• Guilherme Moro

Entrevista: Bruninho & Davi lançam "Galera" e anunciam álbum "Não é Uma Live"

Atualizado: 17 de ago.

Bruninho & Davi são uma das duplas mais autênticas dos últimos dez anos no sertanejo. Desde o início da carreira, eles buscam não fazer mais do mesmo e criar novas vertentes dentro do gênero.

Desta vez, não é diferente. Os sul-matogrossenses lançaram ontem (21) o single “Galera”, uma música nostálgica, mas com uma pegada 2022, algo que só B&D proporcionam.



O novo som chega acompanhado de um videoclipe que lembra os primórdios da dupla, quando lançaram o sucesso “Vamo Mexer”, que tinha um videoclipe com uma atmosfera bem parecida com a que vemos em “Galera”.

“A música veio já há algum tempo, mas foi bem quando começou a pandemia. Decidimos segurar a música durante este período. Desde o começo a gente queria fazer um clipe bem ‘festa B&D’. Tivemos um tempo de planejar legal e quando chegou a hora de fazer, a gente já sabia quem iríamos chamar para as paradas. Chamamos o Coutinho, que é um diretor de publicidade, que nós conhecemos correndo de kart. Fizemos uma aposta nele para o vídeo ficar com uma linguagem diferente e funcionou muito. Foi muito prazeroso. Isso é B&D. Quando fui mostrar referências para o clipe, mostrei o vídeo de ‘Vamo Mexer’ e disse: ‘é isso, mas dez anos depois’, risos. É um outro momento, um outro tudo. Foi muito legal, cara. Estamos muito animados com o projeto, porque conseguimos passar tudo o que a gente é, sempre foi e o que a gente almeja para esse ano”, revela Bruninho”.



O nome do projeto que carrega o novo single, é “Não é Uma Live”, uma clara brincadeira às lives realizadas durante o período mais severo da pandemia.

“O lance do nome do disco é muito massa. Passa muito do nosso sentimento: ‘cara, não é uma live, não é uma live, isso aqui é Bruninho & Davi. Vamos pensar diferente’”, afirma Davi.

O repertório de “Não é Uma Live” reúne releituras de oito grandes hits da música nacional, além de cinco músicas inéditas, que serão lançadas ao longo do semestre.

“Essa escolha é dura porque a gente gosta de muitas músicas. Muitas delas ficam de fora e outras a gente traz pra nossa roupagem e acabam não rolando. É muito legal, porque são músicas que a gente gosta. Querendo ou não é uma forma de homenagear esses artistas e tirar essa onda, porque a gente sonhava em tocar essas músicas ou em ser esses caras um dia. É muito legal, até porque no nosso primeiro disco a gente gravou ‘Papo Reto’ (Charlie Brown Jr.) e nós conseguimos a assinatura dos caras, isso na época. Isso é legal. Acaba sendo prazeroso e a galera quer ouvir”, diz Bruninho.

“Gravar músicas dos anos 90 foi um desafio muito grande, porque são músicas muito famosas, né cara? É muita responsabilidade você desconstruir uma música que foi um hit e transformar num sertanejo, então isso foi um desafio e ao mesmo tempo muito legal, porque a gente conseguiu fazer e ficou muito da hora”, conclui Davi.


Foto: Divulgação

No sertanejo, assuntos que abordam relações homoafetivas muitas vezes são jogados de escanteio. Em 2011, quando isso ainda era um tabu, B&D cantavam “mandei mensagem pra Gabriela, mas ela gosta da Isabela”. Hoje, dez anos depois, eles quebraram mais um barreira, colocando cenas de beijos homoafetivos no clipe de “Galera”.

“Quando a gente falou disso lá atrás já foi muito louco e agora a gente tá falando de festa. Eu fui pro “De Férias Com o Ex” e cara, sempre vimos isso como uma coisa normal. É um tabu quebrado mesmo, porque, por incrível que pareça, quando a gente colocou o beijo no clipe, falaram assim: ‘pô, tem que tirar o beijo dos caras’. Aí eu disse: ‘então tem que tirar o das minas’. Então deixamos todo mundo. É legal, porque às vezes dá uma chocada pro nosso meio, mas pra gente é algo tão normal que quando alguém fala algo a gente diz: ‘pô, deixa lá’. São inclusive dois grandes amigos. No dia eles se amarraram de participar, exatamente por quebrar esse tabu. Eles estavam mais ansiosos que nós pro lançamento do clipe, risos”, disse Bruninho.

Davi concorda com seu parceiro:

“A gente fala disso desde ‘Vamo Mexer’. De uma forma mais sutil, mas fala. A gente sempre teve a nossa ideia. Nós sempre fugimos do conservadorismo do sertanejo. Tanto na parte musical, quanto na parte visual. A gente não tem muito medo de enfrentar essa parada. Eu não gosto muito de nada conservador, então pra mim é legal ter um uma parada dessas”.

Uma das características de toda a autenticidade trazida por Bruninho & Davi, é a segunda voz marcante de Davi, que imprime de forma muito original sua voz nas canções da dupla.

“Segunda voz é uma parada que todo mundo acha que é fácil, mas não é. É difícil pra caramba de fazer e eu sempre tive muita facilidade com divisão de vozes, por conta da igreja. A gente acaba aprendendo isso nos corais. Quando eu fui cantar sertanejo, existia uma diferença. Não podia fazer algo muito viajado. Trabalhar com menos nona possível, mais com terça ou quinta. Tive muita inspiração do Mateus, do Jorge & Mateus. Depois comecei a criar minha própria identidade na segunda voz, muito pelo incentivo do Dudu Borges (produtor), que dizia que eu conseguia fazer muito mais do que o tradicional pede. Comecei a me especializar em fazer uma segunda voz pro som do Bruninho & Davi. Claro que quando eu for gravar algo mais tradicional como Chitãozinho & Xororó ou Zezé Di Camargo & Luciano, não posso fazer uma coisa muito diferente, mas nas nossas músicas eu pretendo fazer algo mais não linear. Isso é mais questão de ter atitude de mudar o que é tradicional e como tenho facilidade consigo colocar isso nas nossas músicas. Fica super legal”.



Contando com mais de 1.3 milhão de ouvintes mensais no Spotify e 550 milhões de visualizações em seu canal no YouTube, a dupla Bruninho e Davi é considerada uma das mais versáteis de sua geração, contando com uma trajetória marcada por hits e parcerias de sucesso com artistas como Michel Teló, Jorge e Mateus, Luan Santana, Vitão, Atitude 67, entre outros.


Com três álbuns e três DVDs gravados, a dupla já passou por vários lugares do Brasil e exterior. Em 2020, Bruninho e Davi apresentaram o projeto “Collab BED”, lançado em duas partes. A primeira foi composta por cinco faixas autorais, trazendo as participações de Tília, Raffa Torres, Mr. Dan, Jay Jenner e Luccas Carlos. Já a segunda teve as colaborações de Pedro Mariano, Bibi, da banda Sorriso Maroto, e Matheus Aleixo, da dupla Matheus & Kauan.

Em 2021, a dupla lançou o projeto Violada, com parcerias com Gustavo Mioto, Clayton & Romário e Marco Antônio & Gabriel. Para os próximos meses, os artistas planejam o lançamento de “Não É Uma Live”.