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Entrevista com Johnny Boy Chaves, o Baixista do Ira!

Johnny Boy Chaves é o atual baixista do Ira! e é conhecido por ter integrado o Camisa de Vênus e a banda do ícone Raul Seixas.

Ele contou detalhes de sua trajetória, como entrou para o Ira! e falou sobre o novo álbum da banda, que não lançava um material inédito desde 2007.

Blog Música Boa

Johnny Boy, é uma honra poder entrevistá-lo! Para começar nosso bate-papo, gostaria de falar sobre o novo álbum do Ira! O nome do disco é homônimo e já ganhou clipes das canções “Mulheres a Frente da Tropa” e “Efeito Dominó”, respectivamente. Qual a expectativa para esse novo álbum, após 13 anos sem um trabalho inédito?


Johnny Boy

Salve, mano! É um prazer poder falar com vocês.

O novo trabalho do Ira! chegou em um momento social complicado, com isolamento social e sem shows. As canções, sonoridade e resultado ficaram muito bons. O Edgard vinha nos mostrando novas músicas desde a volta da banda para a estrada. Nas passagens de som sempre tocamos várias que não entraram no disco, também. A participação da Virginie ficou muito legal. O disco tem cara e som de Ira mais puro, sem muita mágica de tecnologia. O Apolo (produtor) foi importante também, nós estávamos preparados, mas também gravamos algumas canções que conhecemos na hora de gravar. Enfim, estou satisfeito com o resultado e espero que os fãs gostem.


Blog Música Boa

Ainda falando do novo disco do Ira!, como foi feito o processo de composição e de arranjos desse álbum?


Johnny Boy

Simples, as canções são a maioria do Edgard e algumas são parcerias. Ensaiamos antes, onde trocamos ideias, notas musicais, frases de contrabaixo, viradas e levadas de bateria, solos de guitarra e harmonias. Clima de pré-produção. A maioria das músicas desenvolvemos os arranjos juntos.


Capa do novo e homônimo álbum do Ira!


Blog Música Boa

Você começou sua carreira tocando em cruzeiros marítimos, no final da década de 70. Conte um pouco da sua relação com a música desde os primórdios e de que maneira você decidiu que queria se tornar um músico profissional?


Johnny Boy

Comecei a tocar muito jovem, pois aprendi cedo. Eu fui me profissionalizando, tocando vários estilos musicais. Sempre gostei de Chorinho, Samba, Bossa Nova, MPB, Jazz, Blues e Rock. O fato de conhecer e tocar vários estilos e instrumentos, bem como, estudar e praticar muito, me levaram e me levam a vários caminhos e trabalhos felizmente.


Blog Música Boa

Além de multi-instrumentista, arranjador e compositor, você também é um grande produtor musical. Como você entrou na produção musical e quais são os trabalhos como produtor que mais se orgulha de ter participado?


Johnny Boy

Me interesso e sempre me interessei muito por produção musical e tudo que envolve uma gravação: arranjos, composição, timbres, mixagem, masterização, efeito, etc. Isso me ajuda muito no meu trabalho como músico. Toco vários instrumentos e tenho que saber como eles são para a música, mas para mim é um casamento em harmonia com o ritmo da vida. Todos trabalhos que produzi ou co-produzi me deixam muito orgulhoso e eu não saberia dizer qual é o mais importante, pois todos somam muito na minha experiência e são muito importantes para mim.


Blog Música Boa

Em 1988, você foi convidado para entrar na banda de Marcelo Nova que levava o nome de “Envergadura Moral”. Como surgiu o convite para integrar a banda?


Johnny Boy

Foi muito bom e importante para a minha carreira, um grande passo. Para fazer parte dessa trupe participei de um teste no Estúdio 864 que ficava no bairro da Pompéia (SP). Fui indicado pelo meu grande amigo, Nadinho Feliciano (Baixista). Marcelo Nova estava formando a Envergadura Moral, após o fim do Camisa de Vênus. Fui aceito tocando teclados. Gravamos o primeiro disco solo de Marcelo Nova e saímos em tour.


Blog Música Boa

Posteriormente, em 2004, você gravou o DVD “Camisa de Vênus Ao Vivo no Festival de Salvador”, como membro definitivo. Como foi integrar o “Camisa de Vênus” em um momento tão importante para a banda?


