• Guilherme Moro

Laura Finocchiaro apresenta seu novo álbum: “Oxigênio”

Em tempos de pandemia, em que encontros e abraços tornaram-se rarefeitos, em que tantos perderam o fôlego, e outros tantos perderam o gás, eis que encontramos as boias de salvação em balões de arte, em cilindros de afeto comprimido. Eis que sobrevivemos e enchemos os pulmões para cantar: “Oxigênio”. Este é o novo álbum da cantora, compositora, multi-instrumentista e produtora musical Laura Finocchiaro, que será lançado no dia 19 de novembro, em todas as plataformas de streaming.


Distribuído pela CD Baby, “Oxigênio” é mais um lançamento da Sorte Produções, empresa de Laura Finocchiaro, que comemora 40 anos de carreira independente em 2022. “Ser artista independente no Brasil é uma forma de resistência. Não há políticas públicas que nos contemple”, comenta Laura, que segue em suas batalhas na música e na vida, fora do mainstream, e contra o machismo e a homofobia.



O projeto começou pouco antes da pandemia, em janeiro de 2020, e seguiu com o lançamento de cinco singles – "A vagar", que saiu em março de 2020, "Asfixia" (maio/2020), "Minas Sonoras" (novembro/2020), "Hino à diversidade" (julho/2021) e "Vírus" (agosto/2021) – servindo de esquenta para a chegada de “Oxigênio”.


O álbum preparado pela artista funciona como um kit de sobrevivência em que a vacina é musical, os cilindros verdes defendem a natureza, os medicamentos chegam em potes de diversidade e igualdade, e os leitos são plenos de amor. Afinal de contas, a música é apenas um instrumento que Laura Finocchiaro utiliza para dar voz a seus anseios e lutar por seus ideais. A música é o canal pelo qual a artista bota em pauta questões fundamentais para ela, como igualdade, diversidade, defesa da natureza, justiça social e – o que une tudo – o amor.


Laura criou e gravou “Oxigênio” em seu home studio, ao longo do ano de 2020, como forma de resistir à pandemia da Covid 19. Foi um trabalho solitário, em que a artista gravou vários instrumentos – guitarras, baixo, teclados, sintetizadores, samples –, cantou e criou texturas sonoras. E mais: Laura escreveu todos os arranjos, assina a produção e a direção musical. Só a mixagem e a masterização foram feitas por outros profissionais. Francisco Patrício foi o responsável pelas mixagens. Já a finalização do álbum foi feita este ano, em Miami (EUA), com a masterização do supercraque Carlos Freitas, da Classic Master.


O álbum traz 11 faixas e mais quatro faixas bônus. Nove canções foram compostas durante a pandemia, com diversos parceiros. As outras duas são “Chapéu” – de 1982, quando Laura musicou os versos da poeta e publicitária Leca Machado, sua parceira frequente – e “Hino à diversidade”, regravação da canção feita por encomenda, especialmente para a Parada Gay de São Paulo, nos anos 1990, em parceria com Glauco Mattoso e Roberto Firmino.


A produção pandêmica de Laura Finocchiaro foi intensa. Uma das faixas “Mulher Maria”, ela fez especialmente para sua companheira Maria Esperidião, jornalista que escreveu a letra de “Da Paz”, parceria das duas, que também está no álbum “Oxigênio”. "Mulher Maria" foi inspirada em Maria, mas é uma canção composta para valorizar a mulher, “todas as Marias dessa vida, por isso também escolher um nome popular e bíblico como simbolismo da mulher que tem poder e garra”, ressalta Laura. Já a canção "Da Paz" fala sobre a dor de perder alguém que se ama. Uma reflexão sobre o sentido da vida e da morte. Um questionamento tão atual em tempos pandêmicos!


Laura é uma artista de afetos. Então, nada mais natural do que compor com pessoas que fazem parte de sua vida pessoal e de sua trajetória independente na música durante quatro décadas. Só assim, entre afetos, pôde compor retratos da dura realidade pandêmica – em que doença e desgoverno causaram sofrimento em mais de 600 mil famílias brasileiras. Só mesmo de mãos dadas a companheiros de vida e luta, Laura Finocchiaro teve forças para compor canções duras como "Vírus" e “Asfixia”, em parceria, respectivamente, com os jornalistas João Luiz Vieira e Flávio Paiva.


“...Não desapareci nas sombras da arte, do amor, de tudo que cura...” (“Asfixia”)

Foto: Marian Startosa

Falando em amizade, um dos destaques é “A vagar”, parceria dela com o saudoso poeta Jorge Salomão, que ela acompanhou no hospital em seus últimos dias de vida e luz. Luz que ele deixou iluminando o trabalho de Laura. Esta música foi a primeira deste projeto a ser produzida. Justamente por causa do estado de saúde de Jorge Salomão. E foi para homenageá-lo que ela decidiu lançar “A vagar” como primeiro single, marcando esta nova proposta musical: “uma música visceral, construída sobre harmonias contundentes, criadas sobre camadas de texturas sonoras. Uma música inspirada no dia a dia traduzida em forma de poesia, repleta de melodias, contracantos, ritmos diversos e timbres sintéticos, numa sonoridade assumidamente eletrônica, pop e livre de qualquer rótulo ou gênero musical”, explica Laura.


Também fruto de amizade é a faixa “Minas Sonoras”, nome do coletivo que Laura formou com Ana Martins, que fez a letra da música, e Patricia Mellodi. As duas participam cantando no registro da canção.


Completam o álbum as faixas “Nonsense”, mais uma feita a quatro mãos com Leca Machado; “Amora”, que fala de injustiça social e sofrimento feminino, parceria com o baixista Hans Zeh, que também assina "Trans" – uma denúncia contra a transfobia –, com Laura e J. Caminha. Hans, aliás, toca baixo nessas duas faixas e em “Hino à diversidade”, e participa com arranjos, grooves e sintetizadores, além de produzir e mixar com Laura estas três faixas.


O álbum conta ainda com participações especiais: Ana Martins e Patricia Mellodi em “Minas Sonoras”; Bozo Barreti, arranjador das cordas em “Hino à diversidade”; João Parahyba, que gravou os grooves e samples na faixa "Vírus"; Marcelo Gallo no remix de "Amora” e Artur Rodrigues, responsável pelas flautas em "Da Paz" e "Hino à diversidade".


Depois de tanto tempo em confinamento, já vacinada com duas doses, Laura Finocchiaro sente-se finalmente com fôlego para lançar este trabalho. Afinal de contas, é hora de viver, de compartilhar, de respirar “Oxigênio”.