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  • Foto do escritorGuilherme Moro

Entrevista: Saulo Xacol, baixista da Noturnall, fala sobre novo álbum e turnê internacional

A Noturnall apresenta em novembro a turnê do álbum Cosmic Redemption, que terá sua primeira parada em terras britânicas, novamente ao lado da lenda Paul Di’anno e dos amigos da Electric Gypsy, a excursão está prevista para os meses de novembro e dezembro de 2023.



A tour já está confirmada em todos os países da Grã-Bretanha: Escócia, País de Gales e Inglaterra. Mas não para por aí, a caravana ainda seguirá pela Europa e deve ter datas de sua continuação anunciadas ainda nos próximos dias.


Saulo Xacol, baixista da banda desde 2018, cedeu entrevista exclusiva falando sobre o Blog Música Boa, falando sobre o novo álbum e as expectativas para a nova turnê.


Blog Música Boa

O mais novo trabalho da banda, Cosmic Redemption (2023), é composto por 10 faixas, mas foi a canção com participação de Ney Matogrosso, “O Tempo Não Para”, que ganhou um destaque especial nas plataformas de streaming, superando oitenta mil reproduções no Spotify até o momento. Por que vocês acham que uma música que foge à tradicionalidade do metal, trazendo referências de outros gêneros, como a MPB, foi tão abraçada pelo público?

Saulo Xakol

Esta música realmente está sendo um grande sucesso. Já são mais de 100 mil reproduções no Spotify e 350 mil visualizações do clipe no YouTube. E esse sucesso não se limita às plataformas de streaming. Essa música também tem sido o ponto alto dos nossos shows no Brasil, com a plateia cantando a letra toda e criando um clima especial com as lanternas dos celulares, enquanto o Thiago desce do palco, canta no meio das pessoas e empresta o microfone a elas. “O Tempo Não Para” é um hino do rock nacional dos anos 80, com uma letra que permanece muito atual, com a qual os brasileiros ainda se identificam muito. Como representantes de uma nova geração do metal e do rock brasileiro, precisamos manter viva a lembrança dos ídolos do passado, que viveram em uma época ainda mais complicada e que lutaram contra todos os tipos de preconceito. Sua memória, assim como as letras que escreveram, sobrevivem à prova do tempo para mostrar que muito mudou, mas muito continua igual. O clipe foi filmado no belíssimo “Museu do Amanhã” no Rio de Janeiro, fazendo uma referência ao trecho da música que fala “eu vejo o futuro repetir o passado”.



Blog Música Boa

Com um álbum lançadorecentemente, quais são os planos da banda para futuras apresentações?


Saulo Xakol

Nosso grande objetivo de uma turnê mundial está se concretizando. A turnê de suporte do disco “Cosmic Redemption” começou no primeiro semestre de 2023, com 33 shows, passando por 23 das 27 capitais brasileiras, incluindo todos os estados das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. A parte nacional da turnê continuará no primeiro semestre de 2024 com mais 50 shows pelo Brasil, incluindo Palmas, no Tocantins, um dos quatro estados pelos quais não passamos este ano. Em novembro de 2023, já temos 11 datas confirmadas em uma gira pelo Reino Unido, que se estenderá pelo resto da Europa, em cidades que anunciaremos em breve. Também estão em fase de negociação shows na Austrália, Japão, Estados Unidos e América Central.


Blog Música Boa

O que mudou na cena de metal do país de 2014, ano do lançamento do Noturnall, primeiro álbum da banda, para o presente?


Saulo Xakol

Esta última década, não só na cena do metal, mas no mundo da música como um todo, nos trouxe uma grande montanha russa de acontecimentos e reviravoltas. A principal mudança foi a consolidação das plataformas de streaming como o meio mais utilizado para se ouvir música. Isso fez muitas pessoas decretarem que a morte definitiva da mídia física ocorreria em poucos anos e, de fato, a princípio as vendas de CDs tiveram uma queda brusca. Porém, testemunhamos a ressurreição do vinil, logo após seguida por um também reaquecimento do mercado de CDs, principalmente em nichos específicos como Rock e Heavy Metal. Isso é algo que presenciamos na prática em nossos shows. Falando em shows, os eventos de Metal também passaram por altos e baixos nesse tempo. A média de idade do público tem aumentado, a renovação dos fãs do estilo ocorre de maneira lenta e as novas gerações tendem a preferir assistir vídeos online do que ver as bandas ao vivo. Os eventos de metal, cuja média de público já vinha diminuindo, sofreu um golpe ainda mais forte: a pandemia. Aí tudo parou totalmente por dois anos. Nosso país é rico em bandas e músicos de muito talento, mas o público mais velho é resistente ao novo e prefere ouvir os clássicos que embalaram sua adolescência. No caso específico da cena brasileira, ainda é muito difícil para bandas além de Sepultura e Angra (e suas derivadas, também conhecidas como bandas do Angraverso) serem aceitas e expandirem seu alcance. E, por fim, ainda tivemos uma grande perda nesse universo, na cena e na música brasileira em geral, com o falecimento do nosso grande maestro Andre Matos, que este mês completou quatro anos.

Blog Música Boa

Como foi se apresentar na Rússia e o que o público de lá tem de diferente dos brasileiro?

