• Guilherme Moro

Fenômeno da MPB, Cris Romagna fala da importância das narrativas musicais no seu trabalho

O que são narrativas musicais? Não é só na literatura que uma boa história é necessária. No meio musical, ela se faz cada vez mais presente e necessária. Não só para atingir o público, como para reforçar a identidade e a mensagem do artista. Foi-se o tempo em que música era só letra, melodia e harmonia, hoje além desses elementos é fundamental desenvolver uma narrativa para amarrar canções, lançamentos e principalmente engajar nas plataformas digitais e nas redes sociais.


Para isso, o primeiro passo é ter uma estratégia bem definida. O cantor e compositor, Cris Romagna, sabe bem disso. Em 2021, para o lançamento do seu EP “Cadê Você”, ele usou uma estratégia phygital, que mesclou o físico com o virtual ao longo do ano. Nesse caminho apostou na escuta afetiva e na tecnologia para estar mais próximo do público e divulgar o seu trabalho em um momento tão atípico para todos. Com os shows suspensos, ele criou o KitLeva, composto por um café, uma cerâmica artesanal e uma cartinha personalizada, na visão do artista, a maneira ideal para apreciar uma boa música. A cada novo single, foram cinco ao longo do ano, o kit era customizado de acordo com temática da canção e os fãs puderam comprá-los ou presentear alguém especial com essa experiência. Para o lançamento do último, que dá nome ao EP, Cris Romagna enviou um cartão postal junto com o KitLeva com uma tecnologia inovadora no mercado, em que a pessoa apontava o celular para a imagem e o cantor aparecia em realidade aumentada (como um holograma), convidando-a para ouvir a canção. O cartão ainda poderia ser enviado para outros conhecidos e ampliar ainda mais essa divulgação.



“A divulgação foi minuciosamente pensada para conectar todas as pontas que envolvem um lançamento, desde o cuidado com a recepção da música ao uso de uma tecnologia inovadora. A tônica do projeto é presentear pessoas com a experiência. Para agregar e humanizar, convidei pequenos produtores locais para participarem e circular a economia criativa. Essa foi a forma que encontrei de estar mais próximo das pessoas”, afirma o cantor.

Todo esse processo mostra alguns elementos que envolvem a narrativa musical e ajudam no discurso do artista, na sua identidade e na comunicação. É uma ferramenta cada vez mais usada para contextualizar um trabalho, momento ou projeto especial. O público abraçou o projeto e fez uma verdadeira corrente do bem. O retorno foi tão satisfatório que o cantor promete muitas novidades para 2022!


Sobre Cris Romagna

Cris Romagna é um apaixonado pelas coisas simples da vida. Em suas lembranças da infância, sempre estava cantarolando, mas a paixão pela sonoridade da guitarra falou mais alto, aos 10 anos, começou a se dedicar ao instrumento do coração. Uma grande viagem por vários ritmos e por bandas de bailes lhe renderam um vasto repertório e um grande conhecimento sobre si mesmo, até se encontrar com o violão e com a nova MPB.

Em todos esses anos de estrada percorrida, a música se fez cada vez mais presente e a vontade de criar ficou latente. Em 2015 lançou a carreira solo e em 2016 teve a ideia de compor músicas inspiradas nos temas do CreativeMornings (encontro mensal com café da manhã e palestra inspiradora para a comunidade criativa), já são mais de 50 canções compostas para este projeto.


Com dois discos lançados, sendo eles, ISO, em 2015, e Sombra do Vento, em 2018, Cris passa por um novo momento de sua carreira, em que a liberdade criativa que o alimenta e permeia seu trabalho atualmente, pode ser vista no seu recente EP “Cadê Você”.