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  • Foto do escritorGuilherme Moro

Amaro Freitas estreia em São Paulo o show de seu novo álbum "Y'Y"

Amaro Freitas volta de mais uma turnê na Europa em abril e, no final do mês, já aporta no Brasil no para shows solo de seu elogiado álbum “Y’’Y’ (pronuncia-se IêIê), lançado em março pelo selo americano Psychic Hotline. Os primeiros shows serão no SESC Pompéia nos dias 27 e 28 abril, sábado e domingo.

 


“Y’Y” é o quarto álbum do pianista e compositor pernambucano. No disco Amaro presta homenagem à Floresta Amazônica e aos rios que atravessam o norte do Brasil, apresentando nove temas autorais gravados entre o estúdio Carranca, no Recife (PE) e o Maxine Studio em Milão, Itália, com participações dos músicos internacionais Shabaka Hutchings, Brandee Younger, Jeff Parker, Hamid Drake e Aniel Someillan – amigos que fez pela estrada nos seus shows internacionais. A produção musical do álbum foi orquestrada pelo próprio Amaro Freitas com Laércio Costa e Vinicius Aquino, mixado pelo mesmo Vinicius Aquino e masterizado por Kevin Reeves. 


O que move Amaro Freitas na vida é a experiência. Em 2020, Amaro foi atraído para Manaus, na bacia amazônica. Sua experiência naquela natureza exuberante o levou a um novo estágio de criação musical, enraizado na magia do encantamento e temperado pela admiração das riquezas da terra a partir da conexão com a comunidade indígena Sateré Mawé, numa troca sincera com essa comunidade, compartilhando a visão sensível e íntima que os povos originários têm com a natureza. Esse encontro inspirou este novo álbum “Y'Y”, onde Amaro faz, além da homenagem à floresta, especialmente à Floresta Amazônica e aos rios do Norte do Brasil, um chamado para viver, sentir, respeitar e cuidar da natureza, reconhecendo-a como nosso ancestral. “É também um alerta sobre a necessidade de termos consciência do impacto que causamos, com base nos conceitos de civilização e modernidade que nos afastam desta ligação e da sua importância para o equilíbrio da vida no planeta”.

 

Esse trabalho está bastante ligado à sua discografia anterior. “Tento resgatar coisas que vieram antes da colonização”, observa ele, “é um tema que está presente na minha obra há anos”. Amaro explica que olhando para os títulos dos seus três últimos projetos “você tem Rasif (grafia em árabe do nome da sua cidade natal)… você tem Sankofa (um termo ganense que significa olhar para trás, entender sua própria história, enquanto continua avançando para o futuro) e agora “Y'Y” (palavra do dialeto Sateré Mawé, código ancestral indígena que significa água ou rio) são temas que não são falados em português ou inglês e, de certa forma, fazem parte da construção deste conceito social mais conectado.

 

Neste show Amaro apresenta músicas deste álbum como “Uiara” (Encantada da Água) – Vida e Cura” – palavra que significa “a senhora das águas” ou “mãe d’água” em tupi-guarani – que contam a energia de lendas poderosas, incluindo a história do Mapinguari, “um gigante faminto e peludo com um olho e uma boca enorme no umbigo, que vagueia pela floresta em busca de alimento”, segundo Amaro. A música incorpora o som estrondoso e ameaçador do trovão.  Amaro utiliza um EBow (ou dispositivo de arco eletrônico mais utilizado em guitarras elétricas) nas cordas do piano “para gerar ruídos como o do boto rosa, e fita adesiva, para distorcer o som” do piano, simulando o som dos sintetizadores.

 

“Viva Naná” é uma homenagem ao percussionista e compositor pernambucano Naná Vasconcelos, que também se inspirou e expressou ligações com a floresta, com o rio, com os povos indígenas e com a mãe África, através dos seus discos “Amazonas” e “África Deus”. Já em “Dança dos Martelos” Amaro inspira-se na sua ascendência africana mais ampla e transforma o piano em um tambor de 88 teclas, dando novas formas à tradição. A música, em que usa um prendedor de roupa e sementes amazônicas para aumentar o som do seu piano, “introduz uma sensação de caos; mas também contraria o efeito do caos com o lirismo e o ritmo quente dos trópicos” que, segundo ele, une a América Latina e a África.

 

“Sonho Ancestral” utiliza tanto o piano quanto a m'bira Arican de metal, que serve quase como um metrônomo metálico, embalando os ouvintes em um estado de sonho. “Estamos aqui porque somos o sonho dos nossos antepassados, somos nós que damos continuidade, o elo presente entre o passado e o futuro”, observa Amaro. E “Gloriosa” é homenagem à sua mãe, Rosilda, que o inspira musicalmente desde a infância. “O canto sempre esteve presente em vários momentos do nosso dia-a-dia. Todos os momentos fizeram parte do meu desenvolvimento lírico e melódico. Na melodia tento retratar todo o amor e carinho que recebi de minha mãe quando criança”, conta ele.

 

Além desse repertório do novo disco, Amaro vai mostrar músicas de outros como “Dona Eni”, de “Rasif”, e outras novidades.

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