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Entrevista com Pedro Torres: Baterista do Pedra Letícia

Atualizado: 6 de mai. de 2021

A primeira entrevista do blog será com o baterista de uma das bandas mais influentes no cenário independente do pais e que tem um público enorme! Falamos sobre a banda, projetos pessoais e o futuro da carreira. Hoje meu papo é com o Pedro Torres, baterista do Pedra Letícia, Hemisfério e professor de bateria!


B.M.B = Blog Musica Boa

P.T = Pedro Torres


B.M.B

Pedro, primeiramente obrigado por aceitar o convite e conceder essa entrevista para o nosso blog, é uma honra! Você iniciou na bateria aos 14 anos de idade. O que te despertou tão cedo para a música e quais suas maiores influencias como instrumentista e na música em geral?


P.T

Saudações Guilherme! Eu que agradeço o convite meu querido! Então, eu acho que pra baterista eu até comecei "tarde"...rs, mas a música sempre esteve presente na minha vida. Eu sou do interior de São Paulo, uma cidade chamada Espírito Santo do Pinhal. Meu avô era maestro e tinha uma Big Band na cidade, então eu vivenciei essa atmosfera desde criança, acompanhando ele em ensaios e até alguns bailes. Ainda bem pequeno eu fiz um tempo de aula de piano e estudei teoria musical na banda filarmônica da lá. Quando meu avô faleceu, em 1996 eu dei uma "desencanada" de música, retomando esse contato em 2000, já com 14 anos e tendo a entrada da bateria em minha vida. Eu frequentava um grupo de jovens na igreja católica e o baterista Romeu, começou a me ensinar alguns grooves e viradas. Eu ficava sentado ao lado dele vendo-o tocar e eventualmente tocava 1 ou 2 músicas nas reuniões do grupo. Como Romeu era autodidata, ele me incentivou a ir buscar um professor que fosse me ensinar questões técnicas mais aprofundadas. Nisso eu conheci o Matheuzinho, que foi meu primeiro professor de fato. Ele era muito exigente e eu um aluno que adorava os desafios propostos...rs Por conta dessa dedicação, ele me convidou para ser roadie da banda dele, como um apêndice das aulas de bateria, e lá eu também tive um grande aprendizado. O Matheus também me apresentou a Dave Matthews Band, que é sem dúvidas a minha banda favorita e o Carter Beauford, baterista da banda é uma grande influência. Eu sou bem plural enquanto referências musicais e baterísticas, muito por conta de ver meu avô tocar de tudo, então eu vou desde Led Zeppelin até João Bosco...rs. Mas, se eu tivesse que fazer uma "lista" com alguns bateristas que me inspiram eu colocaria: Carter Beauford Neil Peart João Barone Carlos Balla Kiko Freitas David Garibaldi


B.M.B

Você sempre foi um artista muito versátil e já tocou com diversos artistas de diferentes segmentos, você acha que a sua versatilidade ajudou na sua carreira?


P.T

Sem dúvidas! Logo que comecei a tocar eu rapidamente montei uma banda com 2 amigos. Ela se chamava "Anjos da Noite" e nós tocávamos basicamente rock nacional dos anos 80 e algumas coisas internacionais. Mas era a clássica banda de garagem, nós ensaiávamos muito, muito mesmo, e tocávamos em festas de amigos. Porém, em 2002, dois remanescentes da orquestra do meu avô montaram uma banda baile e me chamaram para ser baterista! Os senhores Delvo e Martucci foram extremamente fundamentais para essa versatilidade. Eram bailes de 4 horas e tocávamos de tudo, para as pessoas dançarem. Tinha muito bolero, samba, salsa, cha cha cha, forró e eles me deram todas as dicas! Me lembro do Sr. Delvo falando pra mim "Pedrinho, o bom baterista é aquele que coloca a pista pra dançar" Foi um momento muito marcante pra mim, pois esse conhecimento de vários estilos e principalmente o repertório que adquiri ao longo desse tempo fez com que eu sempre tivesse trabalho.


