Lucas Kastrup reúne tradições da Baixada Maranhense em álbum dedicado à cultura popular

O antropólogo, músico e pesquisador Lucas Kastrup lança em 27 de agosto o álbum Maranhão Raiz: Lucas Kastrup visita mestras e mestres, trabalho que reúne registros de manifestações culturais tradicionais da Baixada Maranhense. O projeto nasceu de uma pesquisa iniciada em 2018 e percorreu povoados rurais da região para registrar músicas preservadas pela tradição oral.
Tambor de Crioula, Tambor de Mina, Bumba-meu-boi, Toque do Divino, Cacuriá e Baile de São Gonçalo estão entre as manifestações presentes no trabalho. A pesquisa também considera a relação entre tradições africanas, indígenas e católicas que integram o patrimônio cultural do interior do Maranhão.

Kastrup, que também é baterista e integrante do Ponto de Equilíbrio, iniciou os estudos sobre música e rituais de forma independente. Em 2020, a pesquisa recebeu apoio do Instituto Nova Era. Três anos depois, resultados do trabalho foram apresentados na exposição fotográfica Baile de São Gonçalo: Retrato da Baixada Maranhense, realizada no Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
Para a produção do álbum, o pesquisador voltou à região acompanhado por dois técnicos de som. As gravações foram realizadas diretamente nos povoados, reunindo intérpretes e músicos locais. O resultado, segundo Kastrup, procura preservar não apenas as canções, mas também o contexto cultural em que elas são produzidas.
“Durante a pesquisa, eu e dois técnicos de som percorremos povoados rurais da Baixada Maranhense registrando manifestações culturais que foram compiladas nesta obra; um álbum que traz, pela primeira vez, um recorte da expressão musical pelo olhar cultural e social desta região brasileira. Foi uma experiência emocionante”, afirma.
O disco terá oito faixas, entre composições dos próprios mestres e músicas de domínio público transmitidas ao longo das gerações. Entre os participantes estão o percussionista Cacau Amaral e o violonista Chico Nô. O álbum também conta com registros de coros infantis realizados em São Vicente Férrer e em São Luís.
Além da produção musical, Maranhão Raiz funciona como continuidade do trabalho de pesquisa desenvolvido por Kastrup ao longo dos últimos anos. O projeto coloca no centro do registro artistas e mestres responsáveis pela manutenção dessas tradições, muitos deles fora dos circuitos comerciais da música brasileira.
A trajetória de Kastrup na pesquisa sobre manifestações populares se soma ao trabalho desenvolvido no Ponto de Equilíbrio, banda da qual é membro fundador desde 1999. Com o novo álbum, o músico amplia essa atuação para um repertório ligado diretamente às tradições culturais maranhenses.



