BALARA reflete sobre o poder da essência e os 20 anos de persistência no cenário independente
- Redação Blog Música Boa
- há 3 horas
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Em um bate-papo profundo sobre composição e propósito, o artista abre os bastidores do seu processo criativo, analisa o mercado atual e revela como a fé o manteve no caminho da arte.

Se os números astronômicos nas plataformas digitais mostram onde a música de BALARA chegou, é na intimidade do seu processo criativo que descobrimos de onde ela vem. Para Luccas Trevisani, o nome por trás do projeto, compor não é um ato mecânico ou uma fórmula matemática desenhada para viralizar nas redes sociais. É, antes de tudo, um exercício de escuta, tradução e, sobretudo, de verdade.
Em conversa exclusiva com o Blog Música Boa , o artista mergulhou fundo nas engrenagens de sua mente criativa. Afastando-se das métricas de sucesso, ele revelou como enxerga o atual cenário da música brasileira, explicou a origem de suas composições mais tocantes e relembrou as duas décadas de uma caminhada independente movida por uma fé inabalável nos próprios sonhos.
A Mente Como Antena e o Inventário de Ideias
Questionado sobre como costuma nascer uma canção — se pela letra, pela melodia ou por alguma experiência pessoal —, BALARA descreve um estado de atenção contínua. Para ele, o compositor nunca desliga; ele está sempre absorvendo o mundo ao seu redor.
"Minha mente funciona como uma antena que acessa várias frequências — sempre captando ideias, sensações e histórias", explica o músico. "Às vezes vem uma melodia, às vezes uma frase, às vezes uma emoção que ainda nem sei explicar direito… mas que pede pra virar música."
Em um mercado onde a pressa muitas vezes atropela a inspiração, ele adota um método meticuloso de preservação. Nenhuma faísca criativa é considerada inútil.
"Acho que o ponto mais relevante no meu processo criativo é o de não descartar ideias. Eu anoto e registro absolutamente tudo. Mesmo que sejam apenas palavras soltas, frases, melodias. Mesmo que eu ainda não saiba exatamente o que fazer com aquilo naquele momento. Esse inventário de ideias me ajuda a enriquecer minhas criações."
Essa conexão com o subconsciente é tão forte que ultrapassa o estado de vigília. BALARA revela que a inspiração, por vezes, assume o controle de forma quase mística.
"Já tive músicas que nasceram em sonhos. Acordei, gravei, escrevi… como se aquilo já estivesse pronto em algum lugar. No final, tudo passa por aquilo que eu vivo, sinto e acredito. Talvez por isso minhas músicas soem tão particulares — porque antes de qualquer coisa, elas são verdadeiras pra mim."
A Universalidade do Sentir e a "Primeira Régua"
É exatamente essa busca implacável pela verdade pessoal que explica a profunda conexão que o público estabelece com a sua obra. Quando questionado sobre o quanto de suas vivências pessoais acaba entrando nos versos, ele é categórico ao afirmar que não existe composição autêntica sem sentimento.
"Pra escrever com verdade é preciso sentir. Quase tudo que eu escrevo carrega alguma vivência", confessa. "Às vezes são histórias minhas. Outras vezes de pessoas próximas, ou distantes. Mas sempre é sobre algo que senti, vivi, absorvi ou observei."
A mágica da música, segundo o artista, reside no fato de que a dor, a alegria e a esperança não têm endereço fixo. Elas são inerentes à condição humana.
"Muitos sentimentos são universais. Quem nunca chorou, amou, perdeu, ganhou, sonhou, duvidou… Talvez seja por isso que as pessoas se conectam. Porque, mesmo sendo uma história específica, ela encontra algo que já existe dentro de quem escuta."
Na hora de compor, a balança entre a expressão pessoal e a expectativa do público encontra seu equilíbrio em um critério simples, mas rigoroso. BALARA é o seu próprio e mais exigente termômetro.