B.M.B

Hoje além de tocar com o Pedra Letícia e a Hemisfério, você continua dando aulas de bateria online e presencial, além de participar de workshops. Como você divide seu tempo com essas atividades, e qual delas mais te satisfaz como músico?


P.T

Cara, minha esposa brinca comigo e diz que meu hobby é tocar bateria! hahahaha. Então, tudo isso que faço tem o mesmo peso sabe? É muito difícil dar uma importância maior a alguma dessas atividades. O Pedra é a banda onde eu consigo me expressar artisticamente. O processo de composição, gravação, os shows, é tudo muito massa! Ter uma banda fora do mainstream que recebe tanta gente legal em seus shows é muito gratificante. Justamente por isso, temos uma agenda legal de shows mas não é aquela loucura de 25 shows por mês, isso me dá essa liberdade de tocar com outros projetos também, como é a Hemisfério. Somos uma banda de rock atuantes no mercado de bares, pubs e eventos aqui em São Paulo capital, interior do estado, Rio de Janeiro, Sul de Minas, fazemos em média 12 shows por mês e quando as datas da Hemisfério casam com as do Pedra, eu "pago um menino pra tocar no meu lugar...rs"  Sobre o lado de educador, eu dou aula de bateria desde meus 18 anos. É algo que eu não sei viver sem fazer, acho importantíssimo o aprendizado musical para as crianças e adolescentes. Eles não precisam se tornar profissionais, mas o que sempre digo a eles é que conhecimento adquirido é algo que nunca lhes será retirado. Acompanhar esse processo, desde o primeiro dia em que eles aprendem a segurar na baqueta até o momento da primeira apresentação em público é motivo de orgulho pra mim. Existe também o aluno adulto, que faz da aula de bateria o seu "futebol de quarta feira". Esse é o cara que entra na sala, afrouxa a gravata, olha pra mim e diz: "Chegou a melhor hora da minha semana". É incrível fazer parte dessas vidas, são 16 anos fazendo isso e já perdi as contas do número de alunos que já tive. Já os workshops é uma outra gratificação. Geralmente eu me apresento diante de estudantes de bateria e colegas de profissão. São pessoas que estão ali pra me ver tocar e ouvir o que tenho a dizer sobre vida, carreira, música, estudo, e isso é muito legal! No workshop existe a mesma tensão do show, porém, eu tô ali sozinho com os playbacks, com as atenções todas voltadas para aquilo que estou fazendo (saudades Cambota, Xiquinho e Kuky...hahaha).  Sobre dividir o tempo, eu não tenho ideia como consigo dar conta de tudo, só sei que dá...hahahahahaha.


B.M.B

A pandemia mundial devido ao Covid-19 fez com que o planeta todo freasse toda e qualquer tipo de atividade. O meio musical é possivelmente um dos mais afetados em relação a eventos e shows devido a farta aglomeração de pessoas. Como você vê essa situação do ponto de vista musical e o que bandas e artistas poderiam fazer para se reinventar no meio desse cenário todo?


P.T

Na segunda feira, dia 16/03, logo pela manhã fui recebendo inúmeras mensagens dos contratantes cancelando e adiando os shows agendados. Acho que há pelo menos uns 15 anos eu não ficava a tanto tempo sem fazer nenhum show. A indústria do entretenimento talvez seja a que mais demore para se reestruturar, no sentido dos shows ao vivo pois é justamente a reunião de muitas pessoas no mesmo ambiente  que fazem essa "roda girar" Porém, a cultura de uma forma geral é o que têm ajudado as pessoas a manterem a vida saudável nesse período de quarentena. Filmes, séries, livros, stand-up comedy, tudo isso está contribuindo para o entretenimento Odas pessoas em suas casas. Na música, as lives têm sido uma alternativa muito legal. Acompanhei boa parte delas e acho que isso pode até ser que perdure mesmo após o fim da quarentena. Algo que têm me deixado muito feliz é a união e apoio dos artistas nesse período. Tenho muitos amigos com quem converso diariamente e sempre pensando produtivamente, tanto sobre o que se fazer por agora, quanto sobre como será o futuro da nossa profissão.


