• Guilherme Moro

Entrevista com o Guitarrista Sérgio Serra

Atualizado: 22 de jul. de 2020

Sérgio Serra é um dos guitarristas mais importantes do Brasil. O artista já fez turnês com Barão Vermelho, Legião Urbana, Cássia Eler, João Penca e Seus Miquinhos amestrados e é ex-integrante do Ultraje a Rigor, sendo considerado por muitos o melhor guitarrista que já passou pela banda. Com quase 40 anos de carreira musical, Sérgio Serra continua sendo uma referência para vários artistas.


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Sérgio, por volta dos dez anos de idade você descobriu que queria ser artista e encontrou na música sua principal arte. Conte um pouco como você se descobriu como artista e das suas maiores influências musicais.


Sérgio Serra

Bom, por volta dos meus dez anos eu descobri que queria ser artista lendo uma revista chamada “Rock”, que foi publicada por volta de 1975. Foram inúmeras edições lançadas, mas eu me lembro que começou com uma dos Rolling Stones. Então eu ficava lendo essas revistas com todas as histórias dos meus ídolos, né? Pink Floyd, Paul McCartney, Emerson Lake & Palmer, Cream, Yes, Jeff Beck The Beatles, todas essas bandas de rock. Foi uma revista que durou uns três anos, se eu não me engano. Então eu ia me identificando com algumas coisas e querendo aquela vida musical pra mim. Eu queria sair pra tocar pelo mundo.

Eu já morava em uma casa cheia de discos, porque meu pai trabalhava na gravadora Odeon, então nós tínhamos mais de cinco mil discos em casa.

A princípio eu queria ser baterista, tanto que meu pai me deu uma bateria e eu comecei a praticar esse instrumento com os discos que eu já vinha ouvindo.

Eu tenho um primo que toca guitarra e é músico mas nunca exerceu a profissão. Ele, assim como eu, tinha bastantes discos de rock em casa e frequentemente eu o visitava. Ficávamos ouvindo aqueles discos e ele me apresentava muitas coisas que depois eu ia procurar na discografia que eu tinha em casa e, quando não tinha, eu pedia pra minha mãe ou meu pai comprarem. Eram discos basicamente do início dos Rolling Stones. Eu ia procurando e fazendo uma relação com os nomes que saiam na revista. A partir desse momento, eu percebi que eu não queria fazer mais nada da vida a não ser música. Eu estava convicto que queria ser artista e ter uma banda.

Sérgio Serra durante a infância (Foto: Reprodução/Facebook)


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Como surgiu sua paixão pela guitarra?


Sérgio Serra

Certa vez eu estava ouvindo música, não me lembro se eu estava em Teresópolis - RJ ou no Rio de Janeiro – RJ. Nesse dia eu comecei a pensar que se eu fosse um baterista eu iria ficar muito no fundo do palco e ninguém ia me ver. Tinha um disco do Paul McCartney que se chamava “Band On The Run”. Nesse disco vinham alguns pôsteres com ele tocando baixos e guitarras diferentes, eu ficava olhando maravilhado.

Esse meu primo que tinha os discos comprou uma guitarra. Foi a primeira vez que eu ouvi aquele som e me lembro até hoje dessa noite que fui até a casa dele para ver a guitarra. Ele nem estava em casa mas meus tios abriram o case para eu ver o instrumento e eu fiquei fascinado.

Em Seguida, meus pais me deram uma Gianinni Mini-Músico. Era uma guitarra para iniciantes que vinha com amplificador pequeno. Foi a partir disso que tudo começou.

