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  • Foto do escritorGuilherme Moro

Uma mulher e sua história: Nico Antonio e os Filhos do Mar lançam o EP Rabo

De forma a vislumbrar cena a cena com a intensidade vivida nos bastidores, estar atento aos recortes para a costura do todo é fundamental. Narrativas de peso, no fim das contas, requerem fôlego dos olhos visitantes. Venho contar uma história: este momento é sobre uma mulher e como renasce da própria força.


O grupo paulista Nico Antonio e os Filhos do Mar segue o curso da ópera canção O Paquiderme, obra dividida em seis volumes. No fundo temático, som e letra vão compondo a história da nossa protagonista, uma mulher que se refaz depois de tantos traumáticos abalos. Agora chegou a vez do lançamento do penúltimo capítulo da história no quinto EP, Rabo, que sai em todas as plataformas no dia 4 de junho.


Divulgação

Fomentado pela ProAc de São Paulo, o projeto vem tomando forma ao longo de seus volumes para contar ao mundo a história de uma mulher, das suas quedas e seu renascimento. Pensado como um quebra cabeça narrativo, O Paquiderme desmonta os bastidores de uma vida com precisa delicadeza sonora para o mergulho numa trama lírica repleta de desafios e perdas.


Os volumes de EPs d’O Paquiderme vão montando a figura do grande animal: Tromba, Orelha, Tronco, Patas e, onde está agora, Rabo. Através das mudanças e dificuldades da personagem central, inspirada em dona Leni Rocha, que cuida das narrações na obra, podemos acompanhar a construção de uma delicada escrita sobre uma história de força e resiliência.

Regados a todo tipo de inspiração, o grupo paulista não deixa a desejar em seu primeiro grande trabalho e já demonstra um elevado estudo musical, literário e performático. O mergulho em referências de peso é profundo e vasto: de Chico Buarque a Rick Walterman, de Tom Jobim a Conceição Evaristo, de Milton Nascimento a Cantoria (renomado projeto de Geraldo Azevedo, Xangai, Elomar e Vital Farias).

No novo EP, Rabo, pode-se assistir a um caminho de adaptação a um recanto urbano desconhecido e temeroso no que oferece, apresentando todas as injúrias sobre uma adequação num lugar que parece não nos caber. São três canções: “Chuva”, “O trem e o elefante” e “Lama”. No panorama sonoro dessa etapa, sobrevoamos pela passagem trôpega e traiçoeira do tempo em “Chuva”, desvirtuando o senso de continuidade.


“O trem e o elefante” traz uma dor em comum: os conflitos que nos subjugam entre o que é interno e o que é externo. Linhas como “tô tão cansada/ nem vou jantar” completam-se ao entoar “já nem sei mais como é o mar”. É o puro cansaço da confusão, é o desespero em voz branda. Desespero este que fica claro em “Lama”, faixa que encerra o EP Rabo num canto difônico com direito a baião corrido e didjeridu.

Nada é por acaso na construção de O Paquiderme. A conversa dos instrumentos, os sentimentos ligados a cada um deles, a escolha e encontro de vozes, tudo é deixado em seu lugar para nos contar dessa mulher e da resistência do feminino num mundo agressivo. Como num intenso experimento sensorial e aprendizado de peso simbólico, O Paquiderme de Nico Antonio e os Filhos do Mar é uma obra de fôlego que se aproxima cada vez mais de seu último lançamento, o EP Presas.


Além dos EPs, a narrativa também vem ganhando os capítulos do que irá resultar num álbum visual. O filme do quinto EP, Rabo, será lançado no dia 18 de junho.

 

Anna F. Monteiro

Assessora de Imprensa

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