B.M.B

Acredito que tocar com o André Abujamra foi um dos grandes momentos da sua carreira. Conte um pouco do tempo que você passou tocando com o eterno guitarrista do "Mulheres Negras"

P.T

Eu sempre fui muito fã do Karnak. Me lembro deles tocando no programa do João Kléber nos anos 90! No fim dos anos 2000, eu morava em Mogi das Cruzes e tinha uma banda autoral chamada Bico do Corvo. Fazíamos rock com alguma pitadas de música regional. Nosso guitarrista, Breno Kruse, também tocava viola caipira e introduzimos o instrumento dentro de nossas composições. Nós nos apresentávamos sempre em um bar da cidade chamado "Mais Brasil", porém, como toda banda autoral em começo de carreira não conseguíamos atingir um público muito grande em nossas apresentações. Então tivemos a ideia de convidar o André para fazer um show conosco. Na nossa cabeça a equação era simples: O bar vai lotar pra ver o André, mas todos os presentes terão que ouvir nossas músicas também...hahahahaha. O André foi muito generoso conosco. Topou o convite de cara e após o show, que deu muito certo, nos presenteou com inúmeras dicas sobre carreira. Ele ainda participa de uma música do nosso disco, na música "Não toco porque é brega" e também participou de alguns arranjos. Após isso, ainda pude tocar com ele em alguns outros projetos e é sempre um aprendizado. Além de ser uma figura engraçadíssima, ele sempre tem uma palavra boa, uma ideia, uma colocação. Sou muito fã dele e fico muito feliz por poder colocar esses shows com ele no currículo.


B.M.B

A Hemisfério é uma banda cover que você faz parte e que tem um repertorio extremamente eclético. Como é feita a escolha desse set e quais os shows mais memoráveis que você fez com a banda?


P.T

Depende muito do evento. Tem lugar que o público é bem rock and roll, aí podemos dar uma abusada....rs e tocar Ozzy, Gênesis, Jethro Tull, Mr. Big. Já em outros lugares são mais pop e aí vamos mais pro lado de Bowie, INXS, Tears for Fears, também tocamos bastante coisa dos anos 80 na pegada flash house como Erasure, Depeache Mode, Pet Shop Boys, Information Society. Também temos o rock nacional no repertório, Raul (sim, eu toco Raul...hahaha), Paralamas, Biquíni, Legião Urbana são sempre presentes. Também temos o projeto "Hemisfério Crush" em que tocamos vários clássicos dos anos 80 como Polegar, Dominó, Yahoo, Rosana e por aí vai...rs Então, dentro dessa "saladona" musical a gente escolhe o repertório específico para o evento que vamos tocar. Os shows mais legais que fizemos foram esse ano antes da Pandemia. Em fevereiro participamos do Moto Rock Cruise, organizado pela Mônica Cavallera. Foram 4 dias a bordo do navio Soberano e a rota foi Santos - Rio de Janeiro - Balneário Camboriú - Santos. Fizemos 3 shows. Um tributo ao David Bowie, um show bem voltado pro Rock e uma festa a fantasia em que fizemos um show mais pop. Foi muito divertido e esperamos voltar em breve!


B.M.B

Como surgiu o convite para entrar no Pedra Letícia?


