• Guilherme Moro

Joice Terra abraça a música brasileira no disco “De(Vagar)”

A estreia fonográfica da cantora e compositora mineira Joice Terra aconteceu com o EP homônimo, em 2017. Desde então, lançou cinco singles, e em abril deste ano, o seu disco de estreia, que consolida sua face compositora. "De(Vagar)" tem nove faixas, quase todas compostas por Joice, sob a ótica musical do produtor Peter Mesquita.



Em ato de inovação, criatividade e respeito à ficha técnica, Joice também disponibilizou o encarte digital do álbum, algo incomum no mercado. O trabalho está nos streamings desde o dia 5 de abril, com dois clipes no Youtube. Com apoio do concorrido ProAC, haverá a filmagem do show, no dia 24 de maio, e a gravação estará disponível nos próximos meses.


Sem uma única temática e livre em relação gêneros musicais, o álbum inicia com "Tem Que", última a entrar no repertório, mas escolhida como a primeira faixa por retratar os extremos da vida: o contraste entre os piores e os melhores momentos, o que representa a oscilação poética do álbum. "Tem Que" também é uma crítica ácida à imperfeição imposta pela sociedade, exigência atualmente implícita nas redes sociais.


Crédito: Ramos Fotografia / Divulgação

Em contrapartida a essa áurea sombria, está a próxima faixa, “Leveza”. De sonoridade leve, os versos são sobre auto encontro, como caminho saudável para conhecer o outro. Na sequência, duas canções que dialogam entre si, são referências a sua história de vida e de seus familiares. "Pequena" é uma homenagem à difícil vida de sua mãe Cristina. Já "Menino" homenageia o pai José, assim como relembra a própria infância da cantora, suas raízes e o encontro com a sensibilidade artística.


Em seguida, a alegre e otimista canção "Lonjura" é sobre um amor que começou a distância, com arranjo aquém do comum: dois contrabaixos, um pandeiro e um piano. Depois, "Muda a Dança" traz a participação vocal do produtor e parceiro de composição Peter Mesquita, num dueto que aborda a inconstância da vida e suas possibilidades.

A sétima faixa, "Minha Sorte", tem o azar como tema e o batuque como base da percussão. A música inicia com "Sorte, você tem?", um texto curto de Joice que antecede a composição do casal Rita Altério e Rafael Altério. Já a oitava faixa, a que dá nome ao álbum, Joice traz a sonoridade mineira, com letra sobre ir lento em um mundo acelerado, e, com isso, reconhecer o valor e os caminhos proporcionados. Por fim, a faixa de encerramento, "Acalma o Tempo", é musicalmente sinônimo de calmaria, mas com letra de encorajamento.