"Se não me toca, não vira música", decreta. "Minha primeira régua é o que aquela canção está provocando em mim. Se ela me emociona, me faz refletir, sentir algo de verdade… eu sei que ela pode fazer isso com outras pessoas também. Porque a conexão vem da verdade."
A Essência Acima da Estética no Cenário Atual
O atual cenário musical brasileiro vive um momento de efervescência, marcado por uma intensa mistura de gêneros, ritmos e estéticas visuais. Embora muitos artistas se percam na tentativa de seguir todas as tendências, BALARA enxerga esse movimento com maturidade, separando o que é embalagem do que é conteúdo.
"Eu vejo essa mistura de gêneros e estéticas como algo positivo e saudável. Mas, pra mim, o foco principal não é a forma — é o conteúdo", analisa. "Antes do estilo, vem a essência. Estilos são como moda: mudam o tempo todo. A essência fica."
Para ilustrar seu ponto de vista, o compositor recorre a uma metáfora contundente sobre a efemeridade do mercado.
"Misturar estilos é como trocar de roupa. A canção — letra e melodia — é a matéria-prima mais importante da indústria musical. É como a pessoa antes da maquiagem, das roupas, dos filtros. Se a essência da composição for forte, ela atravessa o tempo. Pode se vestir de diferentes formas e ainda assim fazer sentido, ser relevante. Caso contrário, vira só tendência passageira."
Em um tempo de sucessos descartáveis, sua ambição é criar algo que resista ao relógio. "O meu foco é criar canções com essência, não-perecíveis, que tenham força suficiente pra permanecer. Mas a verdade é que ninguém tem bola de cristal. E no final, é o tempo que mostra o que era só momento… e o que realmente veio pra ficar."
Para BALARA, a arte tem um propósito maior do que o entretenimento fugaz. É um legado, uma marca deixada no mundo. "Pra mim, viver de música foi exatamente isso: Tornar possível o que parecia impossível", conclui. "Eu acredito que música é algo que fica. Então, mais do que criar por criar, eu busco criar algo que faça bem — pra mim e pra quem escuta. Somos seres finitos. Um dia a gente parte, mas a música fica pra sempre."
Sobre BALARA
BALARA (acrônimo de Bem-viver, Amor, Liberdade, Afeto, Realização e Ascensão) é a identidade artística do cantor e compositor paulista Luccas Trevisani. Misturando a sensibilidade do Folk e da MPB com a energia do Pop Rock, o projeto iniciado em 2018 consolidou-se como uma das vozes mais autênticas da nova música brasileira.
Atualmente, BALARA vive seu momento de maior expansão digital. Com uma base fiel de fãs, o artista ultrapassa a marca de 650 mil ouvintes mensais no Spotify, reflexo de um crescimento orgânico e consistente. A ascensão de BALARA pode ser vista de acordo com os resultados do Spotify Wrapped 2025, que coroou um ano de expansão para o artista. Foram mais de 3,5 milhões de ouvintes, além de ter ultrapassado 22 milhões de streams e alcançado fãs em 164 países. No YouTube, seu canal soma milhões de visualizações, número que segue em ascensão impulsionado pela videografia de alta qualidade e pelo recente sucesso do single "Mais Além", colaboração com o duo MAR ABERTO que já ultrapassa meio milhão de plays nas plataformas.
A credibilidade de BALARA vai além dos números. Em 2024, o artista foi reconhecido pela ABMI (Associação Brasileira da Música Independente), recebendo três Discos de Ouro e dois de Prata. Sua excelência audiovisual também cruzou fronteiras, garantindo prêmios internacionais para o videoclipe de "Guarde na Mente".
Nos palcos, Balara já se apresentou ao lado de gigantes como Pitty, Vitor Kley, Lagum e Maneva. Sua música também encontrou espaço na televisão aberta, emplacando duas faixas como trilha de abertura do programa Mais Você (TV Globo). Agora, com o lançamento do projeto "Acusticamente", BALARA reafirma sua missão: transmitir, através de arranjos essenciais e letras inspiradoras, valores de amor, liberdade e propósito.
