AlaĆde Costa e Guilherme Arantes reinterpretam "Meu Mundo e Nada Mais"
- Guilherme Moro
- 19 de jan. de 2024
- 3 min de leitura
ClĆ”ssico indiscutĆvel da mĆŗsica popular brasileira lanƧado em 1976, āMeu Mundo e Nada Maisā acaba de ganhar uma nova versĆ£o. O single une a cantora carioca AlaĆde Costa, diva revelada no movimento da Bossa Nova, e o paulista Guilherme Arantes, autor e intĆ©rprete original da canção, em dueto de vozes e piano. A gravação intimista aconteceu em 6 de dezembro de 2023 sob produção de Marcus Preto.
āEu sempre adorei essa mĆŗsica e tinha vontade de fazer minha gravação hĆ” muito tempoā, conta AlaĆde, que chegou a ensaiar āMeu Mundo e Nada Maisā para uma canja em show do próprio Guilherme Arantes, no Blue Note de SĆ£o Paulo. āMas, no dia do show, acordei rouca e acabei só assistindo o Guilherme cantar. Naquele momento, a vontade de gravar a minha versĆ£o só aumentou. Essa letra tem tudo a ver comigo.ā
FĆ£ inveterado de Guilherme Arantes desde a adolescĆŖncia, o produtor Marcus Preto articulou a parceria. Aproveitando uma passagem Guilherme por SĆ£o Paulo (ele hoje mora em Ćvila, na Espanha), levou o compositor e a cantora ao Arsis, estĆŗdio que hospeda um belo piano de cauda. E, em apenas trĆŖs takes, chegaram Ć versĆ£o final do dueto.
āGuilherme Arantes Ć© um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, um gĆŖnio, e se conectou completamente ao universo de AlaĆdeā, diz Marcus Preto. āEla Ć© uma intĆ©rprete das que gostam de mĆŗsicas tristes - e só das tristes. Portanto, essa canção caiu perfeitamente na voz e no universo alaideano. O mais maluco Ć© a gente pensar que se trata de uma composição escrita no final dos anos 1960 por um adolescente e que agora ganha o peso da voz de uma artista de 88 anos. A canção Ć© tĆ£o consistente que tem igual forƧa nas duas pontas dessa linha do tempo. Só as obras-primas conseguem tanto.ā
Guilherme afirma que o encontro com AlaĆde foi um momento muito aguardado por ele, pois, ao longo de muitos anos, acalentou o sonho de se aproximar dessa ala da MPB. E de AlaĆde em especial, dada a trajetória da cantora em momentos que pontuaram a juventude do compositor, desde āO Fino da Bossaā, programa fundamental da TV Record nos anos 1960, atĆ© a participação dela no Ć”lbum do Clube da Esquina.
Ele conta que compĆ“s āMeu Mundo e Nada Maisā no ano de 1969, sob o impacto do festival Woodstock, marco musical, cultural e comportamental daquela geração. āEssa canção Ć© um manifesto da minha revolução pessoalā, diz. āEm vez de estar nos movimentos polĆticos estudantis, eu ia em busca desse āmeu mundo e nada maisā, que celebro agora ao lado de AlaĆde, uma intĆ©rprete que imprime uma emotividade absurda, a escolha fulminante para uma mĆŗsica que comeƧa com os versos āquando eu fui ferido, vi tudo mudarā.ā
Pianista na faixa, Guilherme Arantes conta que tentou abrir o maior espaƧo possĆvel na harmonia para chegar a uma levada āmais bluseira, mais Mississipi, na raiz do gospel americanoā. āIsso produziu uma sensação āem suspenseā dos acordes e, em consequĆŖncia, dos versos da mĆŗsica, dando Ć gravação uma carga mais dramĆ”ticaā, conclui.
āMeu Mundo e Nada Maisā ganhou uma capa assinada pelo quadrinista Camilo Solano, um dos grandes nomes da nova geração brasileira, que aproveitou registros caseiros do encontro de ambos no estĆŗdio para criar seu quadrinho.
O single chega para coroar a relação prĆ©-existente de AlaĆde e Guilherme, jĆ” que a intĆ©rprete lanƧou uma canção inĆ©dita do compositor em 2012. āBerceuseā foi escrita especialmente para ela e Ć© um dos destaques do aclamado āO que meus Calos Dizem sobre Mimā, produzido por Emicida, Pupillo e Marcus Preto, e vencedor do trofĆ©u de Melhor Ćlbum de MPB pelo PrĆŖmio da MĆŗsica de 2022, entre outras condecoraƧƵes.
AliĆ”s, em paralelo ao single com Guilherme Arantes, AlaĆde segue em estĆŗdio gravando repertório inĆ©dito para um segundo Ć”lbum com os mesmos trĆŖs produtores - Emicida, Pupillo e Preto - que tambĆ©m tem lanƧamento previsto para 2024.

