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  • Foto do escritorGuilherme Moro

Vamos aos fatos: o forró tomou o lugar do sertanejo?

Nos últimos meses, muito se foi noticiado sobre a perda de terreno dos artistas sertanejos nos rankings de músicas mais ouvidas do país. Os portais de entretenimento apontaram diversas causas para tal fato, desde a falta de shows na pandemia, até a maneira com que o gênero pouco se reinventou nos últimos anos.

No início de maio, artistas sertanejos ficaram de fora dos top 3 mais ouvidos do país, algo que não acontecia desde 2018. Com isso, quem ganhou espaço foram os artistas da pisadinha, funk e outros derivados.

Alguns meses após esse questionamento ser levantado, já é possível ver o gênero estabilizado e claro, se juntando a todos os outros estilos de música populares no Brasil.

Em entrevista ao G1, Wander Oliveira, empresário da WorkShow, um dos maiores escritórios especializados em gerenciamentos de carreira de artistas sertanejos, caracterizou a pisadinha como um gênero que não veio para ficar. Na contramão de suas próprias palavras, o escritório acertou em cheio quando apostou em John Geração, artista que fazia shows há 11 anos pelo nordeste. Com esse nome você não deve conhecer, né? Mas se eu disser John Amplificado, tenho certeza que você vai se lembrar. Pois é, a voz do hit “Chega e Senta”, quinta música mais ouvida no Brasil, foi totalmente arquitetada no escritório da Workshow, em um trabalho de preparação que durou cinco meses e que até mudou o nome do artista. Um grande exemplo de como o mercado sertanejo está se adaptando e ampliando seus horizontes.

Outro exemplo claro, é o feat de Barões da Pisadinha com Maiara & Maraisa no single “Zero Saudade”, mostrando que o sertanejo, assim como fez várias vezes, se mistura com muita facilidade à outros gêneros, o que é preocupante no sentido romântico da arte, pois as misturas acabam o deixando sem identidade própria, parecendo somente um enlatado de outros estilos musicais.

Por outro lado, não se pode ignorar o mercado que está se criando de artistas nordestinos, pois a plataforma Sua Música, que existe desde 2011, é a maior de conteúdo de música brasileira e está investindo e muito! Na última quarta-feira (22) eles assinaram um contrato milionário com Tarcísio do Acordeon e Vitor Fernandes, vencendo a concorrência de gravadoras multinacionais. Artistas como Nattan, João Gomes, Barões da Pisadinha, Tayrone, Xand Avião, Zé Vaqueiro e outros cantores estourados pelo Brasil, disponibilizam suas músicas no site.

Voltando ao sertanejo, o estilo tem a logística mais bem organizada do país, tanto em estruturas para shows e eventos de grande porte, quanto em estratégias de divulgação e investimentos em novos artistas. O problema é que ainda em pandemia, não se é possível realizar shows e investir em novos artistas passou a ser um tiro no pé. Será mesmo? Bom, o forró e a pisadinha estão aí para mostrar o contrário. Quantos novos artistas surgiram em meio a pandemia? Muitos, tanto é que muitos deles, devido ao isolamento social, não conseguiram realizar sequer um show e estão estourados nos quatro cantos do país.

A verdade é que o mercado sertanejo, ficou de certa forma perdido sem os shows e demorou a criar novas estratégias, enquanto o forró soube se aproveitar lançando novos nomes para o cenário nacional. Em entrevista ao canal Prosa do Sertanejeiro, Sorocaba, da dupla com Fernando, comentou que o forró e a pisadinha cresceram nas vulnerabilidades do sertanejo.

A questão divide opiniões entre os próprios artistas. Em entrevista ao Blog Música Boa, a dupla Hugo & Vitor falou sobre a ascensão destes gêneros:

“O que acontece no meio é um êxodo musical. Quando 'estoura' algo todo mundo grava. Toca muita coisa igual nas rádios. Fazer parcerias é algo maravilhoso, mas acho que o sertanejo tem que acreditar mais nele também. O nosso som é muito isso. Nós seguimos nossa verdade”, comentam.

Já a dupla Neto & Felipe não concorda que o gênero perdeu espaço:

“O sertanejo é uma cultura de massa. A gente não o vê perdendo espaço. O sertanejo tem essa facilidade para se juntar a outros estilos, é muito bem estruturado, pois existe um circuito muito bem montado. É muito difícil bater o sertanejo. Mesmo as duplas que tocam a pisadinha tem a hora da viola e do resgate às raízes”.

Fato é que há espaço para ambos e com a retomada dos shows, a tendência é de que o sertanejo volte à estaca máxima de sempre e o forró se consolide de vez.


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