“Abraços”: Astrônico explora ambiguidades e entrega seu trabalho mais maduro
- Guilherme Moro
- há 2 horas
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Quando usamos o substantivo “abraço”, quase sempre pensamos no gesto de afeto entre duas ou mais pessoas. Mas a palavra também encontra espaço nas despedidas. Afinal, quem nunca encerrou uma conversa com um simples e significativo “abraço”? A banda Astrônico explora com precisão as ambiguidades da palavra que ganha plural e batiza o segundo EP da carreira, disponível nas plataformas digitais desde janeiro. As quatro faixas que compõem o projeto funcionam como uma avalanche de desabafos e sentimentos dos letristas, mas também carregam um ar de despedida: é que a formação atual deve passar por mudanças nos próximos meses.
De longe o trabalho mais elaborado do trio desde a estreia em 2022 com o EP "Infraluzes", "Abraços" explora novas abordagens nas letras sem deixar de lado os tons confessional e melancólico que caracterizam o grupo.
"Aquele Mel" é a música responsável por abrir o EP e traz consigo o lado mais irônico do grupo, já mostrado em lançamentos anteriores como o single "Calango". Ela é a faixa mais dançante e bem-humorada do projeto e convence do início ao fim com uma levada que contagia. "Espelhoscópio" já era presença constante nos shows da Astrônico antes mesmo de ser gravada, enquanto "Enoquiano" pode ser considerada a mais chiclete do EP, se é que assim posso categorizar. "Indigestos Fatos" encerra a obra de forma minimalista e é um lamento pessoal sem máscara alguma. Talvez seja a faixa mais corajosa. Fato é que o grupo atingiu uma nova fase com "Abraços", que demorou para sair, mas cumpriu expectativas e, aparantemente, colocou um ponto final em uma das fases do grupo. Que possamos acompanhar os próximos passos da Astrônico.

