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  • Guilherme Moro

Funmilayo Afrobeat Orquestra divulga seu primeiro álbum de estúdio homenageando mulheres negras

Funmilayo Afrobeat Orquestra, primeira banda de afrobeat brasileira formada somente por pessoas negras, mulheres e não binárias, lança seu primeiro álbum, ‘Funmilayo’, em todas as plataformas digitais. “Essa estreia é uma façanha!



É o resultado de um processo coletivo de uma banda que se constituiu meses antes do mundo ser atravessado pela pandemia, num momento de medo generalizado e num governo caótico e autoritário que realizou imensos cortes na área da cultura e da educação. Apesar de todo o contexto jogando contra, esse disco vem ao mundo carregado de amor e vida, no intuito de ser semente”. O nome da banda foi escolhido como forma de homenagear Funmilayo Anikulapo Kuti, professora, política militante, uma das ativistas mais importantes, tendo liderado a luta das mulheres por liberdade, pelo direito ao voto e por justiça social. Formada por Rosa Couto, Stela Nesrine, Jasper Okan, Sthe Araujo, Afroju Rodrigues, Ana Goes, Tamires Silveira, Vanessa Soares, Larissa Oliveira, Bruna Duarte e Priscila Hilario, Funmilayo Afrobeat Orquestra é conduzido por uma sonoridade que perpassa a ciranda às músicas de terreiro.

“Esse disco surgiu pela vontade e ímpeto de homenagear mulheres negras brasileiras que representassem a luta pela igualdade. Para isso, escrevemos um projeto – posteriormente inscrito e contemplado pelo Rumos Itaú Cultural – que propunha um estudo sobre essas mulheres, ações diretas com o público e imersão para o processo de composição”.

O álbum com 10 faixas foi gravado gratuitamente no Estúdio Experimental da Faculdade de Tecnologia de Tatuí-SP, acompanhado por uma equipe majoritariamente feminina, composta por estudantes do curso de Produção Fonográfica daquela universidade. Além disso, contou com a direção musical do músico e compositor Allan Abbadia - que atuou com nomes como Elza Soares, Zeca Pagodinho, Baby do Brasil, Mano Brown, Racionais MC’s, Emicida, Liniker, Luiz Melodia, Beth Carvalho, Jards Macalé e Moacyr Luz. 'Ori' é uma faixa ritual de abertura, com texto composto por Rosa Couto, declamado por Vanessa Soares e acompanhado pelas percussionistas Afroju Rodrigues e Sthe Araújo. 'Ondina', a segunda do álbum, tem letra de Jasper Okan, com arranjos criados coletivamente. Essa faixa conta a trajetória da preta velha Ondina, na luta pela liberdade através da fuga. 'Ciranda' foi composta coletivamente, a partir da harmonia proposta por Tamiris Silveira e letra de Rosa Couto. Para e respira: um afrobeat ao estilo dos anos 1970, com letra e voz de Ana Góes. Aaliyah é a única faixa instrumental do disco, composta por Tamiris Silveira. 'Fruta Semente' tem construção coletiva a partir da melodia e da letra criadas por Larissa Oliveira. Conta com a participação de Josy.Anne na voz e na caixa.

'Wikipreta' é de autoria de Stela Nesrine e Monna Brutal, que também faz uma participação - “é um jab direto no queixo”, diz Rosa Couto. 'Manifesto' parte de uma composição original de Afroju Rodrigues. A letra é um manifesto contra as opressões que os corpos femininos, negros, lgbtqiap+ suportam na lógica da colonialidade.

'Luvemba' surge a partir de uma composição de Jasper Okan e conta sobre a travessia e o firmamento, numa terra de encruzilhadas, de cultura negra, de encontro com os povos de Abya Yala (na língua do povo Kuna, “terra madura”, “terra viva”, “terra em florescimento”, sinônimo para América). A música que fecha o disco, 'Nascer para Dentro', é de Ana Goes - um mantra e um chamado para o autoamor e cuidado, como uma viagem interior pelo caminho do reconhecimento, principalmente considerando a necessidade de transformação da experiência negra de auto negação. “A de luta, de ímpeto de transformação, de raiva, de luto, mas principalmente, a de resistência e crença no coletivo”. Marcando a estreia, um show acontece no próximo dia 18/12, domingo, às 20h, na Sala Olido. As entradas serão gratuitas, com retirada de ingresso 1h antes da apresentação.

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