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  • Guilherme Moro

Fabio Bergamini lança primeiro álbum solo

O instrumentista e compositor Fabio Bergamini lança seu primeiro álbum solo, Nandri (selo Belic Music), que estará disponível em todas as plataformas de música no dia 8 de dezembro de 2022.



O evento de lançamento acontece na E7P Urbana (Escola dos 7 Portões), também no dia 8/12, a partir das 19 horas, com a primeira audição das faixas (exibição de videoclipes), pocket show do artista e jam session aberta aos músicos presentes.

Nandri é formado por oito composições instrumentais - “Rasikapriya”, “Swarnabhoomi”, “Camelo”, “Timbila”, “Nandri”, “Guerra Sem Batalha”, “Omni” e “Bel” - que primam pela sonoridade e por arranjos que conduzem o ouvinte a paisagens sonoras e visuais, amparadas pela sonoridade da world music em plena harmonia com a complexidade dos improvisos do jazz. Com 30 anos de carreira, tocando e viajando o mundo com o grupo Madredeus e acompanhando artistas de renome, Fabio Bergamini se apresenta como criador nesse álbum jazzístico norteado pela música étnica e pela inserção de instrumentos ‘exóticos’ dos mais diversos cantos do mundo. E chega com um trabalho original brasileiro, universal, sem fronteiras.

Com características de "trilhas sonoras", as composições foram inspiradas em paisagens, viagens ou histórias vividas pelo músico, que assina quase a totalidade das composições. A fusão de linguagens é evidente na diversidade de timbres, ritmos, cores e sonoridades, trazidos pela música de outros cantos em conversa com o jazz europeu. Todas essas possibilidades foram catalisadas pelo encontro de músicos internacionais presentes no disco.

Os arranjos foram construídos ao longo dos últimos anos, a partir de performances, experimentações e práticas de estudos feitas pelo grupo Fabio Bergamini Ensemble, formado por Bergamini nas percussões e bateria, Rui Barossi no contrabaixo (que também assina a produção musical e os arranjos do álbum, junto com Fabio Bergamini), Rubinho Antunes no trompete, André Bordinhon na guitarra, Paula Mirhan na voz, Fábio Oliva no trombone e Sidney Ferraz no piano. O disco ainda conta com convidados internacionais e de diversas regiões do Brasil: a cantora espanhola Mili Vizcaíno, os músicos indianos Ghatam Karthick e Sarvesh Karthick, a cantora suíça-brasileira Taïs Reganelli (radicada em Portugal), o saxofonista Guto Lucena (radicado na Suécia), o pianista carioca Pedro Carneiro Silva e os paulistanos Gabriel Levy (acordeon) e Emilio Martins (percussão).



A universalidade presente no trabalho de Bergamini não exclui a brasilidade. Suas raízes culturais estão em São Paulo e no solo fértil da tradição da música brasileira - representada no disco pelo uso criativo de alguns ritmos e instrumentos peculiares (pandeirões de bumba meu boi do Maranhão, bombo leguero gaúcho, alfaias de maracatu) e nas interpretações mais livres inspiradas, quase que como reverência, na música instrumental brasileira de Egberto Gismonti, Naná Vasconcelos e Hermeto Pascoal. Nandri cria um espaço comum entre ocidente e oriente, entre a música instrumental ocidental, sobretudo o jazz e a música brasileira, e algumas das chamadas “músicas do mundo”, com destaque para a indiana, a africana e a árabe. Timbres “exóticos”, harmonias modais, ragas indianas, escalas árabes (maqams), paisagens sonoras brasileiras, instrumentos tradicionais de diversas culturas, diferentes atmosferas e improvisações garantem uma sonoridade peculiar ao trabalho.

Fabio Bergamini é um músico que sempre buscou novas sonoridades, instrumentos não convencionais, manifestações musicais e novas expressões artísticas, sendo esse álbum resultado dessa inquietude criativa e da busca incansável por novas conexões sonoras. Como acadêmico, além de seu mestrado em performance pela Unicamp (Campinas/SP), cujo objeto de estudo foi a “música universal de Hermeto Pascoal”, Bergamini estudou etnomusicologia na Universidade Nova de Lisboa (PT), quando seu interesse pelas músicas do mundo se expandiu.


