• Guilherme Moro

Entrevista com Sandami, ex-vocal do Sambô: "Ser um eterno aprendiz é o segredo da minha história"

Sandami ganhou projeção nacional com o grupo Sambô, que se propunha a cantar canções pop/rock com instrumentos e arranjos de samba. Após deixar o grupo em 2015, ele partiu para sua carreira solo e, em 2020, lançou o single "A Maré"em meio ao isolamento social.

Músico versátil, a carreira extensa do artista acumula 25 anos.


Foto: Augusto Wys


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Sandami, você se dedicou inteiramente ao Sambô por onze anos de sua vida. A sua saída do grupo foi em busca de voltar a fazer um trabalho que tivesse mais sua identidade?


Sandami

A minha passagem pelo Sambô foi incrível, coloquei toda a minha identidade junto ao grupo que se propunha a tocar sucessos consagrados, com instrumentos de samba. Foi uma fase muito legal e de muito aprendizado para mim, mas sabia que isso tinha um prazo. Eu sou um intérprete eclético, gosto de várias outras coisas e outros ritmos que não cabiam na banda, além das minhas canções autorais. Por isso resolvi sair e continuar a seguir a minha trilha.


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O Sambô alcançou um sucesso muito grande e inesperado em todo o Brasil. Como esse auge foi trabalhado por você naquele momento?


Sandami

Venho trabalhando profissionalmente com a música desde os meus 16 anos e já passei pelos mais possíveis perrengues imagináveis. Essa bagagem me mostrou várias coisas. O respeito por todos os profissionais que estão ali do seu lado é fundamental, assim como a importância dos fãs, respeito e simplicidade são coisas fundamentais para que tudo corra bem.


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No último mês você lançou o single “A Maré”, já pelo seu selo Sandami Music. Como essa nova música surgiu e de que maneira você pretende trabalhar com o novo selo?


Sandami

“A Maré” é uma música que eu adoro! Ela é um reflexo da nossa vida, uma analogia com as fases da maré. Nesse momento que estamos vivendo tenho pensado muito nisso, nos altos e baixos constantes da nossa vida. Ela faz parte de uma série de composições que vem surgindo durante esse período de isolamento social. Um projeto desafiador para mim onde estou colocando a mão em quase tudo: composição, arranjos, tocando todos os instrumentos e desenhando a mão a arte gráfica. É um trabalho artesanal que há tempos queria desenvolver. A mixagem e a masterização ficaram por conta de Alexandre Seixas e Pedro Sossego, respectivamente. Tenho a certeza de que todos irão se identificar com “A Maré” de alguma maneira.


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Dentre os três singles lançados neste ano, qual tem mais sua identidade e é o seu preferido no momento?


Sandami

No momento, “A Maré”, mas a minha identidade esta aflorada em todos esses três singles lançados.


Capa do single "A Maré"


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O álbum “Vida Longa” foi lançado no ano passado e apresenta novas vertentes na sua sonoridade, que é muito eclética. É seu álbum mais maduro de todos já lançados?


Sandami

Não sei se é o mais maduro. 2011 foi a data de registro desse álbum que foi lançado só agora em 2019. Naquele ano, ocorreu o nascimento da minha filha e minha avó completava os seus 90 anos de idade. No meio disso tudo, eu compus esse álbum que imprime uma sonoridade bem diferente dos que carregam a minha carreira com o entretenimento. Ele tem muitos instrumentos acústicos, como acordeom, flauta e violões. As letras que retratam esse momento na minha vida, nasceu o que eu mais desejo a ela e a todos: “Vida Longa”


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A última faixa do disco é uma mininovela. Com 12 minutos, ela apresenta diálogos que contam uma história muito interessante. De onde surgiu essa ideia?


Sandami

“O Errado” é o primeiro episódio de uma história sensacional feita pelo Alisson Sbrana onde tive a honra de registrar nesse álbum.

Outras artes sempre rodearam a minha carreira: música, artes cênicas, artes plásticas, circenses, enfim, todas elas. Na minha opinião, todas elas compõem um grande show.


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O seu último trabalho em uma gravadora foi o álbum “100 Anos de Samba” pela Radar Records. Com seu selo independente você se sente mais livre artisticamente?


Sandami

Na minha experiência, com todos os selos que eu passei, nunca me senti pressionado ou preso artisticamente. Claro que uma produção independente te da total autonomia, não só para as composições, mas também para os tempos e estratégias de lançamentos. Tudo tem os dois lados, o legal é ter uma boa conversa e ajeitar bem os pauzinhos com todos esses parceiros.


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Você é muito conhecido por suas características vocais e performances em cima do palco. Como todas essas particularidades foram adquiridas no decorrer dos anos?


Sandami

Comecei a minha carreira musical, bem cedo, como percussionista e sempre me interessei por ouvir coisas novas. Fui e sou influenciado por muita gente boa cantando e tocando. Ser um eterno aprendiz é o segredo da minha história. Começando pelos meus pais que já eram grandes artistas e até com os músicos que hoje tocam comigo, em cada um eu consigo tirar uma coisa pra eu levar pra vida. Tudo isso "passando tudo por um coador", claro.


Sandami em apresentação no Estúdio Showlivre


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Quais as maiores diferenças do Daniel San que conhecemos nos vocais do Sambô, para o Sandami que conhecemos hoje?


Sandami

O Daniel San era apenas um quarto de uma casa bem grande. Com a minha carreira solo, Sandami, posso usar e abusar de tudo que passa na minha cabeça sem limite algum.


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Ano que vem tem álbum novo? O que podemos esperar do Sandami no pós-pandemia?


Sandami

Pretendo dar continuidade aos meus planos que, até então, já estavam com datas marcadas. A gravação do clipe de uma música bem legal, que tem a ver com a onda Rock/Samba, distorção, naipe de metais e um papo muito legal. Logo na sequência, a gravação de um DVD com público em um lugar que eu adoro, mas ainda não posso contar pra não estragar a surpresa. Vocês vão adorar!


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Foto: Divulgação