Eu me lembro de minha mãe me levar ao cinema para ver o filme do Led Zeppelin: “The Song Remains The Same”. Nesse filme eu me apaixonei pela banda e pelo Jimmy Page. Assim que saímos do cinema, minha mãe me levou até o centro da cidade e me comprou uma Finch Les Paul, pela qual eu fiquei apaixonado. Eu queria ter uma Les Paul por conta do Jimmy Page. Quando nós voltamos para Teresópolis – RJ eu liguei a guitarra no amplificador e de tão potente que era a guitarra o alto-falante rachou, fazendo com que aumentasse a saturação da distorção. Depois disso, eu segui tocando com os discos que meu primo ia me indicando, os suplementos mensais da Gravadora Odeon, descobrindo os discos que haviam em casa e foi assim que eu comecei, aos dez anos de idade. Para aprender os acordes, meu primo me passava algumas coisas. Eu comprava aquela revista “Violão e Guitarra”, que havia várias músicas de artistas pop e rock e a guitarra foi se transformando na minha grande paixão.


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Durante muitos anos você tocou com o grupo Barão Vermelho. Fale um pouco dessa experiência, de como você conheceu os integrantes e como era a relação com eles?


Sérgio Serra

Eu colecionava uma revista que se chamava “Som Três”, ela tinha uma página dedicada a resenhas de discos e uma coluna do jornalista Ezequiel Neves. Esse jornalista fez uma matéria sobre o Barão Vermelho e só de ler a matéria eu já fiquei muito interessado na banda. Eu me lembro de frequentemente ir a um barzinho chamado Aleph. Certo dia, nessa casa, havia uma banda instrumental tocando e o Dé Palmeira (Baixista do Barão Vermelho) estava lá. Naquela noite eu e ele nos conhecemos e começamos a tomar Chopp. Eu tinha 16 anos e depois que nós estávamos já um pouco “doidões” de tanto beber, ele me disse que ia me botar no Barão Vermelho. Eu comecei a acompanhar alguns shows da banda, até que o Frejat teve a ideia de colocar mais uma guitarra e eles me chamaram pra tocar como músico convidado. A ideia principal era fazer com que a parede de som ficasse mais pesada e que minha guitarra fizesse algumas bases para o Frejat criar os “desenhos” dele. O Dé me levou até a casa do Frejat, nós gostamos muito um do outro e tocamos um pouco. Eles marcaram um ensaio comigo e deu muito certo, toquei um bom tempo e tinha uma relação maravilhosa com todos eles.


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Você sempre deixou claro que gostaria de ser efetivado na banda. Porque essa efetivação nunca aconteceu? Você sente alguma mágoa em relação a isso?


Sérgio Serra

Chegou um determinado momento que eu queria ser efetivado porque achava a banda o máximo. Os outros integrantes achavam boa a ideia de eu entrar pra banda, mas ao mesmo tempo eles não queriam o som mais pesado que dá uma segunda guitarra. Foi então que eles me comunicaram que o ideal era que fizesse apenas alguns shows. Teve um ensaio que eu não pude ir e que o som tinha ficado ótimo, foi lá que eles tomaram essa decisão de que eu não entraria pra banda e iriam me comunicar.

Eu vi um “Cassino do Chacrinha” que eles foram e não me convidaram. Quando vi eu liguei pro Guto (Baterista do Barão Vermelho) e falei que ia sair e acabei poupando eles de me comunicar que não contariam mais comigo em shows ao vivo. Nos shows eu fazia uns solos de guitarra muito grandes e não era muito bem a ideia que o Frejat queria pra banda. Ele gostava das canções mais concisas com todas as partes definidas e eu levava a banda mais pro lado da Jam. Não sinto mágoa nenhum em relação a isso, as coisas foram como tinham que ser. Logo depois toquei com o Léo Jaime por quatro anos e em 1987 eu entrei pro Ultraje.



Sergio Serra com o Barão Vermelho, entre 1982 e 1983 (Foto: Reprodução/Facebook)


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Em 1987, o Ultraje estava gravando o álbum “Sexo!!” e você foi convidado para entrar na banda. Como se deu esse convite?


