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Lucas Pretti transforma o pop em refúgio e aposta na brasilidade em "Disco Tropical"

  • Foto do escritor: Guilherme Moro
    Guilherme Moro
  • há 5 minutos
  • 3 min de leitura

Lucas Pretti inicia um novo capítulo da carreira com "Disco Tropical". O nome já diz tudo. O álbum, que ainda será lançado, aposta na leveza, na influência da música brasileira e em uma sonoridade construída a partir de instrumentos gravados ao vivo. O projeto reunirá sete faixas e apresenta um artista disposto a experimentar, sem abrir mão da identidade que vem construindo desde o início da carreira.


Em entrevista ao Música Boa, o mineiro avaliou sua evolução artística, os desafios de ser um artista pop independente no Brasil, a decisão de gravar o disco de forma orgânica e a fase mais "solar" que inspira o novo trabalho.


Para Lucas, a principal transformação ao longo dos últimos anos aconteceu justamente na liberdade para explorar diferentes caminhos musicais.


"Eu acho que são anos de experimentação. Sempre fui uma pessoa muito curiosa e gosto de ouvir muitos tipos de música. Dependendo da fase da minha vida, vou criando coisas diferentes. Já tive momentos mais chorosos, outros mais dançantes, mas sempre tentei manter uma certa leveza e um pouco de humor. Não acho que a vida possa ser levada tão a sério. Talvez eu nem tenha encontrado ainda o meu som definitivo. O artista está sempre em construção", avaliou.


Essa busca constante ajuda a explicar a mudança entre trabalhos como Chora Por Mim e o universo apresentado agora em Disco Tropical. Enquanto o primeiro mergulhava em sentimentos mais introspectivos, o novo álbum procura transmitir esperança e celebrar as pequenas alegrias do cotidiano.


Música brasileira também aparece na estética


Além da sonoridade, o conceito visual do projeto também bebe diretamente da produção musical brasileira das décadas de 1970 e 1980. A capa do álbum resgata a estética colorida dos discos lançados naquele período.


"Ouvi muita música dos anos 70 e 80. Você passa muito tempo olhando aquelas capas e elas eram incríveis, muito coloridas, cheias de recortes. Eu vinha de uma fase muito minimalista, com capas simples, mas quando pensei em 'Disco Tropical' senti que precisava seguir essa estética. Faz parte da identidade do projeto", explicou.


Pop independente exige criatividade


Embora o pop esteja entre os gêneros mais consumidos do mundo, quando se trata do feito longe das gravadoras multinacionais, o panorama muda. Lucas acredita que o cenário brasileiro apresenta desafios particulares para quem escolhe seguir esse caminho sem o suporte de uma grande gravadora.


Segundo ele, produzir um projeto pop exige investimentos elevados em videoclipes, figurinos, identidade visual e ações de divulgação, custos que muitas vezes ficam totalmente nas mãos do artista.


"O pop acaba sendo um nicho dentro da música brasileira. Aqui existem mercados muito fortes como o sertanejo e o funk, e naturalmente boa parte dos investimentos acaba indo para esses segmentos. Para quem é independente, a gente vive procurando oportunidades, parcerias, patrocínios. É caro fazer pop. Os clipes precisam ser elaborados, existe toda uma conexão com moda, estética e comunicação", apontou.


Mesmo diante das dificuldades, o cantor acredita que esse cenário também desenvolve novas habilidades.


"Você aprende a enxergar oportunidades o tempo inteiro. Quando aparece uma chance, precisa agarrar. Acho que isso faz o artista ficar muito atento e criativo. Tem que ter cara de pau, pedir ajuda, correr atrás e aproveitar qualquer espaço que apareça", finalizou.

Instrumentos gravados ao vivo reforçam a identidade do álbum


Em uma época em que boa parte das produções musicais utiliza instrumentos virtuais e recursos digitais, Lucas decidiu seguir o caminho oposto. O álbum reúne trompetes, flautas, percussões e outros instrumentos registrados por músicos em estúdio.


"Existe alguma coisa muito especial quando você ouve um instrumento sendo realmente tocado. Pode chamar de groove, de alma ou de qualquer outra coisa, mas é diferente. Trabalhar com músicos que dedicaram a vida inteira ao instrumento trouxe uma troca muito rica. Muitas vezes eles faziam coisas que nem estavam escritas, simplesmente porque era isso que a música pedia", contou.


Para o cantor, essa construção coletiva tornou o processo mais demorado e mais caro, mas também muito mais significativo.


"Foi um processo muito orgânico. Existia troca de conhecimento, troca de sentimento. Era muito mais difícil de fazer, mas também muito mais valioso. Eu me senti completamente em paz gravando esse álbum dessa maneira".


Um estado de espírito chamado "Disco Tropical"


Mais do que um disco, Lucas define o projeto como um estado de espírito. Ao longo dos meses de produção, percebeu que o conceito acabou influenciando também sua forma de enxergar o cotidiano.


"Todos os dias dos últimos meses foram um pouco 'Disco Tropical'. Mesmo quando eu estava em São Paulo, trabalhando, sem praia, sem verão e sem nada disso. Quando você passa tanto tempo criando um projeto que fala sobre esperança, amor e felicidade, você começa naturalmente a enxergar mais essas coisas na própria vida. Tem sido uma fase muito boa".





 
 
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