Saulo Xakol

Foi uma experiência inestimável. Em alguns aspectos a Rússia parece outro planeta, mas em outros nos sentimos em casa, principalmente no contato com as pessoas. O povo russo ama o Brasil. Fomos muito bem recebidos por eles e fizemos muitos amigos. Também nos metemos em todo tipo de enrascadas, algumas por barreiras linguísticas, por não conhecer costumes, tradições e datas comemorativas locais e até questões de segurança que não imaginávamos. Tivemos equipamentos extraviados e avariados por companhias aéreas e até acontecimentos mais graves como ter um membro da nossa equipe sequestrado. São histórias que não caberiam aqui e quem sabe sejam suficientes para encher um livro, mas o importante é que no final tudo deu certo, toda a nossa equipe voltou sã e salva, trazendo memórias incríveis de lá. Nesta semana, nossa viagem para a Rússia também completa 4 anos e o resultado disso vocês podem conferir com os próprios olhos no DVD que gravamos lá e que está disponível integralmente no YouTube:



Como a pandemia impactou os trabalhos do Noturnall e quais foram os desafios de subir nos palcos após mais de dois anos?


Era início de março de 2020, havíamos recém chegado à Escandinávia e pouca gente imaginava que a Covid-19 tomaria aquelas proporções. Em um dia estávamos na Noruega empolgados com aquele que seria o primeiro show de uma extensa turnê na Europa e no dia seguinte, na Suécia, recebemos a notícia de que tudo seria interrompido por tempo indeterminado e teríamos que voltar para casa. Foi um período muito difícil pois, hoje em dia, os shows são a principal atividade de um artista. Perdemos nosso principal combustível: a interação com o público ao vivo e a energia que recebemos quando subimos no palco. As gravações do nosso disco também foram impactadas em virtude da dificuldade do deslocamento de alguns de nós ao estúdio da banda, o Estúdio Fusão. O que nos restou foi continuar trabalhando no álbum, aderindo à prática do “home office”, cada um da sua casa, com o foco em aprimorar ao máximo as composições. Nosso primeiro show em dois anos foi no início de 2022, quando fizemos uma apresentação no Teatro do SESC 24 de maio, em São Paulo. Os eventos estavam começando a ser liberados, porém ainda havia muitas restrições. Foi uma noite de jornada dupla, dois shows em sequência no mesmo local, com a lotação limitada em 50 pessoas. Além disso, também não pudemos contar com nosso então guitarrista americano Mike Orlando que, por causa das limitações em viagens internacionais, não conseguiu vir ao Brasil. Por outro lado, tivemos o prazer de reencontrar nosso grande amigo e guitarrista dos 3 primeiros discos do Noturnall, Leo Mancini. No meu caso particular, foi o primeiro show que pude fazer ao lado dele. Mais para frente consolidamos essa parceria e ele tem sido nosso guitarrista regular nas turnês atuais pelo Brasil. Um pouco depois, ainda em 2022, conseguimos voltar com força total, com a formação completa da banda e fazendo shows em todas as regiões do Brasil, em uma turnê com nossos amigos do Shaman. Foi muito bom poder reencontrar os fãs do país inteiro e sentirmos sua vibração e energia pessoalmente, um sentimento muito gratificante, revigorante e realizador, mas também com um pouco de alívio e sensação de retorno à normalidade.


Quais são as suas principais referências no metal para as gravações dos discos do Noturnall?


É difícil citar referências específicas, pois tentamos ter nosso próprio estilo, estar na vanguarda, buscar sempre algum tipo de inovação e reinvenção, tanto na parte musical, como também visual, em nossos clipes super produzidos e apresentações ao vivo, com telão sincronizado, lasers, pirotecnia, pole-dance, truques de mágica, ou ainda manobras mais ousadas e pioneiras, como entrada no palco de tirolesa, ou ser a primeira banda da América Latina a ter uma bateria que gira 360° ficando totalmente de cabeça para baixo. Sempre buscamos inovar e reinventar. Estamos sempre antenados ao que há de mais moderno no metal, tanto com bandas emergentes e em evidência no momento, como com os trabalhos mais atuais das bandas clássicas, sempre tentando igualar ou superar os padrões de qualidade estabelecidos por elas, tanto na parte de sonoridade como de produção. Para listar alguns exemplos, podemos citar bandas como Iron Maiden, Metallica, Megadeth, Slipknot, Rammstein, Ghost, DragonForce, Stratovarius, Hammerfall, Sabaton, Dream Theater, etc. Na parte de composição, criamos nossa música como forma de expressão artística, sem nos preocuparmos em rotular ou encaixar nosso som em uma estética pré-determinada. No álbum “Cosmic Redemption” temos músicas velozes que podem ser classificadas como Power Metal, como “Reset the Game” e a faixa título, “Cosmic Redemption”, temos a pesada “Scream! For!! Me!!!”, com o lendário baterista de Metal Progressivo, Mike Portnoy, “O Tempo Não Para”, cover em português fazendo um aceno à MPB a com participação do Ney Matogrosso, uma balada com violão e orquestra, “Shadows (Walking Through)”, um Heavy Metal mais clássico com a participação do ex-baixista do Megadeth, David Ellefson, na música “Take Control”, a música mais longa da discografia da banda, “Shallow Grave” com mais de 9 minutos, a progressiva e experimental “The Great Filter” e a versátil e moderna “Try Harder".


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