Julia Mestre transforma referências setentistas em espetáculo atmosférico em São Paulo
- Guilherme Moro

- há 22 minutos
- 2 min de leitura
O palco do Sesc Bom Retiro, em São Paulo, recebeu a cantora e compositora Julia Mestre em mais uma apresentação da turnê “Maravilhosamente Bem”, espetáculo que transforma referências da música brasileira dos anos 1970 em linguagem cênica, estética e sonora.
Entre luzes quentes,frias, figurinos retrô e um cenário minimalista, a artista construiu uma apresentação que aposta nos detalhes para sustentar sua atmosfera.

Antes de falarmos de música, é necessário falar da ambientação do palco, que chama atenção logo de início. Uma esfera central posicionada no cenário funciona como elemento simbólico e visual, criando diferentes sensações ao longo do show, ora dramática, ora sensual, ou até mesmo dançante, conforme o repertório avança. O recurso simples contribui para a narrativa do espetáculo e dialoga com a proposta estética da turnê, que evoca o espírito performático da década de 1970.
O show começa em tom mais denso. A abertura fica por conta de “Sou Fera”, faixa do álbum anterior da cantora, apresentada quase como um sussuro ao ouvido da plateia e estabelece a base emocional da primeira parte da apresentação. A partir daí, Julia conduz o público por um repertório que atravessa diferentes momentos de sua trajetória.
Entre as músicas escolhidas, aparecem composições que marcaram sua fase mais recente e também registros ligados à cena que ajudou a projetá-la nacionalmente. É o caso de “Passarinha”, canção associada ao universo do coletivo Bala Desejo, grupo do qual Julia fez parte e que se tornou um dos nomes mais comentados da música brasileira contemporânea.
Teve até uma brincadeira com o meme “Sim, Sim, Sim”, com sua célebre frase à jornalista Roberta Martinelli no programa cultura livre: “Poder, ser, possibilidade, três vezes sim…”
Veja mais fotos da apresentação
O repertório também resgata faixas de “Arrepiada”, álbum que antecede o atual trabalho. Essas músicas aparecem ao longo do espetáculo como pontos de transição entre momentos mais introspectivos e outros mais festivos.
A reta final do show assume um tom mais dançante. Nesse bloco, a cantora investe em interpretações mais expansivas e aproxima o público do clima celebratório que encerra a apresentação. Um dos destaques é a releitura de “Chega Mais”, clássico de Rita Lee, executado com arranjo que mantém o espírito irreverente da original enquanto dialoga com a estética da turnê.
E virou festa, viu? O teatro inteiro levantou e foi para a frente do palco para dançar as últimas músicas. A finalização ficou por “Maravilhosamente Bem” e depois com o inesperado “bis” da releitura de “Fala Baixinho”, do Grupo Revelação, que ganhou uma versão mais quente.
A verdade é que Júlia Mestre é uma das artistas mais potentes de sua geração, que une música, pop, sofisticação e talento. São para poucos.































