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  • Foto do escritorRodrigo Siqueira

O motivo pelo qual Mano Brown acha o álbum Sobrevivendo no Inferno "muito pesado"

Lançado em 1997, o “Sobrevivendo no Inferno” foi o segundo álbum de estúdio dos Racionais MC’s. Suas faixas impactantes são consideradas revolucionárias no contexto dos anos 90.


O disco vendeu mais de um milhão e meio de cópias. Em 2022 foi eleito como o 9° melhor álbum da música brasileira - participaram da votação 162 especialistas de áreas ligadas à produção musical, entre eles jornalistas, podcasters, músicos, produtores e youtubers.


Também foi lançado em 2018, o livro “Racionais MC’s – Sobrevivendo no Inferno”, a obra veio a se tornar leitura obrigatória do vestibular da Unicamp no ano de 2020.


Apesar do grande legado deixado, e ser considerado por muitos, como o maior disco dos Racionais, o próprio grupo contradiz essa teoria.


Devido ao contexto social da época, cargas emocionais, intertextualidade entre música e religião, o álbum é visto como "pesado" entre os integrantes do maior grupo de Rap do Brasil.


Nos anos 90, abordar temas políticos, como racismo, encarceramento em massa, repressão policial, desigualdade social e a vida dos jovens negros da periferia, era ainda mais difícil e desafiador. E foi exatamente isso que os quatros rapazes se propuseram a fazer.


Ainda é preciso relembrar que três acontecimentos impulsionaram a criação do disco: Massacre do Carandiru, Chacina da Candelária e Chacina no Vigário Geral.


Mano Brown, KL Jay, Edi Rock e Ice Blue, são de origens periféricas e testemunhar esses tipos de tragédia era parte do cotidiano.


Músicas marcantes do álbum retratam bem toda à violência presente naquele momento, podemos destacar algumas: Capítulo 4 Versículo 3, Diário de um Detento, Fórmula Mágica da paz, entre outras.


De fato, retratar toda aquela realidade em letras e músicas, não seria algo leve emocionalmente.


E ainda houve um "sincretismo" com as canções e passagens da Bíblia, criando uma visão de vida no inferno. A própria tipologia da capa do álbum faz essa função de intertextualidade.



Em um entrevista durante o Red Bull Music Academy, Festival São Paulo 2017, Mano Brow fala sua percepção do Sobrevivendo no Inferno.


Perguntado sobre como foi viver o disco na época, Brow respondeu:


"Foi o nome do disco, um inferno. Para quem já foi espiritualista, repetir uma parada muitas vezes acaba materializando. Esse disco foi muito pesado".


O líder do grupo ainda discorda que é o maior sucesso dos Racionais, talvez por essa carga fatigante que carregaram.


"Viver aquilo, é muito diferente de cantar aquilo. Aquelas coisas começaram a vir, chamar na radiação como diz na favela".


Legado


A complexidade desse álbum é tão grande quanto seu legado, suas músicas reverberam gerações após gerações. Há relatos afirmando que o Sobrevivendo no Inferno é a "bíblia" do rap nacional. Sua contribuição para a cena Hip-hop é imensurável.


Moradores de periferia e jovens negros, encontraram uma representatividade e identificação de movimento a partir dessas músicas, portas foram abertas para criar debates que antes tinham pouca atenção.

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