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  • Guilherme Moro

Entrevista com Bruno Gouveia, vocalista do Biquíni Cavadão

Atualizado: 6 de mai. de 2021

Bruno Gouveia é uma das lendas do rock nacional. Fundador do Biquíni Cavadão, o vocalista falou sobre os preparativos para o novo álbum de inéditas da banda, sobre seus projetos recentes e sobre a sua biografia, lançada em em 2019.


Foto: Danilo Coelho


Blog Música Boa

Bruno, você foi convidado por músicos do cenário alternativo carioca para gravar um cover da faixa "Halo", do grupo Depeche Mode. Entre eles estava Patrick Laplan (Ex-Los Hermanos e Rodox). Como surgiu o convite e qual a importância de gravar com artistas que fazem parte do underground?


Bruno Gouveia

Patrick Laplan (multi-instrumentista) tocou no Biquíni de 2000 até 2008. Ele tinha acabado de sair do Los Hermanos e convidamos ele para ser nosso músico de apoio. Patrick sempre foi muito artístico, tanto é que em 2008 ele pediu licença pra sair para poder montar sua própria banda. Demos o maior apoio pra ele e até participei do disco da banda. Temos uma grande amizade e carinho um pelo outro. Certo dia ele me ligou e contou que estava fazendo uma collab com alguns artistas alternativos do Rio de Janeiro e perguntou se eu tinha interesse em participar de um cover do Depeche Mode. Adoro a banda e topei na hora. São artistas extremamente talentosos e com uma vasta experiência. Quem saiu ganhando com essa experiência fui eu, porque conheci uma turma muito talentosa. Achei sensacional e quando eles trouxeram a base da música eu pensei: "Uau!". Ficou muito interessante. Deixou uma música com mais de 30 anos com um ar jovial.



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No início do ano, você regravou a clássica "Vento Ventania", em uma versão infantil, ao lado do sucesso entre um dos maiores fenômenos da música infanto-juvenil, que é o Mundo Bita. Como surgiu essa ideia? Foi um convite? Conta pra gente!


Bruno Gouveia

Bom, no ano passado eu tive uma experiência maravilhosa que foi a chegada do Leonardo, meu segundo filho. Foi nessa época que ouvi as regravações do Mundo Bita de clássicos como "Anunciação e "Como Uma Onda". Eu fiquei tão emocionado que eu entrei em contato com a produção do Mundo Bita só para dar os parabéns e disse que se algum dia eles pensarem em fazer alguma coisa com alguma canção do Biquíni, podiam contar comigo. Isso foi mais ou menos em agosto. Em novembro eles entraram em contato dizendo que iriam dar continuidade no projeto de regravações e que queriam iniciar o ano com uma música do Biquíni, "Vento Ventania". Foi um grande prêmio pra mim. Fiquei muito feliz com resultado. Hoje meu filho tem sete meses e ouve muito a canção que o pai canta. Não sei nem se ele sabe disso, mas isso é uma coisa muito louca, porque a gente não sabe se ele vai gostar, né? Mas a versão de "Vento Ventania" é uma das que ele mais ouve. Acho que ele reconhece minha voz cantando. Foi muito importante pra mim.



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Bruno, 36 anos de Biquíni Cavadão e a banda em breve irá lançar o álbum "Através dos Tempos". Vocês ainda estão na fase de pré-produção? Já estão gravando?


Bruno Gouveia

Estamos ainda gravando o álbum gradativamente. Estávamos na esperança de que a situação do país melhorasse. Quando chegou no fim do ano, fizemos uma reunião com nosso empresário que previu uma piora nos casos graças as festas de fim de ano. Demos uma pisada no freio. Eu já gravei algumas vozes, mas o disco vai ser lançado efetivamente num processo mais parecido com o que é feito hoje: single a single.


Blog Música Boa

Interessante você tocar nesse assunto. Qual as diferenças entre lançar as músicas single a single e de acoplá-las em um álbum completo?


Bruno Gouveia

Há alguns anos eu comentei com uma pessoa sobre isso. Eu disse que era muito doloroso para nós artistas trabalharmos 12 a 14 faixas de um CD, trabalhar uma faixa, depois de dois meses trabalhar uma outra e em determinado momento que nós não tínhamos apresentado nem três músicas, o programador de rádio falar que o material estava velho. Isso era muito duro pra nós. Na década de 90 nós lançamos um disco de 17 faixas e depois de duas ou três músicas engavetaram o trabalho. Se tivéssemos lançado oito músicas e no ano seguinte mais nove, teríamos dois álbuns e as pessoas prestariam mais atenção em algumas músicas que ficaram esquecidas. Essa estratégia de lançar single é justamente para que as pessoas percebam cada composição que é feita.


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O galês Paul Ralphes foi o escolhido para ser o produtor desse novo disco que está por vir. Qual foi o motivo que levou a escolha desse experiente produtor musical?


Bruno Gouveia

Paul já havia trabalhado conosco em dois discos muito emblemáticos da nossa carreira. O primeiro foi metade do "Biquini.com.br" (1998) e integralmente no "Escuta Aqui" (2000). Esse último talvez seja um dos discos mais reverenciados pelos fãs do Biquíni Cavadão. Ele é um disco que de "cabo a rabo" é gostoso de ouvir. Fazia mais de 20 anos que não trabalhávamos com o Paul e foi muito natural fazer esse disco com ele.


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Como foi o seu processo de composição pra esse álbum?


Bruno Gouveia

Estamos sempre compondo e apresentando músicas. Fiz minhas próprias composições, algumas com meus parceiros. Birita (baterista) fez as canções dele e foi a partir disso que chegando à essas composições finais. Estamos trabalhando em cima de nove faixas, salvo alguma outra coisa que pode aparecer.


Foto: Toca Cultural


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Em 2019 você lançou a sua biografia intitulada de "Impossível Esquecer o Que Vivi". Como despertou em você essa vontade de contar sua história para seus fãs e pessoas que admiram o seu trabalho?


Bruno Gouveia

Eu sempre tive vontade que a Biquíni Cavadão tivesse uma biografia. Já tinha lido várias de artistas e cantores que eu gostava. Fui me animando com a ideia de alguém fazer essa nossa biografia, só que eu nunca pensei na pessoa certa pra fazer isso. Quando íamos fazer 30 anos de carreira, eu comecei a escrever algumas coisas no computador e quando me toquei, eu tinha escrito mais de 50 páginas de maneira muito fluente e decidi que iria fazer minha autobiografia. Saiu o livro, saiu o e-book e saiu agora o áudio book, que eu tive o prazer de narrar. Foi um trabalho de 13 horas, mas está bem conciso e fiel ao que foi colocado no livro, A minha maior felicidade é ver a reação das pessoas ao lerem o livro. Eu brinquei com a galera da banda que a minha biografia acabava na página 45, porque dali pra frente, era a nossa história. Tive momentos duros e difíceis. Num primeiro instante pensei em escrever tudo o que vinha na cabeça e só depois parei pra refletir se valia a pena contar tal história. Muitas vezes refiz capítulos inteiros. Havia um capítulo que eu sabia que tinha que contar eu mesmo: como lidei com a morte do meu primeiro filho. Foi um capítulo que eu juntei peças de um quebra-cabeça que está incompleto.


Blog Música Boa

Bruno, foi demais bater esse papo com você. Muito obrigado!


Bruno Gouveia

Eu quem agradeço, saúde e vamos vencer essa, cara! Vamos pra cima pra poder contar essa história depois. Abraços.

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