Esteve em Moçambique e África do Sul por três meses, tocando e pesquisando. Ficou por um semestre na Índia, lecionando e estudando música carnática. Estudou com John Bergamo, na Califórnia (USA), em curso de World Percussion. Escreveu o livro didático de bateria do Projeto Guri (SP/SP). Desenvolve pesquisa sobre as músicas tradicionais de cada região brasileira, que resultou em um curso para mais de três mil professores da rede municipal de São Paulo (Mapa Musical do Brasil), além da vivência internacional como músico tocando com o grupo Madredeus. E Nandri traduz essa busca pelas idiossincrasias das manifestações musicais ao redor do mundo, feito de forma livre, espontânea e criativa, sem a intenção explícita de representar determinado grupo ou manifestação.

“Nandri quer dizer ‘obrigado’ na língua Tamil (sul da Índia), e esse é um álbum feito em agradecimento aos tantos caminhos a que a música pode nos levar e que nos faz mergulhar tanto internamente, na busca de nossa essência, como no mundo exterior, dando-nos a oportunidade de conhecer lugares, culturas e pessoas incríveis ao longo da jornada”, comenta o artista. “Esse álbum é uma celebração à música sem fronteiras, à diversidade musical encontrada na cidade de São Paulo e nos possíveis encontros e intersecções onde a música pode ser essa linguagem universal dos sons. É o resultado do que vivi até então, do tanto que estudei, desenvolvi e de como vejo, expresso e entendo o mundo”, finaliza Fabio Bergamini.

Sobre as composições

Fabio Bergamini conta que a maioria das músicas são baseadas nas ragas indianas (escalas) e no konnakol - linguagem rítmica utilizada sobretudo no sul da Índia onde ele lecionou e se aprofundou na música carnática indiana.

Momentos em Nandri lembram trilhas ou paisagens sonoras ancestrais que interligam culturas e povos, como é percebido na faixa 3, “Camelo” (Fabio Bergamini e Pedro Carneiro Silva), que nos remete aos longínquos desertos árabes, mas ao mesmo tempo nos aproxima do sertão brasileiro ou de uma mesquita paulistana. Isso é percebido também na faixa-título (5), “Nandri” (Fabio Bergamini e Pablo Lapidusas), que nos leva aos templos sagrados da Índia e, ao mesmo tempo, retrata a tensão e agitação da vida nas metrópoles, trazendo o contraste entre a paz e o caos do trânsito, seja na Índia ou em São Paulo. Esta música tem delicada participação especial da cantora Taïs Reganelli.

A composição que abre o disco, “Rasikapriya” (Ghatam Karthick), deu início ao processo de gravação do álbum. “Como Lord Ganesh, que abre os caminhos e ajuda a fluir, esta música abriu as portas à série de encontros de diferentes sonoridades”, revela. Na faixa, a voz da cantora espanhola Mili Vizcaíno se sobrepõe ao timbre dos sopros, Gabriel Levy harmoniza com seu acordeon e André Bordinhon, com sua guitarra cósmica. E Ghatam Karthick e seu filho Sarvesh tocam percussões indianas. O álbum segue com “Swarnabhoomi” (Fabio Bergamini e Pablo Lapidusas), que significa ‘terra do ouro’, é sinônimo de abundância, mas também diz respeito aos movimentos e fluxos da vida. “Foi composta numa madrugada em que, junto com meu amigo Lapidusas, estava encantado com as aulas de ragas e de konnakol. Sem pretensões de criar algo tradicional, surgiu a composição em que o contrabaixo se mantém em 5/4, enquanto a melodia sobrevoa esse padrão em ciclos de 3” (e na gravação ganhou brilho na voz Paula Mirhan), explica Bergamini.

A quarta faixa, “Timbila” (Fabio Bergamini) é um encontro de sons e ritmos. O autor comenta que esta música “é uma singela homenagem às nossas raízes africanas. Timbilas de moçambique é uma celebração na floresta”. Segundo o compositor, “Guerra Sem Batalha” (Rui Barossi) - faixa 6 - “retrata-nos como engrenagens de uma mesma máquina. Apesar da individualidade e do ritmo particular, estamos conectados no grande universo”. A próxima composição, “Omni” (Fabio Bergamini), traz arranjo com diversos instrumentos não muito usuais como botijão de gás, uma concha do mar com bocal de trompete, berimbau, morsing (harp mouth) talking drum, didjeridoo australiano, tablas indianas, flautas étnicas. A música é um convite ao novo, ao inesperado. Uma agradável aventura. E “Bel” (Pedro Carneiro Silva) tem uma sonoridade que parte de ‘águas calmas’, de um ‘mar tranquilo’ que aos poucos se torna revolto e caótico. “Esta música é inspirada nas fases da vida, mais calmas ou conturbadas, que sempre nos levam ao ponto de origem, ao útero, à terra”, diz Fabio Bergamini sobre a faixa que fecha o álbum Nandri.

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