• Guilherme Moro

"Eu canto o que sinto e o que sinto é completamente versátil": Entrevista com a cantora Serena

Nascida em São Sebastião, litoral de São Paulo, Serena passou parte da infância em São Franscisco Xavier, cidade da Serra da Mantiqueira. Aos 8 anos mudou para Ilhabela e lá encontrou seu caminho. Com 13 anos começou a compor e aos 15 anos já fazia apresentações em festas e bares da cidade.


Em 2020 lançou seu trabalho de estreia, o EP acústico Ela. Para 2021, Serena prepara novidades e a primeira é o lançamento do single/clipe "Dengo".

(Foto: Phill Fonseca)


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O clipe de “Dengo” tem uma fotografia, figurino e proposta mais sensual. A música pedia isso? Quais foram as sugestões que Derick Borba deu quando vocês definiram o conceito? Teve alguma referência específica?

Serena

Durante a criação da canção em si, sua concepção, seu astral e sua personalidade já pedia um tom mais sensual. Desde a letra até voz. No clipe não seria diferente.

O conceito do clipe partiu de uma vontade minha de expressar os nossos sentimentos, através de uma forma simples, real e tocante, por isso eu trouxe a dança em primeiro lugar para deixar mais sensível possível os nossos movimentos interiores de sensações e manifestação de nossos desejos e vontade. Eu também sou assistente de direção e convivo em Set de filmagens. Tenho o ensino superior incompleto de áudio visual e por isso tenho referências da vida sobre essa arte do cinema. Juntei tudo e coloquei em um caldeirão. A direção de movimento foi dos próprios bailarinos, então eles que trouxeram esse clima pro “baile”. Criei o conceito e o Derick resolveu os movimentos de câmera. Os tons das lâmpadas foram escolhidos pelos sentimentos que cada um dançava na minha visão.

Por exemplo o Vini, que é o que dança sozinho e tem como referência em sua dança a arte boutaud, eu coloquei vermelho, pois ele expressava, a meu ver, um olhar mais animal sobre o desejo de amar.

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“Dengo” tem uma pegada mais pop do que as canções anteriores que você havia lançado. Esse é um lado que você pretende explorar mais? Como se deu a composição dessa faixa?

Serena

Dengo é uma canção pop por natureza. Não foi proposital, mas também não tenho receio de vir com canções pop, porque acredito que música não tem bom ou ruim. Existem gostos e gostos! Eu amo o fato de ser pop e se vierem mais músicas assim eu irei amar “receber”, (risos).

A composição dessa faixa foi basicamente como todas as outras pra mim: Eu chego em casa, eufórica por alguma situação que aconteceu, está prestes a acontecer e na maioria das vezes acontecendo. Sento, tento colocar tudo no papel e sai a primeira ideia. Levei a canção pro Duani, que era meu produtor na época e ele somou e entrou na onda dessa vontade de encontrar alguém, amar, desejar... Isso é assunto que todo mundo entende, né? O amor e o desejo, as vontades são assuntos universais, né ?

Eu amo falar sobre isso inclusive e se eu pudesse ficaria horas escrevendo o quanto eu acho maravilhoso amar, ser amado, ter vontades, enfim… Vou parar por aqui (risos).



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Um dos seus grandes parceiros musicais é o violonista Fejuca. Qual a importância dele nas características de suas músicas?

Serena

O Fejuca foi um presente dos deuses na minha vida. Hoje em dia ele é meu amigo, confidente e produtor. Tem toda a importância pro meu futuro musical. O Fejuca consegue me enxergar de uma forma singular e somar os sentimentos dele junto dos meus. Ele traz muita influência da música preta, africana, que eu amo, respeito e escuto muito.

Tenho no meu caminho espiritual também um conexão forte com o tambor, com esse tom de terra que o Fejuca traz em suas mãos quando ele toca. Ele me abre portas musicalmente, me ensina muito e tem uma árdua caminhada que eu respeito e admiro.

Não poderia ter um parceiro melhor pra colocar esse meu sonho em prática.

Sou eternamente grata e esse ano ainda vamos soltar mais algumas coisas dessa junção maluca de Serena e Fejuca!

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Esse novo single é o início do que pode vir a ser um álbum?

Serena

Bom… Sim, não. Pode ser, pode não ser.

Está tudo bastante incerto, então meu plano inicial é que sim, seja uma continuação, mas enquanto não re-normalizar a situação do mundo eu prefiro fazer uma coisa de cada vez, soltar com todo o amor e dedicação e paixão de sempre cada parte do meu trabalho. Posso dizer que já temos muitas coisas no forno!

EP? Álbum? Algum desses daí com certeza!

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Você é uma artista versátil, que consegue transitar por diversos estilos musicais. Ao que se deve essa sua facilidade de interpretar diversos gêneros?

Serena

Eu parto do princípio que o mundo tem caminhado cada vez mais (e é onde concordo) pra um lugar sem etiquetas no sentido de segmentar, afunilar as coisas, pessoas, gostos, enfim, tudo.

Estamos numa luta absurda para desfragmentar algumas coisas e aspectos muito atrasados de consciência e padrões que ainda estão completamente em alta e que são coisas primitivas.

Falei tudo isso porque mesmo? Ah… sobre os diversos gêneros musicais. Eu acredito que habita em nós inúmeras facetas, inúmeros sentimentos e eu escuto de um tudo no meu dia a dia.

Pretendo sempre pegar leve comigo mesma no sentido de cantar e compor o que se é honesto no momento e assim é também com minhas músicas. Eu canto o que sinto e o que sinto é completamente versátil. Depende do meu humor, da lua, do dia. Eu amo o mundo e suas diferenças.

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Quem são suas maiores influências musicais?

Serena

Sobre minhas influências coloco sempre em primeiro lugar a Amy Winehouse, em termos de composições também. São poemas, cartas, sentimentos que ela cantava bem lá de dentro.

Oscilava em temas tristes, felizes e sobre o amor. As referências dela, são minhas também.

Aí você pode colocar Etta James, Ella, Nina Simone, Elis, Cassia Eller… E por aí uma grande lista e bem versátil, risos.


(Foto: Phill Fonseca)


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Como você iniciou sua trajetória musical?

Serena

Iniciei minha trajetória musical em Ilhabela, quando comecei a ter coragem de colocar pra fora esse gosto que eu tinha de cantar. No começo nem eu mesma entendia direito, é sempre difícil responder essa pergunta.

Comecei em casa, cantando e tocando o pouco violão que sei e aí fui me “amostrando” e perdendo a vergonha. Levei uma composição minha no festival de música e poesia do Estaleiro Bar, num certo ano, com uma música e me senti muito bem acolhida naquele palco, carregando mesmo uma figura de compositor. Não ganhei o festival, mas ganhei coragem de fazer novamente no ano seguinte. Foi aí que eu ganhei esse festival em primeiro lugar. Aí pronto, quando eu vi que tinha de verdade essa magia de transferir pros outros a alegria e a energia, contagiar de uma certa forma, eu comecei a caminhar.

Fiz shows de jazz, muitos mesmos, blue, rock, até me encontrar em mim e finalmente colocar meu som autoral pra caminhar junto!

Desde os 15 anos estamos aí.

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