• Guilherme Moro

Entrevista com Renato Rocha, Guitarrista do Detonautas

Compositor, guitarrista, arranjador e produtor. Renato Rocha é um músico extremamente completo. Membro do Detonautas desde 1997, o guitarrista conversou conosco sobre a repercussão dos singles lançados pela banda no ano passado, os desafios da pandemia e sobre o próximo álbum que será lançado ainda neste ano.


(Foto: Divulgação)


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Renato, comente sobre a repercussão da faixa “Político de Estimação”. Qual o real significado da música?


Renato Rocha

"Político de Estimação" tem essa conotação política, mas ela mira muito mais no fanatismo. Na verdade, a mensagem é para que as pessoas tratem política com mais razão e menos emoção. De alguma forma ela gerou críticas de ambos os espectros. Eu acho que é o papel do artista dar uma espetada, seja em qualquer um dos lados.


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Além dela, “Micheque” e “Kit Gay” deram o que falar em 2020. Como se deram essas composições?


Renato Rocha

“Micheque” e “Kit Gay” são direcionadas à essa galera que se dizia contra a corrupção, dona da virtude e da superioridade moral. Estamos vendo que não é bem assim. Muitas fake news, muitas “tramoias” e coisas acontecendo. A gente quis dar um tom de deboche para tudo isso, já que essa galera não está aberta a diálogo. Essa música relembrou muito o inicio da banda, lá em 1997, onde tínhamos uma pegada mais zueira.


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Em 2021, a banda pretende continuar trabalhando faixas com um teor mais político e social?


Renato Rocha

Temos mais três músicas com essa temática. A ideia é lançar essas três e juntar com as que foram lançadas, ocasionando em um álbum apenas com esse tema. Acho que até o final do primeiro semestre já estará lançado. Depois vamos mudar um pouco o tom, porque cansa falar só sobre isso, mas é um assunto que estará sempre em nossos temas. Sentimos a necessidade de expor o que pensamos.


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Devido a polarização política que o nosso país se encontra, a banda notou algumas mudanças referentes a público, contratantes e imprensa por conta de demonstrar esse lado mais crítico nessas faixas que citamos?


Renato Rocha

Estamos acostumados. Alguns contratantes ficaram com receio e sofreram ameaças de milícias virtuais. Conseguimos administrar isso de uma maneira tranquila, abrindo diálogo com contratante e mostrando que não dá pra ficar refém dessa minoria. Algumas portas se fecham e várias outras se fecham por afinidade. Na parte jurídica estamos muito respaldados também com a nossa gravadora (Sony Music) e nosso advogado.


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Como foi feita a logística de gravação dos singles que vocês lançaram no ano passado?


Renato Rocha

Todos nós, com exceção do Tico, temos uma estrutura para gravações em casa. A ideia pintava e mandávamos mensagem em um grupo para combinar quais seriam os temas e sonoridades. Está sendo um processo muito interessante. Acho que rendemos muito bem porque temos uma certa maturidade. Vamos fazer nosso sétimo álbum de estúdio em 24 anos de banda. Conseguimos trabalhar muito bem em estúdio, dialogar entre nós. Somos abertos musicalmente e todo mundo busca o melhor resultado possível. Está sendo muito bacana.


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Sétimo álbum? Quais novidades estão por vir?


Renato Rocha

Estamos com um álbum totalmente pronto. Foi produzido pelo Marcelo Sussekind (Herva Doce), tem O Sérgio Villarim dando um apoio nos teclados e é uma parada que não tem nada a ver com esse contexto político. Vamos apresentar na hora certa, quando esse ciclo se fechar. Já adianto pra vocês que tem muita coisa legal por vir.


(Foto: Fabiano Santos)

 

Foto de Capa: Anne Godoneo