P.T

Em 2012 eu dava aula na unidade do Tatuapé aqui em São Paulo da escola de música "Bateras Beat". E lá, comecei a dar aula para o enteado do Thiago Sestini, ex percussionista da banda. O Thiago e eu sempre conversávamos muito ao fim da aula do Lucca sobre shows, carreira e etc. Eu já conhecia o trabalho do Pedra, me lembro de assistir ao clássico vídeo de "Como que ocê pôde abandoná eu" no Omelete Club em Goiânia, lá no começo do YouTube em 2006. Certo dia o Thiago veio falar comigo que o Zé Junqueira, baterista da banda na época havia informado o desejo de se desligar do grupo. Ele ainda morava em Goiânia e estava para ser pai do seu primeiro filho, então, as questões logísticas estavam ficando complicadas. Ele me convidou para fazer um show com a banda em Lorena. Esse show foi dia 20/09/2013 (curiosamente, dia 20/09 é o dia do baterista..rs) e a maior peculiaridade desse dia foi que não fizemos ensaio(!!!). O Xiquinho me mandou um áudio de um show e essa foi referência que tive para aprender o repertório e entender a dinâmica. Eu conheci o Cambota, o Xiquinho e o Kuky no dia do show...hahahaha. Foi um dia muito legal e pra minha sorte tem vários vídeos desse show no YouTube, inclusive da primeira música que toquei na história como baterista do Pedra, que foi "Ela Traiu o Rock and Roll".


B.M.B

Nós de fora percebemos que o clima entre vocês é ótimo. Como foi sua adaptação quando você entrou na Banda?


P.T

A adaptação foi 100%. O clima da banda é sempre esse alto astral que é refletido no palco, tanto entre nós quanto com a equipe técnica, que é parte fundamental em nosso show. Fui muito bem recebido e durante a convivência fui descobrindo que com cada um da banda eu tenho uma afinidade diferente. Xiquinho e eu gostamos muito da parte técnica da coisa, gostamos de gravação, produção, arranjo, também gostamos de cozinhar e de tomar cerveja. Já com o Kuky temos o gosto por hard rock farofa anos 80 (hahahaha), também gostamos de falar sobre baixo e batera, sabemos todos os baixistas e bateristas das bandas que gostamos e nossa sintonia musical de groove é muito forte. Com o Cambota a gente fala muito sobre esportes. Acompanhamos futebol, NFL, NBA... Em época de Olimpíadas então é uma loucura. 


B.M.B

O Pedra Letícia por muito tempo teve um percussionista, que era o Thiago Sestini. Vocês conseguiam extrair uma sonoridade muito interessante com dialogo muito bacana entre bateria e percussão. Como eram feitas essas conversas e essas divisões entre os dois que davam um resultado muito legal nas musicas?


P.T

Pra mim, o Thiago junto do saudoso Peninha do Barão Vermelho são os melhores percussionistas de rock do Brasil. A gente foi se encaixando ao longo dos shows, com as viradas, os grooves e esse casamento foi soando cada vez melhor, mesmo porque eu toco de uma forma bem diferente do Zé, então essa adaptação foi acontecendo de forma muito natural. Outra coisa que ajudou muito é que nós dois sempre fomos desprendidos de ego. Muitas vezes ele me fez sugestões de grooves que eram exatamente aquilo que a música precisava e eu ainda não tinha encontrado, assim como eu também sugeria alguma ideia percussiva que ele acatava. Tudo isso funcionou muito bem!


B.M.B

O Projeto MDB (Música Divertida Brasileira) que a banda realizou com o humorista Rafael Cortez, faz uma releitura de grandes músicas da MPB que tem um teor bem-humorado. Como foi a experiência de fazer esse projeto, rearranjar essas canções e qual é sua releitura favorita?


P.T

O MDB é aquele projeto que dá orgulho de participar! O Rafa fez esse convite pra gente em 2014. Ele já tinha feito uma pesquisa de repertório e o Cambota o ajudou nesse processo. A ideia de trazer essas canções clássicas do cancioneiro popular brasileiro com uma roupagem moderna foi um trabalho divertidíssimo de fazer. Os "mash ups" são os pontos que mais gosto dos arranjos. Lorota Boa do Luis Gonzaga sobre o groove de Last Nite do Strokes e Romance de uma Caveira de Alvarenga e Rachinho sobre a base de Roxanne do Police são minhas favoritas.