Sérgio Serra

A gente se conhecia porque nos encontrávamos em shows pelo Brasil e eu fiquei muito amigo do Carlinhos (Ex-Guitarrista do Ultraje a Rigor) e do Mauricio (Ex-Baixista do Ultraje a Rigor), tanto que foi o Carlinhos que me indicou para o Mauricio como possível substituto. Eu fui convidado pelo Liminha para fazer uma audição no estúdio “Nas Nuvens”, onde eu teria que gravar um solo de guitarra para a canção “Pelado”. No primeiro Take eu fiz um solo e não ficou tão legal, logo no segundo eu fiz o solo que ficou no disco que eu considero um dos meus melhores. Assim que terminou a gravação, o Liminha virou pro Roger e disse: “É esse o cara!”.

O Roger me pediu para gravar mais algumas coisas. Durante o processo de gravação ele me fez o convite para entrar pra banda e eu respondi que era tudo que eu mais queria. Eu era muito fã do Ultraje, assim como todas as pessoas que tinham minha idade (21 anos) naquele momento.

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Como era o clima da banda na época da gravação?


Sérgio Serra

O clima entre eles não estava bom porque tinha um problema de estilo musical com o Carlinhos e o Mauricio que queriam fazer um som mais pesado e o Roger e o Leôspa (Ex – Baterista do Ultraje a Rigor) queriam fazer um som mais voltado para o Rock And Roll. Você pode ouvir isso muito bem na faixa “Prisioneiro”, onde tem uma pesada e excelente guitarra do meu amigo Carlinhos e com o Mauricio nos vocais, mas é uma faixa que destoa um pouco do estilo do Ultraje. Quando eu entrei o clima ficou ótimo, voltaram as brincadeiras. Eu fui efetivado e foi tudo uma maravilha.


Sergio Serra em foto de divulgação do Ultraje a Rigor no lançamento do álbum "Sexo!!"

(Foto: Reprodução/Filme Ultraje)


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Posteriormente, em 1989, a banda gravou o álbum “Crescendo”, onde você assina as canções “Laços de Família” e “Querida Mamãe”. Como foi o processo de composição dessas duas músicas?


Sérgio Serra

Pois é, em 89 a banda gravou o “Crescendo” e eu assinei essas duas canções. Essas músicas foram feitas para o Ultraje. “Laços de Família” eu já tinha feito e “Querida Mamãe” eu fiz especialmente para esse álbum. As duas músicas tem o conceito de crescimento que o álbum propõe. “Querida Mamãe” fala sobre uma mãe superprotetora e um filho que precisa se afastar desses cuidados para poder se tornar um adulto, então a música aborda essa ruptura com um humor cáustico. O processo de composição dessas duas músicas foi relativamente fácil. Foi pensando em colocá-las no álbum.


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No álbum “Sexo!!”, você entrou quando as gravações já estavam ocorrendo e em decorrência disso não pôde gravar o disco todo. Já o “Crescendo”, você gravou inteiro. Você acha que nesse disco você pôde colocar mais sua identidade dentro da banda?


Sérgio Serra

É verdade, quando eu entrei pra banda no álbum “Sexo!!” as gravações já estavam todas feitas. Não acredito que eu tenha conseguido colocar minha identidade como compositor no “Crescendo”. Aquelas duas músicas que estão no disco não tem a ver com meu estilo de composição que está mais bem explorado no meu álbum solo “Labirinto Vertical” (2011). Porém o “Crescendo” tem muito da minha guitarra, estilos, timbres, solos utilizando alavanca, solos agressivos, dobras. Enfim, é um dos trabalhos de guitarra gravados que eu mais gosto.


Sérgio Serra e Roger Moreira durante show do Ultraje a Rigor (Foto: Reprodução/Facebook)


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No ano de 1990, a banda Barão Vermelho lançou o álbum “Na Calada da Noite”. Nesse álbum você tem três composições em parceria com integrantes da banda: “Tua Canção”, “A Voz da Chuva” e “Beijos de Arame Farpado”. Qual delas é a sua favorita?


