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  • Foto do escritorGuilherme Moro

Entrevista: Jones faz mergulho interno e lança ao mundo seu primeiro álbum autoral

A obra de um produtor musical é tercerizada. Ele empresta seus dotes, aspirações e inspirações para outros artistas usufruirem e beberem de suas fontes. Olhar para dentro e enteder os caminhos artísticos que devem ser seguidos após anos trabalhando com outras pessoas é um trabalho árduo, que envolve muito conhecimento e confiança.



É um verdadeiro recomeço, ou melhor, é só o começo. O começo da carreira como intérprete de Jones, por exemplo, se encaixa perfeitamente nas linhas descritas acima. O cantor, compositor, produtor musical e multi instrumentista encontrou na criação artística o seu propósito e registrou essa jornada em seu álbum de estreia, intitulado “Só o Começo”, disponível nas plataformas desde o dia 11 de abril.


Jones é um dos nomes mais requisitados pelos principais artistas do país quando se trata de produção musical. Ele já trabalhou com nomes como Alok, Djonga, Lagum, Anavitória e KVSH, mostrando versatilidade em todos os gêneros que se propõe a produzir.


Apesar de estar se lançando somente agora como um artista solo, não é de hoje que ele acumula composições e projetos autorais.


"Eu sempre tive banda com meus irmãos e amigos. Eu comecei a estudar mais produção mesmo, assim, de sintetizar som, de sentar no computador e ficar juntando tudo, aprender a gravar, estudar gravação, mix etc. Após oito anos, deu vontade e saudade de escrever e produzir as minhas próprias composições. Eu amo produzir para os outros artistas e nunca vou parar, mas acaba que a decisão final é do artista. Gosto de poder ter mais liberdade também, então eu sinto que no meu projeto eu consigo fazer tudo da forma que eu quero. Eu comecei como artista, fui me tornando produtor e agora eu voltei a ser artista", explica.


Produzido em parceria com Pedro Lintz, o projeto conceitual se aprofunda no aspecto pessoal de Jones em busca de suas reflexões sobre amor, vida, hedonismo, morte e renascimento. Dividido em quatro atos, o disco reverbera ideias sobre o mundo contemporâneo, saturado de estímulos e excessos de dopamina.


Apesar disso, o álbum percorre muitos gêneros e dispersa o ouvinte em alguns momentos, o que é completamente compreensivel, já que estamos falando de um produtor musical se reencontrando como artista e recheado de bagagem dos mais variados estilos musicais, como discorremos nos parágrafos anteriores.


"Sempre me perguntava para qual caminho iria seguir em meu primeiro álbum. Essa pergunta me colocava sempre numa caixinha. Foi então que decidi que faria as coisas que eu acredito e gosto. O álbum saiu, mas é eclético. Eu me identifico com todas as coisas que estão nele. São fases da minha vida e do meu ouvido", afirma.



O produtor precisa ver o que o artista não consegue enxergar. Muitas vezes, os artistas decidem fazer eles mesmos suas produções com o intuito de sair da zona de conforto e propor um certo "desmame" na carreira. Um dos exemplos mais clássicos deste processo que se repete com frequência no mundo da música, é o rompimento de Liminha com os Titãs, que resultou no álbum "Tudo Ao Mesmo Tempo Agora" (1991). O resultado é um disco cru, sem corpo, amado por muitos e odiado também por muitos.


Outro fator que um produtor musical deve estar atento é o comercial. Quando o artista é o produtor, muitas vezes, a arte fala mais alto. E no mundo perfeito, é assim que as coisas deveriam ser. Ms o preço pode ser alto. Perguntado pelo Música Boa sobre como foi viver este dilema, ele afirmou:


"Eu tenho que ficar controlando o meu lado artístico que quer fazer tudo sem controle nenhum e somente se expressar. Meu lado produtor tenta colocar isso numa linguagem que vai conseguir comunicar o que a parte artística está querendo dizer. Eu precisei de ter um produtor no meu álbum, então eu produzi em conjunto com o Pedro Lintz e consegui equilibrar e direcionar muito para onde eu queria".


 Jones acumulou mais de 1 bilhão de streams em suas produções e agora emerge como uma das novas promessas da música nacional. Entre seus maiores sucessos como produtor estão suas parcerias com Alok em “Ilusão (Cracolândia)”, o remix de “Living in a Ghost Town”, dos Rolling Stones, e “All by Myself”, com Ellie Goulding. Ao lado do DJ, Jones também produziu o álbum “O Futuro É Ancestral”, que será lançado em abril. 


"Tem uma música que chama 'Don't Cry For Me', do Alok, que ele me chamou pra fazer uns violões. Eles basicamente eles me mandaram o vocal e eu fiz a versão inteira da música, tudo acústico .É uma produção que eu me identifico muito com ela porque tem muita coisa ali que eu gosto. É emocionante", fala sobre uma das produções que mais marcou sua carreira.



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