• Guilherme Moro

Inocentes mostra a importância de sua obra com duas faixas inéditas

Atualizado: 1 de ago.

No possível ano eleitoral mais tenso de toda a história do Brasil, a arte tem como papel protestar, defender e deixar bem claro de que lado está. Não poderíamos esperar outra coisa do grupo Inocentes, liderado pelo emblemático Clemente Nascimento, que lançou o EP "Queima", nesta quinta-feira (28), com recados bem claros e reflexões importantes.



Se engana quem pensa que a faixa-título, "Queima", só fala sobre política. Isso porque a canção aborda, em um contexto geral, temas que indagam todos os cidadãos do Brasil e do mundo, mas claro, fazendo uma clara crítica ao extremismo que se espalha ao redor do globo.


Completando o "lado b" do EP, que se fosse lançado há 40 anos atrás seria um compacto simples, temos a divertida "Vou Ouvir Ramones", uma faceta diferente abordada pelo grupo de punk rock paulistano. Quem assume os vocais da canção, é o guitarrista Ronaldo Passos, que também assina como compositor da faixa. Segundo o próprio Clemente, Ronaldo tem uma facilidade em ploriferar um humor ácido, coisa que ele não conseguiria fazer.


Foto: Fernando Rocha

Apesar dos temas entre as duas músicas componentes do EP serem distintos, uma coisa em específico unem as duas obras: o resgate da sonoridade punk rock paulista que fez e faz a cabeça do Inocentes até hoje. As duas faixas são de fato intensas e podem ser consideradas verdadeiras pancadas.


Para se ter uma ideia, as duas músicas, quando juntas, não ultrapassam quatro minutos de duração. Quem tem o mínimo conhecimento sobre punk rock, sabe que músicas longas não são características do gênero. Isso só mostra que quando o recado é bem dado, não é necessário estender a mensagem. É como diz o ditado: para bom entendedor, meia palavra basta.



"Queima" veio pra mostrar o quão importante é para a cultura brasileira, ter uma banda como o Inocentes ativa e mais viva do que nunca. É o tipo de banda que fala o que está bem debaixo de nossos olhos, mas não conseguimos ver, ou fingimos que não vemos para não acreditar.


A sonoridade visceral do trabalho também tem os méritos de Michel Kuaker, produtor musical aclamado e reconhecido por artistas da cena.


Não poderia deixar de citar que o EP também está disponível em NFTs, colecionáveis e que podem ser negociados. Uma prova de que, apesar do resgate, a banda segue se adaptando às novas formas de consumir e acompanhar a carreira de um artista.


E como o próprio Clemente afirmou: “O Inocentes está vivo e produzindo”.