Sérgio Serra

A minha favorita é “Tua Canção”. Eu acho uma canção bem bonita. A música é belíssima e a letra, modéstia à parte, tem uma poesia muito delicada, cuidadosa e elaborada, apesar de simples.


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Além do Ultraje a Rigor e Barão Vermelho, você já tocou com Cassia Eler, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, Leo Jaime e Legião Urbana. Fale um pouco de como foi tocar com cada um deles.



Sérgio Serra

Ah meu, essa pergunta é ótima! Tocar com cada um deles foi maravilhoso, uma experiência única e uma sensação maravilhosa pra mim porque eu estava tocando com artistas que eu admirava. Quando surgiram o João Penca e o Léo Jaime, eu era fã e assistia shows assim como da Legião Urbana. Durante a turnê do álbum “Sexo!!” eu só ouvia o disco “Dois” (1986) da Legião. Com a Cássia foi um trabalho muito bonito que nós fizemos de violão, foi uma benção, uma alegria, uma honra!


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Você saiu do Ultraje em 1990 e formou a banda Telefone Gol, que contava com o baixista Dé (ex-integrante do Barão Vermelho). Fale um pouco desse projeto.


Sérgio Serra

Pois é, em 1990 nós fizemos essa banda e durou pouco tempo por questões internas mesmo. A gente não soube canalizar a nossa energia em função da banda e as coisas não funcionaram de uma maneira que fosse legal pra todo mundo. Toda a banda tem problemas, as que continuam são as que se resolvem e as outras acabam porque é como um casamento, você vive uma vida junto com aquelas pessoas. Precisa ter muita renúncia, controle de ego, uma dedicação e compreensão muito grande um com o outro, compaixão, sabedoria e outras coisas que nós não tínhamos na época. Éramos muito garotos e a banda acabou não acontecendo.

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A banda ameaçou uma volta em 2016, com um show. Conte um pouco como foi.



Sérgio Serra

Então, foi um show apenas que foi feito no Saloon 79 e sem o Dé como baixista. A ideia era fazer outros shows, mas a gente já estava com o país em uma situação bem complicada e com poucas casas que dão espaço para bandas que estão começando ou querem dar continuidade no trabalho. No nosso caso, nós estávamos ali como se estivéssemos começando, não tinha como dar continuidade e a coisa ficou bem complicada. Então, em 2016, foi só uma apresentação no Saloon 79 e foi muito bacana: a gente se divertiu, fizemos um som e ponto final.


Página de jornal dá destaque para a banda Telefone Gol no início dos anos 90

(Foto: Reprodução/Facebook)



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Nos anos 90, devido o aumento da popularidade de ritmos como Axé e Sertanejo, o rock estagnou. Quais os principais projetos que você fez parte nessa década?


Sérgio Serra

É verdade! Bom, na década de 90 eu integrei uma banda cover chamada Dig Dig, fiz alguns meses da turnê do álbum “V” (1991) com a Legião Urbana, gravei três faixas no disco “Noite” (1998) do Lobão e fui me virando com o que podia. Até que o Arnaldo Brandão me chamou para tocar com ele.


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Pouco antes de voltar ao Ultraje a Rigor, em 2002, você estava tocando com Arnaldo Brandão e gravou o álbum “Arnaldo Brandão e o Plano D”. Fale um pouco desse projeto.


Sérgio Serra

Quando fui convidado para tocar com o Arnaldo Brandão, foi o paraíso. Eu entrei para a banda dele em 1999 e nós fizemos altos shows. Tocar e se relacionar com o Arnaldo Brandão é um presente. Ele é um grande músico e uma grande pessoa. Nós fizemos esse disco lindo onde eu gravei as minhas guitarras prediletas e eu tenho uma saudade enorme.


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Porque você escolheu voltar ao Ultraje a Rigor ao invés de continuar com na banda de Arnaldo Brandão? Fale um pouco dos momentos ao lado desse grande artista.


