria casa: “O maior sonho de meu pai era ser cantor, mas ele nunca teve a oportunidade”. O pseudônimo “RM” vem do sobrenome Moreira, uma homenagem à seu pai. A música em parceria com MC John está prevista para ser lançada ainda esse mês.



MC John em Busca da Glória Máxima




João Victor Gonçalves é mais um artista boa-esperancense que sonha em chegar ao topo. Com três músicas lançadas em menos de um ano de carreira, o jovem cantor de 18 anos utiliza o nome artístico de MC John para lançar seus trabalhos e assinar suas composições. Desde pequeno, John já se demonstrava atraído pela música e fazia aulas de canto e violão. Por muito tempo o artista ficou sem cantar e esqueceu um pouco de suas raízes artísticas. Essa chama se reascendeu com brincadeiras entre amigos: “Eu gostava de fazer paródias ‘zoando’ a molecada e me distraindo com os amigos. Foi a partir disso que comecei a compor.”


Em uma roda de amigos, John cantou uma de suas composições e a canção logo caiu no gosto dos jovens que ali estavam. O que poucas pessoas sabem, é que John começou compondo canções de Trap e só depois rumou para o funk: “Quando eu decidi começar a cantar, eu escolhi o funk. É um estilo que eu gosto muito e, querendo ou não, é o gênero onde é mais rápido e fácil de fazer sucesso hoje em dia.”


Com muitos sonhos, João tem como maior deles lançar uma música em alguma das grandes produtoras do Brasil e viver apenas de música. Buscar apoiadores que acreditem em seu projeto musical é algo que John vem buscando nos últimos meses. Outra meta do artista é gravar o seu primeiro videoclipe, ainda este ano.


Apesar de ser o foco, o MC não quer se limitar ao funk e pretende fazer uma mescla com o Rap Acústico, que é outro segmento de grande apelo comercial entre os jovens.



Victor Santos, o Idealizador do "Interior do Rap"



Utilizando a internet como principal ferramenta e com o intuito de dar voz aos artistas que fazem Rap na região, Victor Santos criou o projeto “Interior do Rap”, que busca dar oportunidades à artistas da cena Rap interiorana. O fotógrafo de 24 anos é mais conhecido como Zé Victor e contou com detalhes de onde surgiu a ideia para a criação do projeto: “Eu vejo muitos colegas meus que fazem Rap e acabam não tendo oportunidades na região. Muitas vezes eles têm que ir para a capital, mas não conseguem ficar por não ter onde morar. Com isso, eles vão ficando para trás e muitos talentos são desperdiçados.”


Já com um clipe produzido e uma live realizada, o projeto vem alcançando os objetivos e também abraça outros gêneros musicais: “O intuito é dar visibilidade e abraçar toda a cena. Um exemplo disso é o MC Chumbão. Ele canta funk e cantou um som autoral na nossa live. Nós já estamos pensando na gravação de um clipe e programando a identidade visual dele.” Futuramente, Victor pretende gerar empregos e cultura em geral na cidade, como shows e exposições .


Victor é também o criador de toda a identidade visual do projeto, que foi elaborada de maneira simples e direta, visando futuramente uma divulgação fora da internet. Apesar de ser uma ideia criada individualmente, hoje diversas pessoas já fazem parte do projeto, colaborando diretamente ou indiretamente: “Andrei e o Erick já cantavam fazia tempo e o Robinho nos ajuda muito nos bastidores. Parceiros que quiserem fazer algo, estamos a disposição. Sempre ajudando um ao outro, de uma maneira que fique legal para todos.”



"Rap é Compromisso" na Voz e nos Beats de KVXRA



Andrei Barbosa tem 19 anos e é um artista extremamente versátil e original, tendo como grandes influências artistas e grupos como Eduardo Taddeo (Facção Central), Racionais Mc's, Sabotage e A286. Ele cria os beats e faz as produções musicais, além de cantar e compor. Andrei já gravou várias músicas que estão disponibilizadas no YouTube e o próprio vê uma grande evolução em suas músicas e composições: “Eu creio que por ser totalmente independente, houve uma evolução do primeiro lançamento ao que vem sendo postando hoje em dia, tanto nas letras quanto nos beats. Sou versátil e não gosto de ficar na mesma coisa, você percebe isso ouvindo as minhas músicas.”


Andrei carrega o nome artístico de KVXRA e falou um pouco de onde surgiu essa identificação com o Rap: “Particularmente eu sempre gostei de ouvir Rap. É um ritmo que eu me identifico muito, tanto na letra quanto na batida. É como se falasse comigo. Tendo isso em mente, decidi começar a fazer rimas. Com 13 anos, eu escrevi um Rap falando de ouro, carros rebaixados e correntes. Tinha muita influência do Hungria Hip Hop. Passou o tempo, comecei a estudar o Rap, procurar as primeiras músicas e escutar muitos artistas antigos. Eu comecei a ouvir Rap, praticamente de trás pra frente, tendo como primeiro contato artistas contemporâneos e só depois me interessei e procurei contato com o passado do gênero."


Perguntado sobre preconceito, o artista conta que nunca foi discriminado por cantar Rap: “Particularmente, eu acho que nunca sofri preconceito por isso. Creio que a melhor forma de se lidar com isso é ignorar, ou socar a boca do individuo (risos)”.


KVXRA também faz parte do projeto “Interior do Rap”, que pretende trazer a Drill Music, em sua essência, para o interior paulista. Com muitos projetos em vista, Andrei pretende lançar um novo single e futuramente um álbum de inéditas. Para ele não só o Rap, mas a música em geral é inspiradora: “Tudo que soa bem, eu acredito que transmita alguma energia”.



A Chama do Rap Nunca se Apaga em RK MC




Erick é mais conhecido como RK e faz Rap desde seus 12 anos. O artista também é integrante do projeto “Interior do Rap”: “Eu comecei a me interessar pela música ouvindo Racionais Mc’s, SNJ e vários outros. O Andrei (KVXRA) e eu temos vários sons gravados e estamos até hoje nessa caminhada, graças a Deus”.


Antes de se encontrarem, KVXRA e RK tinham grupos separados e nenhum dos dois havia gravado ainda. Eles se conhecerem e começaram a conversar sobre Rap e as ideias bateram, logo de cara. RK contou como aconteceu esse encontro e de como esse projeto foi se desenvolvendo: “Nós tínhamos esses dois grupos, mas nenhum deles tinha projetos. Nós nos encontramos e fizemos acontecer. Poucas pessoas faziam esse som na cidade, nessa época. Estamos aí até hoje fazendo o movimento acontecer. Zé Victor é o responsável pelo áudio visual e era o que a gente precisava. Nós fazíamos o processo de maneira orgânica e nós só temos a agradecer quem vem fortalecendo o movimento do Rap. Futuramente, nós pretendemos lançar muitos clipes com a direção do Zé Victor e estamos investindo em equipamentos para melhorar nosso estúdio”.


Perguntado sobre a importância do Rap em sua vida, Erick relatou: “Eu não sei nem falar o que o Rap significa pra mim, é um sentimento muito grande. Ele está dentro de mim e nada vai me apagar essa chama”.


Ontem, no canal oficial de RK no YouTube, foi lançado o single “Trapstar”, mais uma entre as várias parcerias com seu parceiro KVXRA.


Mais do que estilos musicais, o Rap e o Funk são um estilo de vida. Com muita atitude, esses dois gêneros são os pilares de uma nova geração no país.


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