Johnny Boy

O Camisa sempre fez parte da atmosfera com Nova, (toca Camisa) quando veio o convite foi muito legal pois havia uma grande expectativa em torno da banda. Foi muito bom participar e conviver com grandes músicos e com toda a energia que o repertório e o “Camisa” têm no palco.


Johnny Boy em apresentação com o Ira!


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Você está presente em todos os trabalhos solos do vocalista Nasi, desde a banda 'Nasi e os Irmãos do Blues'. De que maneira você conheceu o vocalista e qual dos trabalhos com ele você mais gosta?



Johnny Boy

Conheci o Nasi pessoalmente em 1993, no estúdio do Tibério, também no bairro da Pompéia (SP). Batemos um bom papo sobre tudo e ele me convidou para ir ao show dos “Irmãos do Blues”. Fui e já toquei com eles. Conheci todos os irmãos, foi uma empatia de primeira. Muita alegria, um ambiente nota dez. Depois foram muitas visitas à casa de Nasi e logo na sequência o convite para integrar o “Ira!”. Nasi é um grande amigo e parceiro que tenho na música e na vida.


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Ainda falando da carreira solo do Nasi, a música “Perigoso”, que dá nome ao disco lançado em 2012, me chama muito a atenção. Você, juntamente com Nasi, é compositor da música. Qual a inspiração para essa música e como surgiu a ideia para a composição da mesma?


Johnny Boy

Essa é mais uma de nossa parceria. Uma crônica daquele momento que estávamos vivendo e diluímos em Poesia. Bem no estilo Western (Faroeste). Um fator diferente para mim, foi gravar no mesmo estúdio em que gravei “A Panela do Diabo” com Raul Seixas e Marcelo Nova. Muito emocionante!


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Você é membro definitivo do Ira! desde a volta da banda, em 2014. Porém não é de hoje que você participa dos trabalhos da banda, tanto em estúdio quanto ao vivo. No ano de 1996, você gravou o álbum “7” que foi lançado pela extinta gravadora “Paradoxx”, em uma fase que a banda estava mais em baixa mesmo tendo acabado de voltar de uma turnê feita no Japão. Como você foi convidado para gravar o disco, como era o clima da banda naquele momento e quais são as suas faixas prediletas desse álbum?


Johnny Boy

Vem da minha amizade com Nasi. Eu já tocava com os “Irmãos do Blues” quando fui convidado para tocar algumas músicas com o Ira! no “Aero Anta” e foi muito muito legal. Me convidaram para mais um show e assim foi o começo junto com o “Ira!”. Teve essa viagem para o Japão na qual fui convidado, mas eu tinha gravado com André Christóvão quando ele lançou o álbum “Touch of Glass” que estava sendo muito bem aceito no mundo do Blues e já tinham vários shows combinados. Eu não quis faltar com a minha palavra e compromisso, com isso não aceitei o convite do Ira!. Quando eles voltaram do Japão, começou o processo do disco “7” e fui convidado para os ensaios e gravações. Esse disco tem a primeira parceria minha com Nasi, a música “Que fim levou Paris”. Essa canção vem do repertório da Tríade 369 (banda dos músicos que tocavam com Raul Seixas). Quando Raul partiu, nós ficamos órfãos com muitos arranjos e ideias para composições que compúnhamos na estrada durante a tour. Quanto as músicas, gosto muito de “Que fim levou Paris”, “É assim que me querem”, “Difícil é viver” e “Eu quero sempre mais” O disco "7" é muito bom e traz várias canções de peso para a história da banda.


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Nos tempos de músico convidado do Ira!, você ainda gravou os álbuns “Isso é Amor” (1999) e “Ao Vivo MTV” (2000). Como você avalia esses dois trabalhos da banda, considerando que ambos foram premiados?


Johnny Boy

São dois trabalhos muito bons. Com o “Isso é Amor” tivemos a responsabilidade com as releituras isso foi um processo de muita pesquisa, troca de ideia e escolha de repertório. O DVD “Ao Vivo MTV” também foi muito trabalho, muitos ensaios, uma superprodução e um grande show. O DVD tem uma ótima qualidade de imagem e som, além do desempenho de todos que é nota dez! Fico muito feliz por participar de momentos tão importantes da banda.


Blog Música Boa

Você excursionou com Raul Seixas durante a turnê do álbum “A Panela do Diabo”. Tanto o álbum quanto a turnê contaram com a participação de Marcelo Nova. Como era a convivência com Raul naquele momento? Tem alguma história interessante que deseja contar?


