Marcos Maynard divulga documento que comprova sua inocência em caso de fraude na EMI

19 anos após ser afastado da presidência da EMI Music Brasil por suspeita de envolvimento em uma fraude contábil, o executivo Marcos Maynard divulgou em suas redes sociais um documento que reconhece sua inocência e a injustiça da demissão por justa causa.
A publicação foi feita em cumprimento a uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de fevereiro desta ano, que confirmou que Maynard não teve participação nas irregularidades financeiras que motivaram sua dispensa em 2006. O comunicado da EMI, divulgado nesta semana, declara que a Justiça do Trabalho “entendeu como injusta a dispensa do Sr. Marcos Macedo Maynard e reconheceu a ausência de sua participação nas manobras contábeis envolvendo a EMI Brasil veiculadas na mídia em outubro de 2006”.
Em 2006, a EMI, então uma das maiores gravadoras do mundo, anunciou a abertura de uma investigação interna após identificar fraudes nos resultados financeiros da subsidiária brasileira, comandada à época por Marcos Maynard.
Segundo reportagens publicadas naquele ano, as inconsistências teriam inflado artificialmente as vendas no Brasil, resultando em um impacto de até 12 milhões de libras (cerca de R$ 48 milhões) nos números globais do grupo.

A empresa comunicou à matriz, em Londres, que havia encontrado “sérias inconsistências nos registros contábeis e resultados financeiros” atribuídas ao diretor vice-presidente financeiro e comercial. O então presidente, Maynard, foi desligado por correspondência, acusado de negligência por não ter reportado as movimentações irregulares.
A EMI alegou que o episódio provocou prejuízos no Brasil e no exterior, incluindo repercussões nas ações do grupo na Bolsa de Valores de Londres.
A reversão da justa causa
A disputa judicial teve início logo após a demissão. Neste ano, a 68ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro reverteu a justa causa, entendendo que o presidente não poderia ser responsabilizado pelas irregularidades cometidas por outro executivo. A sentença também determinou que a EMI, hoje representada pela Universal Music, publicasse uma retratação em jornais de grande circulação,
A primeira decisão previa um multa de R$ 1 milhão a Maynard. Mas o TST entendeu que não houve danos morais comprovados.
Maynard, que é músico, advogado e administrador de empresas, construiu uma carreira sólida no mercado fonográfico brasileiro, tendo presidido a Polygram, a Abril Music, além da EMI.
O fim da EMI e o contexto da época
O escândalo de 2006 ocorreu em meio a uma fase turbulenta para a indústria, que enfrentava queda nas vendas de CDs e reestruturações internas devido à transição para o mercado digital. A empresa, que detinha catálogos históricos de artistas como The Beatles, Queen e Pink Floyd, acabou sendo vendida em 2012, quando a Universal Music Group adquiriu seu acervo fonográfico e a Sony/ATV ficou com o braço editorial.



