Gui Isnard conduz o ZERØ entre memória e reinvenção em “Labirinto 21”
- Redação Blog Música Boa
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Com produção de Luiz Carlos Maluly, single já disponível pela Algohits ganha sua primeira versão oficial de estúdio e antecipa um álbum de inéditas após 19 anos

Há bandas que retornam ao passado como quem visita um lugar encerrado. Com o ZERØ, esse movimento acontece de outra maneira: a memória reaparece como matéria para a criação de algo novo. Liderado por Gui Isnard, o grupo acaba de lançar “Labirinto 21”, single que conecta diferentes momentos de sua trajetória e abre caminho para um novo álbum de inéditas.
Já disponível pela Algohits, a música havia sido apresentada em 2018, durante uma live session do AudioArena Originals, mas ainda não possuía um registro oficial de estúdio. Oito anos depois, “Labirinto 21” ganha sua versão definitiva, preservando a força daquele primeiro encontro ao mesmo tempo que inaugura uma nova etapa para a banda.
Construída em torno de sentimentos como procura, deslocamento e transformação, a faixa combina a intensidade característica do ZERØ com uma produção contemporânea. Guitarras, camadas eletrônicas e a interpretação de Gui Isnard conduzem uma composição que observa os labirintos internos e as mudanças provocadas pelo tempo sem transformar nostalgia em imobilidade.
A produção musical é assinada por Luiz Carlos Maluly, nome diretamente ligado à história da banda. Para Gui Isnard, o reencontro em estúdio recuperou uma sensação presente nos primeiros anos do grupo.
“É um flashback da gravação do compacto ‘Heróis’”, afirma o vocalista.
A base instrumental foi gravada por Roney Bispo no Eco da Pedra Studios, enquanto os vocais foram registrados no Centro Artístico Maluly. A gravação também contou com Guilherme Canaes, responsável pela mixagem e masterização no estúdio HAL9000CANAES.
Além de marcar a chegada da primeira versão oficial de “Labirinto 21”, o lançamento antecipa o primeiro álbum de inéditas do ZERØ em 19 anos. O próximo disco também será o primeiro trabalho da banda com lançamento comercial em 26 anos, desde “Electro Acústico”, de 2000.
A distinção é importante para compreender a trajetória do grupo sem apagar seus capítulos intermediários. Em 2007, o ZERØ registrou “Quinto Elemento”, trabalho que integra sua discografia e sua história, embora não tenha recebido lançamento comercial nem chegado às plataformas digitais. Mais recentemente, a banda também apresentou os singles “Quando Esse Mal Passar” e “Voar e Não Olhar Para Trás”, além da própria live session do AudioArena Originals.
Formado em 1983, o ZERØ atravessa mais de quatro décadas de música brasileira. Discos como “Passos no Escuro”, de 1985, e “Carne Humana”, de 1987, ajudaram a consolidar a identidade do grupo, que encontrou um espaço particular entre o rock, a música eletrônica e a atmosfera urbana que marcou parte da produção nacional daquele período.
“Labirinto 21” não tenta reproduzir artificialmente essa época. A música recupera elementos da identidade construída pelo ZERØ, mas os reorganiza a partir do presente, fazendo da passagem do tempo parte de sua própria linguagem.
O single também ganhou um videoclipe que amplia visualmente a atmosfera de busca e transformação presente na composição. Entre referências à própria história e sinais do caminho que começa agora, o registro apresenta uma banda interessada não apenas em celebrar o que realizou, mas em descobrir o que ainda pode construir.
Com “Labirinto 21”, Gui Isnard e o ZERØ encontram uma passagem entre passado e futuro — e fazem dessa travessia o ponto de partida para o próximo álbum.
