• Guilherme Moro

Janu une piseiro, lambada, guitarrada, arrocha, indie e dream pop em álbum

Janu faz da sua música um mergulho pessoal, regional e universal, onde ritmos, estilos, líricas e sotaques se multiplicam e se combinam de modos inesperados. O novo disco, “Miolo do Oxente”, traz no título a intenção de entrar a fundo nas suas raízes, e ainda ir além. Sem se limitar aos estereótipos de um nordeste plural, ele une ritmos locais a outros vindos de longe. O resultado é uma coleção de canções habitadas por personagens e histórias que ampliam o escopo sonoro e lírico já apresentado no primeiro álbum, “Lindeza”.



O álbum foi um inevitável produto da pandemia. Embora estivesse projetada antes do isolamento, a gravação ocorreu à distância, com Janu e Paulo Franco - cantor e músico da banda Gato Negro e prestes a lançar seu trabalho solo - se dividindo entre a produção musical e a gravação de todos os instrumentos. Entre idas e vindas digitais, foram se formando beats, harmonias e experimentações.


“Algumas músicas, como ‘Vey’, ‘Direção’, ‘Só’ e ‘Miolo do Oxente’ seguem muito das inspirações no pop em seu sentido amplo - tanto no indie como na música popular mesmo. São misturas de arrocha e dream pop, piseiro e lambada francesa, guitarrada árabe e bregafunk. No disco tem de tudo isso. A ideia inicial era esse estudo sobre os pops - o pop pop e o pop popular”, resume Janu.


Já canções como “Viver é Massa” e “Dados Binários” têm mais traços experimentais, com inspiração na neopsicodelia. Um exemplo disso é “Caiu no Poço”, que se inicia com um arranjo de “I am the Walrus”, dos Beatles, e uma inspiração em MGMT e Mané do Rosário - manifestação cultural tradicional de Alagoas. A faixa encapsula a ideia por trás do disco: explorar novos limites da canção e da musicalidade para além das expectativas.



O lançamento vem na esteira de um resgate feito por Janu do repertório de seu primeiro álbum, “Lindeza”, em um show gravado ao vivo. Agora, o músico está pronto para uma nova fase criativa.


Janu vem se tornando um expoente do efervescente cenário independente alagoano a partir de Arapiraca. O músico já acumula uma vivência musical que o projetou para plataformas de alcance nacional com o EP “Matuto Urbano” e músicas como “Perdi La Night”, que integra a trilha sonora do filme “Morto Não Fala” (Denninson Ramalho, Globo Filmes), e “Teu Sorriso” - esta última marca presença no filme “O Retirante”, do alagoano Tarcisio Ferreira, e no especial de 80 anos de Pelé.


Com “Miolo do Oxente”, Janu olha para frente, sem deixar de reverenciar suas origens. “Esse é um disco que versa muito sobre caminhos, direção, retomada”, sentencia. O novo álbum está disponível para streaming nas principais plataformas.

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