B.M.B

O Pedra Letícia participou do Programa do Porchat de 2016 até o fim em dezembro de 2018. Como foi pra banda participar de um programa semanal em TV aberta e como essa passagem te agregou profissionalmente e na vida pessoal?


P.T

Fazer parte do elenco de um programa de tv é bem diferente de participar de um programa como convidado. Foi muito agregador e desafiador. A coisa mais legal do programa na vida pessoal foi que passamos a ter uma convivência diária, e isso nos uniu ainda mais! Na parte musical, acompanhar os artistas, ter o timming certo de tocar as músicas e tudo isso acompanhando um roteiro, foram práticas que ao longo das gravações passamos a tirar de letra. Ter tido a oportunidade de tocar com tantos ídolos como Chitãozinho e Xororó, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Caçulinha, Gabriel o Pensador, César Menotti e Fabiano, dentre tantos outros foi indescritível. Outra coisa muito legal era a liberdade de tocar o que queríamos, e grande parte das músicas que tocávamos no programa foram compostas por nós para serem tocadas lá. A música de abertura do programa é uma composição minha com produção do Xiquinho. Vários temas de breaks, vinhetas de quadro e bg's de ações foram músicas compostas por nós. Quero aproveitar e deixar nosso agradecimento aos nossos amigos que participaram dessa empreitada conosco. Os tecladistas Thiago Menê da banda Popmind e Guilherme Barreto da banda Bravaguarda que foram respectivamente os tecladistas das duas primeiras e da terceira temporada, e ao Igor Thomaz, saxofonista da Orquestra Brasileira de Música Jamaicana que nos acompanhou durante todas as temporadas. Também agradecer ao Porchat pela confiança em nosso trabalho, ao Paulo Vieira que é um cara fantástico, a produtora Chango, sob a direção do incrível Pedro Inhaez e a Record TV, que foi nossa casa nesse período.


B.M.B

O Pedra tem e sempre teve uma comunidade de fãs muito forte e presente. Como essa energia é passada a vocês diariamente?


P.T

Eu costumo dizer que o lado bom de não ser do mainstream é que nós podemos ter uma relação muito próxima com quem gosta da banda. A gente recebe muitas mensagens pelo Instagram, tanto no perfil da banda quanto nos nossos pessoais. Eu sempre procuro responder a todos, acho muito legal esse carinho, faz o trabalho todo valer a pena! Nós também sempre atendemos a todos que querem tirar uma foto pós show, tentamos dar essa atenção a todo mundo. Muitos dos fãs acabam se tornando amigos, eu já fui pra balada pós show com fãs várias vezes...rs.


B.M.B

Outra característica muito forte da banda sempre foram os shows. Qual a energia que vocês procuram passar para o público?


P.T

O Pedra são 4 amigos se divertindo e fazendo música Brasil afora. A gente gosta muito de tocar, e principalmente de fazer a diferença na vida daqueles que estão ali nos assistindo. Fazer com que naquelas 2 horas de show, as pessoas possam pular, cantar, se divertir, rir e esquecer quaisquer problemas que possam ter em suas vidas. Mas eu sempre tenho comigo que a gente se diverte mais que o público...hahahahahaha.


B.M.B

No ano passado o Pedra Letícia lançou um disco de inéditas, após 8 anos, intitulado "Velhos Goianos – Começou Risare". Como foi feito o processo de composição e ideias desse novo álbum? A ideia de fazer uma referencia ao álbum clássico da banda "Novos Baianos – Acabou Chorare" partiu de quem?


