• Guilherme Moro

Haroldo Bontempo explora novos limites da MPB no segundo álbum

Música brasileira, latina, choro e bossa servem de ponto de partida para as explorações musicais, estéticas e poéticas de Haroldo Bontempo em seu segundo álbum de estúdio. O trabalho autointitulado é um mergulho pessoal e memorialista que busca as referências do passado para mirar um futuro não muito distante onde amor e protesto, esperança e família se fundem em forma de música. O homônimo disco já está disponível nas plataformas de streaming pelo selo yb music.



O novo disco de Haroldo Bontempo é o primeiro passo em sua carreira solo após a bem recebida estreia “Músicas Para Travessia”. O trabalho teve dois single revelados - “Lamento de Solidão”, com Mariana Cavanellas e Lucca Noacco; e “Brasil, 17h”, também com Cavanellas - e segue o amadurecimento estético e lírico do artista para além dos gêneros que sempre guiaram suas experimentações musicais. Além disso, com a banda Mineiros da Lua, Haroldo já lançou também os discos “Queda” (2019) e “Memórias do Mundo Real” (2021), e o EP “Turbulência” (2017), ganhando destaque em nível nacional. Ainda acompanha como guitarrista o cantor e compositor mineiro Arthur Melo.



O novo álbum inaugura o próximo capítulo na trajetória artística de um criador inquieto. Compondo desde os 12 anos e atuante na cena alternativa belorizontina, Haroldo agora mostra toda uma coleção de canções próprias e inéditas. Nesse processo, ele recorreu a novos e familiares colaboradores. O disco conta com participações especiais de nomes como a banda capixaba Chorou Bebel, a rapper Nabru e Vinicius Mendes Rodrigues.



Haroldo faz das suas canções solo um reflexo de seu momento, sempre pelo prisma emocional e pessoal. Ao longo de 9 faixas autorais e uma releitura (“Blues Chilango”, de Juan Wauters), o artista canta amores e dissabores, despedidas e reencontros. Os arranjos sofisticados acompanham letras onde Bontempo se reconecta com suas raízes, refletindo sobre seu lugar no mundo, indo sempre do micro para o macro, do indivíduo para o coletivo. Esse forte caráter pessoal e autobiográfico acabou determinando o nome do álbum, homônimo ao seu criador.


Isso fica claro em faixas como “Esperança”, que fala abertamente da rejeição de um amor, enquanto “Pirraça” e “Lamento de Solidão” abordam a superação - esta última é uma composição de Lucca Noacco que tem letra de Haroldo. “Menino Espuleta” e “Victor, Miguel e Marina” são sobre família: “o ‘menino espuleta’ é o meu irmão mais novo, Gabriel, e Victor, Miguel e Marina são meus sobrinhos”, entrega Haroldo. “Brasil, 17h” narra o desgaste diante dos lutos e lutas do dia-a-dia. “Ensaio sobre a Culpa” é uma composição de Bontempo que ganhou letra de Gabriel Elias. “Viação Sertaneja” é uma experimentação dedicada ao ônibus que o músico usa para ir de Belo Horizonte para Pompéu e vice-versa. Até mesmo o cover de Juan Wauters traz essa forte conexão com o cotidiano.