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Carol Maia transforma fita analógica em arte viva no EP “Urutu Fitas”

  • Foto do escritor: Redação Blog Música Boa
    Redação Blog Música Boa
  • há 10 minutos
  • 2 min de leitura

Projeto gravado em rolo no Estúdio Urutu chegou às plataformas com estética setentista, performance ao vivo e distribuição da Algohits.


Carol Maia transforma fita analógica em arte viva no EP “Urutu Fitas”
Carol Maia (Divulgação)

Em um mercado dominado por correções digitais, plugins e gravações milimetricamente editadas, Carol Maia escolheu seguir na direção oposta. A artista apresenta o EP “Urutu Fitas”, trabalho registrado inteiramente em fita analógica no Estúdio Urutu, resgatando a urgência criativa e a organicidade sonora de uma era em que música e performance aconteciam quase no mesmo gesto.


Distribuído pela Algohits, o projeto aposta em uma experiência rara no cenário atual: captação sem retoques excessivos, interpretação vocal em primeiro plano e músicos tocando juntos em clima de sessão ao vivo. Ao lado de José Miguel Brasil e Thomás Medeiros, Carol mergulha em uma proposta que privilegia presença, timbre e verdade artística. A parte técnica ficou sob responsabilidade de Otavio Cintra, na captação, mixagem e masterização, com produção executiva e curadoria de Vicente Barroso.


O resultado é um trabalho que dialoga com o passado sem soar preso a ele. Em vez de nostalgia gratuita, “Urutu Fitas” transforma referências clássicas em linguagem contemporânea — algo perceptível tanto na sonoridade quanto na estética visual que acompanha o lançamento.


O EP reúne as faixas “Cinza”, “Áspera Espaçonave”, “Feroz”, “Distante” e “Vermelha Rosa”, escolhida como música de trabalho. Composta ao piano e finalizada em voz e violão, a faixa parte de uma interpretação emocional direta para falar de autonomia e reconstrução pessoal após o fim de uma relação.


Musicalmente, o projeto evoca o ambiente criativo dos estúdios dos anos 1970, período em que performance e espontaneidade eram parte central do processo fonográfico. A compressão natural da fita magnética e a dinâmica orgânica dos instrumentos ajudam a criar uma audição mais quente, humana e próxima do ouvinte.


Além do lançamento nas plataformas digitais, “Urutu Fitas” também ganha formato audiovisual em uma live session disponibilizada no canal do YouTube do Estúdio Urutu, ampliando a proposta de mostrar a artista sem filtros e sem excessos técnicos.


Em um momento em que muitos lançamentos disputam atenção pela velocidade, Carol Maia aposta em permanência. “Urutu Fitas” nasce como obra de escuta cuidadosa — daquelas que valorizam nuance, respiração e interpretação. Mais do que um EP, o projeto reafirma que tecnologia de ponta e alma artística nem sempre estão no mesmo lugar. Às vezes, basta apertar o rec.



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