P.T

Em 2018 nós começamos a maturar a ideia de um novo álbum de inéditas. Fizemos um churrasco na casa do Cambota e ele nos apresentou algumas músicas que estava trabalhando, nem todas estavam completas. Pegamos esse start e em outubro do mesmo ano alugamos uma casa em Maresias e ficamos 5 dias lá para compor. Levamos todo nosso equipamento e dividíamos o dia em duas partes. Durante o dia trabalhávamos nos arranjos e a noite ficávamos tocando violão e trabalhando nas composições, foi a primeira vez que compusemos em conjunto. Desse processo saíram do zero, músicas como Mentira Verdade Mentira, História com fins e a parte das proparoxítonas do Só o Chico Pode. Gravamos tudo que fizemos e pegamos essas prés para ir lapidando no retorno a São Paulo. Depois disso, definimos o repertório e ensaiamos muito para lapidar os arranjos. Em fevereiro de 2019 fomos ao incrível estúdio Sonastério em Belo Horizonte e gravamos o álbum em 3 dias. O legal é que fizemos as bases das músicas ao vivo, como tocamos no show. Bateria, baixo, guitarra base e vocal foram valendo! Depois, aqui em São Paulo fizemos alguns overdubs e devolvemos ao Sonastério para ser mixado pelo grande amigo Arthur Damásio. A gravação do álbum também virou um documentário, disponível em nosso canal do YouTube e o nome do disco é fruto de uma brincadeira que sempre fizemos. A gente se chama de "Velhos Goianos" a muito tempo, e um dia, no camarim da Record alguém brincou que o disco deveria se chamar "Começou Risare", foi unânime a aprovação e assim surgiu o nome do disco.

B.M.B

Esse álbum é extremamente trabalhado nos detalhes e a  minha música favorita é "Final da Estrada". Qual a sua favorita e em qual canção você acha que a sua bateria se sobressaiu das demais?


P.T

Eu não sei dizer qual eu gosto mais... Cada música me toca de uma forma diferente, até por ser o primeiro álbum completo de inéditas em que atuo como baterista do Pedra. Mas bateristicamente falando, eu gosto muito de Crença. Eu sempre estudei muito ritmos brasileiros e ela é um baião no refrão e um maracatu no verso. Poder explorar isso esse universo rítmico no disco foi muito interessante Ah, eu também realizar o sonho de tocar um gongo nessa música...hahahahahah.


B.M.B

Quais seus projetos individuais para o futuro e para o Pedra Letícia?


P.T

A turnê do Começou Risare que foi impedida pela pandemia é algo que queremos muito retomar. Também pretendemos lançar mais alguns singles e quem sabe já pensar no embrião de um novo álbum. Na minha carreira solo, o projeto é o lançamento de um livro educacional de bateria e a retomada do meu canal do YouTube. A volta dos shows da Hemisfério e a realização dos workshops que também foram adiados (fica aqui meu agradecimeto às marcas que me patrocinam, bateria Mapex Drums e pratos Diril Cymbals). Ah, e quem quiser me chamar pra fazer show ou gravar, só entrar em contato que vou com o maior prazer!


B.M.B

Gostaria mais uma vez de agradecer pela disponibilidade e dizer que sou realmente muito fã do seu trabalho e do Pedra! Obrigado, Pedro Torres!!

P.T

Gui (já peguei intimidade...rs) foi muito divertido! Fiquei muito feliz com o convite e desejo muito sucesso a você e ao Blog Música Boa! Conte sempre com meu apoio! Grande abraço e até breve!



Pedro Torres em ação pelo Pedra Letícia Foto: (Reprodução/Facebook)

Pedro Torres, Kuky Sanchez, Xiquinho e Fabiano Cambota

Foto: (Reprodução http://pedraleticia.com.br)

Pedro Torres tocando gongo nas gravações do álbum "Começou Risare")

Foto: (Reprodução/Facebook)

Pedro Torres em ação pelo Pedra Letícia Foto: (Reprodução/Facebook)



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