Johnny Boy

Olha, conviver com Raul em qualquer estado é um privilégio para um pobre mortal. Era uma pessoa muito educada e nos inspirava e respeitava. Tudo foi muito bom e divertido. Fatos foram muitos, mas o tempo apaga e ficam os livros para contar.


Blog Música Boa

Ainda falando do álbum “A Panela do Diabo”, de que maneira gravar esse disco agregou na sua vida profissional e pessoal?


Johnny Boy

Fazer parte da História de Raul Seixas é uma grande honra. Me colocou ao lado de maravilhosos músicos que também abrilhantaram com seus talentos toda a música de Raul Seixas. Me trouxe muita experiência, alegria, muitos fãs, amigos e conhecimento para a minha vida pessoal, simplicidade e muito trabalho. Gratidão!


Johnny Boy e Edgard Scandurra


Blog Música Boa

O Ira! Retornou às atividades em 2014, com a turnê “Núcleo Base”. Como foi fazer essa turnê que foi um extremo sucesso, com shows lotados, recepções calorosas e um público que estava com muitas saudades da banda paulistana?


Johnny Boy

Foram emocionantes, todos os shows uma troca de energia positiva de amor e muita saudade. Parecia que estávamos voltando para casa depois de muitos anos longe da família. Em todas as cidades que passamos os shows e camarins sempre estavam lotados. Muito bom receber toda essa energia, viajamos o Brasil de Norte a Sul.


Blog Música Boa

Como surgiu a oportunidade integrar o Ira!, nessa volta, de maneira definitiva?


Johnny Boy

Eu estive sempre tocando e gravando com Nasi na carreira solo. Um belo dia, o Edgard me ligou convidando para participar de um show beneficente, em São Paulo, para a escola do Lucas, filho dele. Nesse show iriam participar Edgard Scandurra, Nasi, Paulo Ricardo e mais dois músicos como banda. Ok, vamos lá: ensaiamos sem os cantores e fomos fazer o show. Rolou uma grande expectativa que fosse a volta do Ira!. E foi mesmo um embrião para a volta, que aconteceu um tempo depois.

Fui convidado para integrar a banda novamente, tocando teclados, violão e backing vocal. Assim foi, ensaiamos bastante e fomos para o palco na Virada Cultural que foi uma loucura inesquecível. Uma grande plateia e um grande show.


Blog Música Boa

No ano de 2012, você gravou o projeto solo “Johnny Boy e Amigos”, no Estúdio Trama. De onde surgiu a ideia da realização desse trabalho e como você o avalia, quase 8 anos depois da gravação? Quais foram os convidados que participaram do projeto?


Johnny Boy

Eu tinha acabado de gravar o álbum “Perigoso” com o Nasi. Eu estava na Trama e as canções ficavam por lá tocando, até que um dia me convidaram para gravar ao vivo. Me deram liberdade para tocar o que eu quisesse, então aceitei e três dias depois lá estava eu com Bocato, Franklin Paolillo, Norival D Angelo, Rubens e Beto Nardo, Brad James, Ivo Bitencourt e Gabriel Chaves. Apresentamos várias canções minhas e várias releituras. Esse projeto ao vivo foi registrado em DVD. Um registro especial para mim e uma porta aberta para meu trabalho autoral. Obrigado Trama!


Blog Música Boa

Pra encerrar a entrevista, gostaria que nos contasse suas maiores influências musicais.


Johnny Boy

Tudo que tem som me interessa (risos).

Gosto muito de Vila Lobos, Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Dona Helena Meirelles, Pixinguinha, Jimi Hendrix, Jerry Lee Lewys, Jaco Patorius, Bach, João Bosco, Bud Guy, B.B King, Martinho da Vila, Led, Blues Brothers, Novos Baianos, Manito, Manito, Manito...


Blog Música Boa

Johnny foi uma honra para o nosso blog poder ter um entrevistado especial como você! Espero que tenha gostado. Em breve nos encontraremos. Grande abraço!


Johnny Boy

Foi um prazer dividir com vocês um pouco da minha trajetória. Estou firme com o Ira! e meu trabalho autoral. Vocês me encontram nas redes sociais. Forte abraço!



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Johnny Boy passando o som antes de alguma apresentação do Ira!

Johnny Boy em Outubro de 2019

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