Sérgio Serra

Eu fui chamado para voltar a tocar no Ultraje em 2002. Era uma oferta irrecusável, mas fazendo um retrospecto eu acho que se eu tivesse continuado a tocar com o Arnaldo, talvez os meus caminhos tivessem sido menos conflituosos e melhores. Enfim, eu optei pelo Ultraje também porque não tinha como, né? Era uma banda que eu já tinha participado, tinha um nome, fui chamado para gravar um disco logo de cara e tendo em mente o “Acústico MTV” que já era conversado nessa época. Foi com muita dor no coração que eu deixei o projeto do Arnaldo, que era algo sem palavras. Nós fizemos shows memoráveis, era uma “sonzeira” enorme. A gente estava sempre gravando, ensaiando, era uma vida dedicada á música. Foram uns dos quatro melhores anos da minha vida. Foi incrível!


Sérgio Serra ao lado dos amigos da banda Brandão e o Plano D

(Foto: Reprodução/Facebook)



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Quando você retornou ao Ultraje a Rigor o disco “Os Invisíveis” (2002) já estava pronto. Como foi voltar à banda depois de tanto tempo? Quais foram as maiores mudanças que você percebeu nesses 12 anos que ficou fora da banda?


Sérgio Serra

Quando eu cheguei pra gravar as canções do álbum “Os Invisíveis” eu não notei muitas mudanças. A banda continuava a mesma, as canções na mesma pegada, mas com a entrada do Bacalhau (Baterista do Ultraje a Rigor) o som deu uma encorpada e o rock do Ultraje ficou mais vigoroso, então o que achei mais diferente foi essa questão da sonoridade. A banda ficou mais pesada até em músicas que tinham um instrumental não tão distorcido. A química toda da banda funcionou muito bem.


Blog Música Boa

Em 2005, o Ultraje gravou o seu Acústico MTV. Esse acústico se difere dos demais porque a banda usou bastante drive nos arranjos dos violões, o que resultou numa sonoridade muito interessante, mesclando acústico com elétrico. Vocês optaram por fazer dessa forma para chegar a um resultado final diferente dos acústicos convencionais ou a banda não quis abrir mão da pegada rock and roll que a caracteriza?



Sérgio Serra

O Roger relutou muito em fazer o Acústico porque ele achava que a gente ia perder esse “punch” e ele também não se via tocando violão pela falta de prática. Quando nós começamos a ensaiar, na casa dele, as músicas soaram muito bem porque o Bacalhau continuou tocando com a mesma intensidade. Eu usei um pedal amarelo com o drive no mínimo que me deu um feedback maior no solo e uma durabilidade maior nas notas, mas sem perder o acústico. As bases todas foram feitas com violões acústicos. A gente não quis chegar um uma sonoridade diferente dos outros acústicos, a banda só não quis abrir mão da pegada rockeira, como você disse.


Sérgio Serra em show com o Ultraje a Rigor, já nos anos 2000 (Foto: Reprodução: Wikipédia)



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No ano de 2009 você deixa o Ultraje a Rigor e grava o seu primeiro álbum solo, intitulado de “Labirinto Vertical”. Fale um pouco sobre esse trabalho e de como foi o processo de composição.


Sérgio Serra

Eu vinha trabalhando no “Labirinto Vertical” desde a época do Arnaldo Brandão. Eu gravava algumas coisas, elaborava, sempre aos poucos, fazendo músicas novas, resgatando algumas antigas. Foi um trabalho muito bacana. Esse trabalho foi se complementando ao longo dos anos. Tem canções ali de 91, 93, 95, 2002 e 2008. O interessante nesse trabalho foi que eu consegui uma unidade sonora, que parece que as canções foram feitas para aquele trabalho. Eu mantive uma unidade poética e sonora com começo, meio e fim.

