• Guilherme Moro

Fagner interpreta canções que escreveu ao lado de Belchior em álbum histórico e eterno

Algumas parcerias sempre se reencontram de alguma forma ou outra. Dentre tantas os motivos que podem levar essas pessoas a ter um novo encontro, o que as uniu nos primórdios é sempre o que fará a recuperação deste elo.



A música reuniu Fagner e Belchior, mesmo após a morte do Rapaz Latino Americano, em um álbum que celebra essa curta, mas importante parceria da música brasileira: "Meu Parceiro, Belchior". Fagner interpreta as canções que marcaram a parceria entre os dois, além das canções inéditas "Alazão" e "Posto Em Sossego", que foram descobertas pelo jornalista e pesquisador Renato Vieira, após buscas no acervo do Arquivo Nacional. As faixas foram censuradas pelo Regime Militar (1964 - 1958) e por isso nunca foram lançadas anteriormente.


O álbum será lançado logo mais, às 21h, pela Universal Music e se torna ainda mais especial com as participações de Amelinha, Frejat e Xand Avião.


Os músicos foram parceiros em nove canções e entre as grandes mais belas composições, estão "Macuripe", interpretada por Roberto Carlos, Elis Regina e pelos próprios autores, e "Noves Fora", gravada por Wilson Simonal e também por Elis. As duas entraram para o repertório do álbum.


Foto: Washington Possato

Apesar de todas as faixas terem belas interpretações e momentos de destaque, "A Palo Seco" rouba a cena com o duelo das duas maiores estrelas deste disco.


Se hoje temos uma obra tão importante para a continuidade do legado de Belchior, que há muitos anos é regravado por diversos artistas, Robertinho de Recife, um dos maiores produtores e guitarristas do Brasil, é o responsável por isso.


“É um projeto do produtor Robertinho de Recife. Ele tem essa ideia há muitos anos e calhou de ser realizado na Universal, a gravadora dos meus primeiros discos e a que o Belchior lançou sua obra prima (Alucinação). No trabalho, descobrimos músicas inéditas, resgatamos outras de sucesso e até deixamos de gravar algumas, mas foi uma forma de contemplar minha relação e parceria com o Belchior. Trouxemos as músicas para um contexto da atualidade, é um momento oportuno para resgatar nossa história”, disse Fagner em coletiva de imprensa.


O lançamento do álbum ocorre justamente na data em que Fagner comemora 73 anos de idade.


Capa do álbum "Meu Parceiro Belchior"

Não é novidade que a relação de Belchior e Fagner nunca foi de amizade. Eles faziam parte do Pessoal do Ceará e eram parceiros de composição. Isso não significa que tudo o que viveram não deixou marcas em ambos.


"Bateu um saudosismo. Não tem como. Principalmente quando coloquei a voz em "A Hora do Almoço", que eu nunca gravei e foi uma música que cantei muito com ele. Quando eu ouvi a voz dele, me deu um nó na garganta e o Robertinho é testemunha disso", afirmou.


O que já era especial, ficou ainda mais com as participações de Amelinha, que também fazia parte do Pessoal do Ceará, Frejat e Xand Avião.


"É incrível ter o Frejat nesse disco. Eu gravei 'Contra-Mão' com o Cazuza há 36 anos e tívemos uma grande amizade. Eu também tenho um grande apreço pelo Frejat e essa relação que ele tinha com o Cazuza, o Barão e caiu uma ficha da lonngevidade que tívemos na carreira. O Xand nós já conversavamos desde a live que fízemos juntos e foi bom porque trouxemos a 'Loves Fora' pra uma linguagem mais jovem", enfatizou".


Futuramente, Fagner disse que tem a intenção de fazer um DVD e frisou o seu apreço pela mídia física, dizendo que ainda faz discos para ver a capa em um LP.


“Faço música com o mesmo sentimento de antigamente, não ligo muito para o que está acontecendo porque minha cabeça foi formada no passado. Porém, todos na gravadora estão conectados com a atualidade”.