Chris Moore estreia na música aos 66 anos com “Malandro que é Malandro”
- Redação Blog Música Boa
- há 51 minutos
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Ex-executivo britânico transforma trajetória internacional em álbum autoral e assume identidade de “gringo-meio-brasileiro” ao mergulhar na música nacional.

Nem sempre o tempo segue o roteiro esperado — e Chris Moore é prova disso. Após uma carreira consolidada no mundo corporativo, o britânico decide virar a chave aos 66 anos e lançar seu primeiro projeto musical, dando início a uma trajetória que sempre existiu nos bastidores. O ponto de partida é “Malandro que é Malandro”, faixa que abre seu álbum de estreia com elegância, personalidade e forte conexão com a música brasileira.
A história da canção atravessa décadas. A base do violão nasceu há cerca de 40 anos, durante uma jam session com Dominic Miller, guitarrista conhecido por seu trabalho com Sting. Guardada por anos, a ideia ressurge agora como espinha dorsal do single, conectando passado e presente em uma construção musical que carrega memória, maturidade e propósito.
Composta por Chris Moore em parceria com Glaucus Linx, a faixa presta homenagem à figura do malandro — não apenas como arquétipo cultural, mas como símbolo de resistência, inteligência e estilo. A interpretação fica por conta de Gabriel Moura, fundador do Farofa Carioca e coautor de clássicos que marcaram a carreira de Seu Jorge, como “Burguesinha” e “Mina do Condomínio”.
A produção de Glaucus Linx conduz a faixa com precisão, equilibrando tradição e sofisticação. Sem abrir mão da base do samba, o arranjo incorpora metais bem desenhados e uma percussão marcante, criando uma sonoridade que soa clássica e contemporânea ao mesmo tempo. O resultado é um convite direto ao universo proposto por Moore: musical, refinado e cheio de identidade.
“O Chris Moore é um artista muito prolífico, com várias camadas artísticas e conceituais. Ele absorve referências com facilidade, e isso torna sua proposta múltipla. Nossa união foi quase inevitável, como se já estivesse desenhada”, afirma Glaucus.
Essa troca entre diferentes vivências também aparece no discurso do produtor, que destaca a bagagem geracional como elemento criativo. “A nossa geração passou por muitas transformações — do vinil às nuvens digitais. Esse acúmulo de experiências estéticas também molda o artista, que observa o mundo para depois transformá-lo em arte”, completa.
Um recomeço que sempre esteve ali
Apesar da estreia tardia, a relação de Chris Moore com a música nunca foi interrompida — apenas ficou em segundo plano. Durante mais de duas décadas, ele esteve à frente de uma rede de pizzarias, construindo uma carreira sólida fora dos palcos. Agora, assume de vez a própria vocação.
“Esse trabalho é o resultado de uma relação que nunca deixou de existir. A música sempre esteve comigo, mesmo quando a vida me levou por outros caminhos. Esse álbum reúne histórias e composições de diferentes momentos da minha vida que agora finalmente ganham forma”, revela o artista.
“Malandro que é Malandro” chega, assim, não como um ponto de partida qualquer, mas como um encontro entre tempos, culturas e escolhas. Um debut que carrega história — e que transforma experiência em linguagem musical com naturalidade e verdade.