Esse trabalho é voltado muito mais para a composição. Para fazer esse disco eu usei o conceito de recuperar minha identidade porque eu me perdi poeticamente ao decorrer dos anos. Esse meu lado compositor, apareceu muito mais no Barão, mas eu não era da banda, então esse trabalho foi muito mais voltado para meu lado compositor e intérprete. A guitarra funcionou como uma orquestração de cada canção, com solos mais adequados para o que a canção pede, sem nada muito virtuoso relacionado à guitarra.


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O “Labirinto Vertical” é um trabalho extremamente bem construído e trabalhado em suas composições. Ele é o seu trabalho favorito de toda carreira? Quais os planos para o futuro?


Sérgio Serra

O Labirinto é o meu trabalho favorito, com certeza! Eu pretendo lançar outros trabalhos solos futuramente, mas estamos no meio de uma pandemia então é complicado. Eu tenho um disco inédito que está pronto. Pretendo fazer mais cópias do “Labirinto Vertical. Gostaria de fazer um show com interpretações minhas de outros compositores do rock brasileiro e misturar com as minhas composições, mas vamos ver né? Como é que vai funcionar o mercado, como se vai ganhar dinheiro com música a partir desse grande e grave problema que estamos enfrentando.

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Fale um pouco sobre a banda “Serra e Os Elétricos” e sobre o “Um Baile a Rigor”, que era um tributo que a banda fazia ao Ultraje.


Sérgio Serra

Serra e Os Elétricos é uma banda maravilhosa! Ela é formada com pessoas aqui de Teresópolis – RJ. Eu tive a ideia de fazer o tributo “Um Baile a Rigor”, conversando com o Helinho (Baterista da Serra e Os Elétricos) porque ele sempre falava que nós íamos ensaiar o baile, até que um dia eu pensei em “Um Baile a Rigor”, que tem até a divisão silábica igual a Ultraje a Rigor. Foi daí que veio essa ideia de só tocar músicas do Ultraje porque ia ser um show só com sucessos, em um tributo à banda que eu participei, comigo cantando. Eu quero voltar a fazer esse projeto assim que possível pra ele puxar o “Labirinto Vertical”, porque nós fizemos alguns shows e ele foi interrompido por um problema de coluna que eu tive que operar. Quando a banda voltou estava acontecendo o Impeachment da Dilma e a gente não conseguiu mais vender shows e infelizmente o “Um Baile a Rigor” teve que dar uma parada. Eu tenho um orgulho muito grande dessa banda e quero voltar a fazer shows com esse conceito e proposta só com músicas do Ultraje, era o maior barato! O show inteiro só com sucessos.

Sérgio Serra em apresentação com a banda "Serra e Os Elétricos"

(Foto: Reprodução/Facebook)



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Existe uma grande comoção entre os fãs do Ultraje por uma volta da formação clássica da banda. Você teria interesse em uma possível volta? Qual sua relação com os ex-integrantes da banda?


Sérgio Serra

Olha, eu nem sabia que existia essa comoção entre os fãs para uma volta da formação clássica. Eu não tenho esse interesse tão grande assim, mas se o pessoal resolvesse com uma proposta de fazer shows eu faria com maior prazer. Eu acho muito difícil o Roger querer, não acredito que ele tenha esse interesse, mas nada é impossível nessa vida. A minha relação com os ex-integrantes é ótima, eu me dou bem com todos, das duas formações que eu participei.



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Serginho, foi uma honra poder conversar com você e ouvir um pouco de suas histórias. Um grande abraço, meu amigo!


Sérgio Serra

Poxa, a honra foi minha! Eu gostei muito das perguntas, foi muito interessante e uma pequena viagem aqui na minha cabeça poder ir me lembrando dessas coisas e contar para vocês. Muito obrigado, Guilherme! Boa sorte e fique com Deus.


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Um agradecimento especial para Patrik e Lúcio Kropf, fundamentais para a realização desta entrevista!