• Guilherme Moro

Mokambo amadurece sonoridade rock, blues, pop e folk em plural primeiro EP, “Sobrevida”

Depois de canções onde mostrou sua forte veia lírica e uma sonoridade ao mesmo tempo intensa e solar, a banda carioca Mokambo faz um pop rock urbano que dialoga com questões atuais sob o prisma do blues e do folk. Isolamento, saúde mental, solidão e amor permeiam as letras do EP de estreia, “Sobrevida”, já disponível para streaming.



Com canções compostas por Bruno Leiroza e Júnior Abreu durante o ponto alto da pandemia, o trabalho não tenta traduzir os dramas daquele momento em música. Ao invés disso, Mokambo faz faixas atemporais sobre dilemas humanos universais, tocando em feridas sociais e buscando caminhos para seguir em frente.


A estética sonora é um resgate do pop rock do fim dos anos 90 e do início dos anos 2000, remetendo a artistas como The Wallflowers e Sheryl Crow. A sonoridade une o violão folk de aço à guitarras com saturações características de amplificadores movidos a válvula.


Além do single “Paladar”, que versa sobre o peso da rotina nos relacionamentos, o EP conta com as faixas “Eu não sei caminhar tão só”, “Rascunhos e versos”, “Só pra ter o seu amor de volta” e “Blues brasileiro”. Esta última é uma homenagem aberta ao gênero, em especial aos trovadores nacionais, com participações de Sonja (vocais) e Raphael Castrol (baixo), nomes de referência no blues carioca.



Sobre a banda:

“Mokambo” significa cabana, refúgio na mata para os negros escravizados, quilombo. A palavra que nomeia o grupo é uma referência à raiz que corre por suas veias e ecoa no som, primordialmente negro.


O trio embrionário se reuniu pela primeira vez no Rio de Janeiro em 2019, cantando o cotidiano da vida, dos relacionamentos, do amor, da crítica, buscando entre palavras e sons uma reflexão para esse turbilhão de sentimentos.


Durante a pandemia, a Mokambo seguiu respirando e Bruno Leiroza (voz, guitarra e gaita) continuou compondo e articulando com Pablo Rodrigo (bateria) o retorno aos palcos e à “nova vida normal” pós-quarentena. Chegaram Budah Marcio (baixo) e Rafael Lima (guitarra) para completar a formação.


O EP vem na esteira do impactante single “Não Consigo Respirar”, uma composição que coloca em primeiro plano o DNA da banda - um grupo orgulhosamente formado por músicos negros. O título do single é uma referência clara aos assassinatos de Eric Garner e George Floyd pela polícia nos EUA, mas que traz o debate do racismo para o Brasil de João Pedro, Miguel, Amarildo.